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terça-feira, 1 de outubro de 2019

Sobre o que esperamos de nossos heróis

A Julianne Cerasoli fez um vídeo analisando por que os ingleses não torcem para o Lewis Hamilton na mesma proporção de seu grande sucesso na Fórmula-1. Achei muito interessante a opinião da jornalista-guru deste blog, mas fiquei pensando que não torço e nunca torci para o Hamilton - acho que nem mesmo contra o Alonso - e que isso não tem nada que ver com as razões expostas no vídeo, e nem têm relação direta com a admiração que nutro pelo piloto em questão. 
Evidentemente, sabemos o quanto o sujeito é bom de corrida, sabemos o quão bem sucedido ele é, mas o outro lado também é verdade: acompanhamos corridas e vimos pilotos suficientes para sabermos das (poucas) qualidades que ele não tem. Agora, torcida mesmo é algo muito pessoal. Por que torcemos para algum time de futebol em especial? Por causa do pai, tio, avô, primo, porque ganhou alguma campeonato de forma marcante quando tínhamos seis ou sete anos, etc. Ou será que, talvez, os times carreguem alguma mensagem que nos toca e gera identificação? 
No automobilismo, torce-se em regra para um piloto, não para um time, sendo a Ferrari, evidentemente, a exceção. Na Alemanha, ninguém liga muito para a Mercedes, a não ser quem trabalha para a marca. A torcida e a mídia se ligam mesmo no Vettel e no Hulkenberg. O piloto para quem torcemos, e não seu time, é quem carrega a mensagem com que nos identificamos. O piloto contra quem torcemos - os nossos Prosts, Schumachers, Alonsos - carregam a mensagem antagônica. Mas que mensagem é esta e quem verdadeiramente a propaga?
Chamou muito a minha atenção, após o GP da Rússia, o fato de que, até onde pude ler na mídia internacional, apenas a brasileira ter atribuído ao Vettel o papel de vilão na lambança organizada pela Ferrari - Vettel, aliás, foi escolhido "piloto do dia" por meio da votação da F-1 na internet. Chegou-se ao ponto de desmentirem com estatísticas o comentário de Vettel sobre os motores V12 após seu abandono, num desvirtuamento completo do sentido da reclamação do alemão: 


No outro lado da garagem vermelha, só há sorrisos e elogios ao "predestinado" Charles Leclerc. Isso me incomoda, me irrita mesmo, pelo reducionismo que implica e porque grande parte da história recente da F-1 fica soterrada pelo culto ao novo. Claramente, a situação na Ferrari parece extremamente complexa, especialmente desde a morte de Marchionne e Leclerc é um moleque muito esperto que tem sido muito bem orientado sobre como navegar dentro da equipe - lembrando que sua carreira é gerenciada por Nicolas Todt, vulgo Todtinho, filho de Jean Todt, atualmente presidente da FIA e antigo dono do botão vermelho da Mamã Ferrari. Seus choramingos e mimimis não são apenas de um menino minado, mas de quem sabe muito bem que, se pedir, ganha. 
Carlinho é, então, retratado como um prodígio que exige muito de si, que aprende muito rápido e a quem nada abala, nem a morte do pai, nem a morte de um de seus melhores amigos - ambos eventos que foram sucedidos por triunfos seus na pista. E, aqui, podemos voltar à mensagem que o piloto carrega e que transferimos a nós mesmos quando ela gera identificação. 
A história da morte do pai de Leclerc, seguida da vitória do filho no GP de Baku de F-2 em 2017, bem como de sua primeira vitória na F-1 em Spa-Francorchamps, após a morte do amigo Antoine Hubert na mesma pista no dia anterior, me fez lembrar do quanto fiquei abismado quando Michael Schumacher venceu o GP de Ímola de 2003 logo após a morte de sua mãe. Lembro de ter pensando, antes daquela corrida: "hoje este cara não vai ganhar. Talvez não vá nem correr". Correu e ganhou. Leclerc, tendo sabido do passamento do pai, concluiu que pouco mudaria caso ele deixasse de correr e que o pai gostaria que corresse. Correu e ganhou. 
O contraste com Vettel e com o próprio Hamilton é evidente. Lewis esteve a ponto de sucumbir, segundo boatos, após o rompimento com antiga Pussycat Doll Nicole Scherzinger. Fosse pelo motivo que fosse, Lewis bateu, rodou, andou mal pra burro. Lewis, como Sebastian, é humano
Para quem cresceu vendo Ayrton Senna como o modelo de piloto, seria fácil se encantar pela resiliência demonstrada por quem vê o pai ou a mãe falecer e, horas depois, arrisca o próprio pescoço para vencer uma corrida. No entanto, estas demonstrações têm implicações éticas importantes. A maneira como Schumacher se comportou ao longo de sua carreira demonstra que ele passaria por cima da morte da mãe e de qualquer coisa que se colocasse entre ele e o seu objetivo. 
Muito do sucesso no automobilismo se dá pela maneira como se ocupa espaço: espaço na equipe, espaço na pista. Ocupar espaço significa necessariamente, neste ambiente de competição, tirar o espaço de alguém. Evidentemente, isso é do jogo: ser o mais rápido não significava nada se há alguém na frente impedindo que a velocidade se desenvolva. No entanto, se se colocar no caminho do outro é parte do jogo, o jogo não admite todas as formas de atrapalhar o concorrente. Schumacher parou o carro na pista para Alonso não passar, arremessou o carro contra adversários, ganhando e perdendo, arremessou adversários para fora da pista, ganhou corrida sem cumprir a penalização que lhe havia sido cominada e a lista poderia ir facilmente madrugada adentro. 
O cinismo de Schumacher, como o de Leclerc, começou a aparecer muito cedo em sua carreira. Quem não se abala com nada pode ser um grande piloto, mas também pode ser um grande psicopata. Fico com a mensagem de quem se descabela com a perda de uma pussycat doll.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Doidão

Vettel perdeu a corrida ontem por causa da estúpida manobra para cima de Lewis Hamilton, durante uma das centenas intervenções do safety car. Isso é para acabar com a lenda de que alemão tem sangue frio e não se abala com nada. Isto é conversa para boi dormir.
Duas coisas me provocaram estranheza: a) nas entrevistas após a corrida, Vettel resolveu ignorar o que tinha feito. A repórter: "mas houve contato com Lewis"; Sebastian: "sim, toquei em sua traseira porque ele fez um brake test"; repórter: "mas e depois, ao lado do carro de Lewis?"; Sebastian: "eu acenei para mostrar que não concordei com a manobra"; repórter: "mas houve contato com o carro de Lewis, não houve?"; Sebastian: "sim, eu acertei a sua traseira". Psicopata total; b) a conclusão de que Hamilton não teria freado ou tirado o pé do acelerador foi muito esquisita, pois dá para ver na imagem que, sim, ele diminuiu a velocidade. Na câmera onboard do carro de Vettel dá para ouvir nitidamente e ver pelos dados da telemetria que o alemão não saiu acelerando da curva. Tentei encontrar algum vídeo onboard do carro de Lewis que tivesse também os dados da telemetria, mas não achei.


Enfim, a coisa ficou desnecessariamente caótica, coisa de jogo de futebol entre bêbados. Para Sebastian, não houve nenhum ganho. Mesmo tendo chegado à frente de Hamilton, perdeu pontos importantes para o campeonato em um momento em que a Mercedes dá mostras de ter voltado à velha forma, impondo-se soberbamente sobre os demais tanto em classificação quanto em ritmo de corrida. Além de que, Lewis vai agora dar as cartas em um jogo que ele tanto gosta: o de palavras, fora da pista.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Continuo não entendendo

A falta de consistência das decisões da FIA quanto ao comportamento intra zebras dos pilotos tem chamado a atenção da mídia especializada.
Lembrei hoje de manhã, antes de sair da cama, naqueles momentos de sub-consciência, de dois episódios em que, claramente, Hamiltão jogou o Rosberguinho pra fora da pista.
O primeiro deles, logo abaixo, ocorreu no GP dos EUA do ano passado, certame em que, inclusive, confirmou-se o tricampeonato do inglês.



No segundo, o GP do Canadá de 2016, algo parecido ocorreu, mas de modo menos evidente. Após a maravilhosa largada de Vettel, as duas Mercedes se esfregaram e Rosberguinho ficou sem pista.


Chama atenção que estas manobras sequer foram colocadas sob investigação. Passaram como comportamento duro, mas esportivo. Nas duas oportunidades em que tentou fazer algo parecido, Rosberg acabou punido. 
Não quero amaldiçoar as incoerências dos árbitros automobilísticos contemporâneos; coerência nunca foi o principal atributo desta categoria. Em 1989, por exemplo, quando Senna foi desclassificado do GP do Japão por não ter completado a distância total da corrida, perdendo, então, o título mundial daquela temporada para Alain Prost, Ron Dennis, chefe dos dois, preparou um dossier com algumas imagens de pilotos "cortando" chincanes sem que houvesse qualquer medida semelhantes àquela cominada contra Senna. 
A reclamação é antiga e vai continuar assim, afinal, no mundo corporativo, dentro ou fora da F-1, decisões têm fundo político com fundamentos mesquinhos e arbitrários. Lidemos, pois, com isso. 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Opa! Aí, não...

A gente sempre vê o Bernie Ecclestone falando bobagens e a teoria, já bem abordada pelo Véi, é que ele quer é manter os holofotes sobre seu produto, a F-1. 
Talvez o Hamilton, pensando em uma vaguinha de cartola quando deixar de usar boné e capacete, esteja já seguindo os ensinamentos do mestre. Disse por aí que não deveriam parar de fuçar no arranjo do treino classificatório até encontrem um modelo ideal. Segundo o moço, 2016 deveria ser um ano "laboratório" para encontrar o modelo ideal. 
Estou pensando em propor uma abordagem como esta aos meus alunos, algo para criar o caos e quebrar paradigmas. Em uma disciplina como história do direito, poder-se-ia ignorar a cronologia e começar da época moderna, abordando, em seguida, a antiguidade, pulando, então, de Ulpiano para Savigny e assim por diante, seja lá o que "por diante" signifique. Acho que um curso doido deste teria mais sucesso do que trocar o modelo de classificação toda semana. 
O inglês tricampeão andou reclamando que está fazendo a mesma coisa há dez anos e que a F-1 precisa mudar. Está entendiado, coitado. 
Às vezes, é necessário dar ouvidos ao pragmatismo alemão.

terça-feira, 19 de abril de 2016

"Suor, sangue e lágrimas"

Foi o que Lewis Hamilton disse dar à F-1 e ao esporte a motor. Tirando a parte do sangue, até acredito que seja isso mesmo. O inglês estava respondendo aos críticos que pegam no pé dele pelo seu estilo de vida "badalado". 
Olha, honestamente, foda-se. Puta encheção de saco porque o cara vive deste ou daquele jeito. Esta é uma questão dos tempos contemporâneos, como dizia logo abaixo, quando criticava a figura obscura do gestor. A impressão é que vivemos num mundo orwelliano em que se quer a aniquilação da individualidade. 
Em suma, se o cara acha que ir para a balada é mais importante que ser campeão de novo - depois de ter trucidado a concorrência em dois anos consecutivos - o problema é dele. E, se se tornar problema da equipe, eles vão mandá-lo embora, eu vos asseguro. 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Ar turbulento

Foi boa a corrida da China, não foi? 
A Fórmula-1 está demais - sem ironia nenhuma! -, mas isso já tem data para terminar. A modificação das regras referentes à escolha dos tipos de pneus e ao modo utilizá-los ao longo da corrida tem sido fundamental para agitar os certames. No entanto, até o próximo GP, na Rússia, as escolhas de pneus das equipes foram feitas "no escuro", ou seja, apenas com base nos testes de inverno. A partir da corrida na Espanha, as escolhas foram realizadas a partir de dados mais reais coletadas ao longo do final de semana do GP da Austrália. Talvez isso torne as estratégias mais uniformes e as corridas, mais previsíveis. 
A corrida na Austrália deu a impressão de que a Ferrari poderia ameaçar a Mercedes em ritmo de corrida. Desde então, no entanto, Vettel e Raikkönen enfrentaram uma quebra cada um e uma corrida acidentada na China não permitiu que se mostrasse se haveria possibilidade de os italianos brigarem para deter Rosberg. Parece que não, pois o ritmo do filho de Keke foi muito superior ao de todo mundo. 
O que ainda deixa uma pontinha de esperança de termos uma briga colorida neste ano é o ritmo fraco de Hamilton enquanto anda no meio do povão. Talvez, sem ditar o ritmo, andando no ar sujo, o carro da Mercedes sofra mais que a Ferrari e Red Bull, embora Hamilton tivesse, claramente, algum problema no carro decorrente da pancada que levou de Nasr na primeira curva. Para tirar proveito de uma eventual dificuldade da dupla anglo-teutônica no ar turbulento, todavia, é preciso deixar os prateados para trás na largada, largar na frente deles ou contar que o imponderável embaralhe tudo. 
Como não há mostras de que isso possa acontecer com regularidade, é melhor deixar a esperança para lá, aceitar que temos mais um domínio da Mercedes e que a graça é que o "outro" piloto é quem está dominando - contra, para variar, os prognósticos de Pai Renatão d'Opum. 

sábado, 19 de março de 2016

Poderíamos parar por aqui

Já temos um campeão. Lewis Hamilton vai levantar o tetracampeonato no final desta temporada. Rosberg vai muito mal, foi massacrado nos treinos e não vai se recuperar tão cedo. Aliás, foi exatamente isso o que aconteceu no ano passado: quando o alemão reagiu, já era tarde demais. 
As Ferraris não têm velocidade para brigar por vitórias. Pelos treinos de hoje, a Mercedes está colocando três décimos a mais em relação à imensa vantagem que já tinham na última temporada. 
Com isso, então - a não ser que haja uma abismal diferença entre o desempenho de treino e de ritmo de corrida para Ferrari e Mercedes -, a F-1 ganha um novo tetracampeão, ao lado de Alain Prost e Sebastian Vettel. 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Bom para os negócios?

Nas últimas semanas, várias declarações de um dos anões e chefão-mor da F-1 Bernie Ecclestone chamaram atenção por esculachar a alemãozada e enaltecer Lewis Hamilton em função de seu papel na promoção do esporte. 
Hoje, a página brasileira do motorsport.com reproduziu parte de uma entrevista em que o Ecclestone diz que Rosberg e Vettel não são bons promotores do evento e que Hamilton talvez seja o "melhor campeão do mundo que já tivemos". Não sei sob que ponto de vista se poderia afirmar tal coisa com alguma correção. Tecnicamente, é difícil avaliar o desempenho de Lewis com os campões de outra época; do ponto de vista dos negócios, a homérica treta entre Prost e Senna, por exemplo, parece ter trazido mais público para o esporte que a cara emburrada do inglês. 
Hamilton é um cara interessado em música, compõe rap e adora o show business. Outro dia, vi uma entrevista em que ele relatava como havia sido incrível sentar-se perto da Oprah em um determinado evento.  É, também, um cara capaz de vencer uma corrida e permanecer com aquela feição blasé, como quem diz "é óbvio que eu ganhei, sou muito melhor que os outros", ou dar demonstrações  de mimadice quando perde um certame.
Entretanto, ainda que Hamilton tenha infindáveis qualidades, acho que os elogios de Ecclestone tem um caráter de retaliação aos alemães por razões que escapam ao grande público Por que ele não achincalha o Bottas, por exemplo, que é muito menos midiático que todos o demais? Talvez tenha algo a ver com o cancelamento do GP tedesco neste ano. O anão inglês disse que a Alemanha é um país é péssimo para os negócios. Engraçado que, muito antes de ter um campeão na F-1, a Alemanha sediava um dos GPs mais tradicionais da categoria e nunca ouvi falar que seria um país ruim em termos de grana. É só ver as arquibancadas do estádio em Hockenheimring. Sem contar as corridas no incrível Nordschleife.
Fato é que a F-1 está em crise e "tornou-se um produto pouco vendável", como gostam de dizer.  E, claro, a culpa por isto é antes do próprio Ecclestone e sua gestão que de qualquer piloto. Será que, do outro lado da conversa, os alemães não estejam dizendo "tivemos de cancelar nosso GP porque este idiota acabou com a categoria"?

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Nem fodendo

Era exatamente esta a frase - claro que no inglês "not even fucking" - a ser usado por Lewis Hamilton pelo rádio ao ser cogitada a sua segunda parada para troca de pneus no GP de Mônaco, no último domingo. 
Mil teorias já foram desenvolvidas para explicar a sandice daquele pit-stop. A única coisa que me ocorreu, na hora da corrida, que justificaria a parada seria um pneu furado, o que não foi o caso. Uma explicação seria que Lewis teria visto a equipe pronta para uma parada em um telão e imaginou que o Rosberguinho iria trocar a borracha. Pediu, então, para parar também. Daí, a equipe julgou que ele queria parar de todo jeito, virou uma grande confusão e ele perdeu a corrida. 
Parece que a Mercedes pagou pela soberba, a mesma que, de certa forma, a fez perder a corrida na Malásia: "temos vantagem, podemos parar uma vez a mais que a concorrência e, ainda, ganhar com sobras". Era só fazer o arroz com feijão para garantir a dobradinha.  
Não sou exatamente fã de Hamilton, mas não gostei do resultado. Ele está guiando demais, vem arrasando seu companheiro de equipe e não deu chances para ninguém em Mônaco.  A derrota foi artificial e o equilíbrio no campeonato também. Sem este tipo de incidente, Hamilton vai ser campeão com muita antecipação - e merece isso. 
Mas, o que é realmente triste nesta situação é ver que o principal piloto da F-1 no momento não consegue tomar uma decisão óbvia sozinho. Um pit-stop não deveria sequer ser cogitado, ainda que o Rosberg trocasse os seus pneus. Naquele momento da corrida, andando na frente, borracha nova não faria a menor diferença e disso Lewis é quem teria de saber.

sábado, 24 de maio de 2014

CADÊ O LORD?

Hamiltão, que não deixa de estar bem na fita, vinha dando declarações que mais lembram um lord inglês do que um aguerrido piloto de F1.
Foi campeão lá nos idos de 2008, uma vez que rubim massa deixou o título escapar, e andava meio que no acostamento sem carros para vencer campeonatos.
Agora, dona Mercedes o agraciou com um carro vencedor. O único que pode fazer frente é o seu companheiro Roseberg.
Como o inglês é o queridinho de Mickey Lauda, o palpiteiro mor da equipe alemã, tudo parecia encaminhado para mais um título.
Porém, (ai porém) Roseberg parece não concordar com o ritmo dos acontecimentos. Gosta de andar em Mônaco e fez um pole position estranha no dia de hoje com uma saída de pista que foi investigada por suspeita de shushuzada.
Nada encontrado, noves fora, segue o bonde com o alemão genérico na pole. Só que o piloto inglês deixou a fleuma de lado e desandou a dar declarações de que vai usar de recursos esquisitos também.
Vamos ver o que dá. Como os carros alemães não dão chance a ninguém vai ter muita gente torcendo para que os dois se "achem" nas pistas da vida.


"Vô dá sapatada!"

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Ao Senhor Lewis Hamilton

Caro Senhor Lewis,
Lembro bem da sua vitória no GP da Inglaterra de 2008. Foi o que? um minuto de vantagem sobre o segundo colocado, Rubens Barrichello? Corrida bonita de ver, aquela: Barrichello, correndo de carroça, chegando em segundo e você mais de um minuto a frente de todo mundo. Aniquilou a concorrência. Sentiu-se bem após a bandeirada, não? 
Coroando a sua irregular temporada - que teve momentos brilhantes, como em Silverstone, e alguns erros patéticos - veio o título no Brasil. Campeonato suado, vencido na última curva, da última volta, da última corrida. Fantástico para o público, mas isso só ocorreu, Lewis, porque você não se garantiu. Tinha a faca e o queijo na mão, mas não conseguiu ultrapassar Sebastian Vettel, que dirigia uma Toro Rosso - carro significativamente pior que o seu - para levar os pontos que precisava para o título. Teve que contar com a chuva que caiu no fim da corrida em Interlagos para tirar Timo Glock do caminho do triunfo. Não se garantiu, Senhor Hamilton. 
Daí você rompeu o relacionamento com a Pussycat, ficou triste, passou dois anos emburradinho, foi para a Mercedes, e vem contando com o apoio do ladrão de plantão Ross Brawn para ficar a frente de seu velho amigo e novo desafeto Rosberguinho. 
Então, após a corrida do último domingo em Cingapura, o senhor criticou aquele mesmo Sebastian Vettel, que você não teve capacidade de ultrapassar em 2008, por ganhar muito fácil. Ora, senhor, foi fácil em Silverstone naquele ano? Ou você mereceu aquela vantagem toda porque trabalhou melhor que os outros? Parece-me que a segunda alternativa seria a sua escolha. 
Eu não estava lá, mas você estava e pode confirmar: quem foi o piloto que por último saiu do autódromo na sexta e no sábado que antecederam ao Grande Prêmio de Cingapura? Foi o Vettel, não foi? Afirma-se por aí que, hoje, não há piloto mais trabalhador que ele no grid. Claro, esta diferença toda dele para os demais não é um mero golpe de sorte, um mero acaso. Lembro-me de ler uma entrevista sua há alguns anos em que você afirmava que, ao largar para uma corrida, o senhor nem sabia em que volta pararia nos boxes. Afirmava que a equipe, a McLaren, na época, tinha profissionais suficientemente capacitados para tomar estas decisões e que você apenas obedecia quando era chamado. Nunca vi tamanho desleixo em piloto de ponta! Nem perguntava pros caras? Nem dava um palpitinho na sua própria corrida? 
Agora vem com esse papo besta fazer coro às vaias do pódium do último domingo. Antes de tudo, a sua preocupação é com outro alemão, o Rosberguinho. Não fosse a ajuda do bandido chefe de vocês, o senhor estaria comendo uma poeira danada. Nico pode não ser mais rápido, mas é infinitamente mais consistente que você. 
Em suma, Lewis Hamilton, vá cagar. 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

FORÇA PARMERA!


Luizão Hamiltão, que se diz fora da disputa do título depois da corrida onde Judas perdeu a Coréia do Sul, resolveu inovar e dar uma força para o Parmera.
Saiu da pista e apanhou um tapete verde (coisa ridícula dentre tantas coisas ridículas que colocam à beira da pista) e saiu em defesa do time de São Paulo.


Hamiltão mostrando congraçamento entre categorias esportivas mesmo na hora do naufrágio

sábado, 6 de outubro de 2012

IRRESPONSABILIDADES

Vejam o susto de Hamilton no finalzinho do treino que antecede o para valer no Japão.
Uma tartaruga no meio da pista.
O piloto britânico perdeu o rebolado e deve ter manchado o macacão.
Na sequência Senna esse (não aquele) sofre com uma chicane ambulante.
O duro é que essa chicane estava tentando fazer tempo.
Não dá nem para rogar praga.






a vida não é fácil para quem não leva papel higiênico no porta luvas

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Como nunca antes visto

Quando começaram os rumores de que Hamilton iria para a Mercedes, pensei se tratar de mais um daqueles boatos que não se confirmam e de que a gente ri anos depois. Assistindo corridas antigas, com os narradores e comentaristas afirmando, por exemplo, que o Piquet iria para a Ferrari em 1992, paramos e pensamos "meu deus, de onde eles tiraram isso?" 
Desta vez, contudo, a boataria se confirmou, o Schuchu foi aposentado, o Hamilton foi mesmo para a Mercedes, mas a surpresa ficou com a ida do Perez para a McLaren. Apesar de nossas reservas por conta do episódio no GP da Malásia deste ano, o mexicano deve fazer boas corridas com a equipe de Woking. E, talvez, só tenha ultrapassado o Alonso em Monza porque já estava fechado com a McLaren e não precisava mais aparecer para o Montedemerdozemolo. 
Agora, só falta saber quem ocupará o lugar do Perez na Sauber. Poderia ser o novato Luiz Razzia? Ou o próprio Schuchu? Vai-se especular um monte a troco de nada, mas os jornais precisam de assunto. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O IRMÃO ESQUECIDO

Duncan Hamilton.
Irmão mais velho de Lewis Hamilton.
Começou cedo a carreira na F1 mas, não foi longe. Correu apenas cinco provas de 1951 a 1953.
Nem um pontinho conquistado.
Talvez por correr por equipes estranhas como HWM e Talbot-Lago.
Resolveu abandonar a carreira e viu seu irmão caçula e bronzeado da praia mandar ver no da direita conquistando várias vitórias e uma cantora que não das Spice Girls.
                              Duncan e seu olhar desconfiado. Parecia adivinhar que seu irmão mais novo nasceria com gasolina nas veias.

terça-feira, 31 de julho de 2012

TROFÉU

Leio aqui que uma das condições para que Hamilton renove contrato com a McLaren é levar os troféus originais para casa.
Mesmo aqueles em forma de bosta.
Uma das minhas curiosidades acerca do mundo da F1 sempre foi o destino dos troféus e dos carros antigos.
O destino dos carros é fácil porque vira e mexe alguém surge com um modelo antigo.
Alguns goiabas compram carros de F1 aposentados e fazem questão de arrebentar os pobrezinhos em algum muro pelo mundão véio afora.
Já os troféus eram um mistério.
Será que aqueles que aparecem na TV de vez em quando são os originais?
Pelo visto, nem sempre
Se Hamilton não tem acesso ao que tem de direito neste quesito imaginem um piloto de menor quilate.



 Se ele quiser servir salada aos convidados com o original, o problema é dele nénão?

sexta-feira, 29 de junho de 2012

PASTOR SENDO MALDONADO

Pastor sem ovelhas perde a compostura disputa a posição com Hamilton que não cede espaço.
O venezuelano ao invés de recolher e tentar mais tarde, já que Hamilton vinha se arrastando, sai da pista e volta com tudo para cima do piloto inglês que joga longe o batom, quero dizer o volante.

domingo, 27 de novembro de 2011

Presença


Foto: TotalRace
A imagem acima retrata a última vez que Ayrton Senna correu em Interlagos, no já longínquo ano de 1994.
Seu sobrinho com mesmo sobrenome marca presença neste fim de semana, 17 anos após a última participação do tio, com um excelente 9º lugar no grid de largada. No entanto, não é só no nome e na cor do capacete de Bruno Senna que o velho Ayrton está presente no autódromo paulistano.
Sem dúvida, na memória dos torcedores, ainda daqueles que nem sabem direito o que significou o nome Ayrton Senna além da musiquinha da Globo, o piloto vai estar lá, conduzindo sua McLaren capenga à linha de chegada.
Mas tem mais: dois importantes pilotos vão carregar suas lembranças para dentro da pista. Um deles, Rubens Barrichello, que desfrutou da companhia de Ayrton dentro das pistas e já o homenageou da mesma forma no ano seguinte ao da morte do ídolo. Barrichello irá correr com uma pintura alusiva a Senna no capacete.


Foto: Divulgada via Twitter.
É até esperado que um brasileiro que conviveu com Senna homenageie o ídolo em sua corrida de casa. Pode ser surpreendente, por outro lado, que um piloto inglês, que apenas viu Senna na pista enquanto era garoto e que, hoje, é rival quase desafeto de um outro piloto brasileiro lembre de Ayrton. Lewis Hamilton também resolveu prestar seu tributo.
Tomara que amanhã a lembrança fique não só na pintura do casco, mas também no arrojo e estilo, sob chuva ou sol.

Foto: globo.com

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Alívio


Nos últimos meses, acompanhamos com interesse as angústias do menino Lewis Hamilton, que esteve muito, muito, triste e sob muita pressão.
O destaque do domingo automobilístico foi a volta do sorriso aos lábios de Lewis, coisa que não víamos há tempos. A vitória impecável no GP de Abu Dhabi, que tirou um peso enorme das costas do inglês, foi dedicada à sua querida mamãe que esteve nos Emirados e deve ter ficado felizona com a dedicatória ao vivo em rede mundial.
Torcíamos, ontem, por Vettel e a suspensão quebrada logo na primeira curva foi frustrante. No entanto, na linha do que já dizíamos no sábado, uma vitória de Hamilton não seria desagradável. Na verdade, vê-lo vencer de novo e sorrir de novo foi um alívio. É como se, sorrindo Lewis, sorriríamos nós também. Eis a beleza do esporte.

sábado, 12 de novembro de 2011

Pode, sim!

A menina Vanessa expressou sua dúvida a respeito da aplicabilidade do verbo "torcer" às corridas de carrinho. Uma vez informada que não há qualquer impropriedade técnica nisso, ela concluiu que torceria para o Hamilton por ser ele sem noção.
Bom, cada um tem suas razões para escolher a torcida. Hoje, como ao longo do ano, torci para Vettel, o Kid, embora não fosse me desagradar ver Hamilton com a pole.
Kid agora iguala o recorde de Nigel Mansell, mas, claro, sem o mesmo aproveitamento do Leão. Mansell, em 1992, fez 14 poles em 16 corridas, enquanto Vettel tem 14 em 18. Vai ter, ainda, a classificação no Brasil de lambuja para superar o recorde.
Seria bom Hamilton largar na frente para ver se o menino fica alegre de novo. Não foi desta vez, mas amanhã é domingo e não sábado. Sabe-se lá o que vai acontecer e Lewis pode chegar em segundo, terceiro, na frente ou atrás de Button, pode bater de novo com o Massa, pode ser punido pela centésima vez no ano, pode quebrar ou estampar um muro. Ou pode vencer.