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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Ferrari começa a abrir mão do campeonato de 2017

Já de se esperar que o time vremeio não pudesse acompanhar o ritmo de desenvolvimento da Mercedes, já que sua equipe é composta de engenheiros com menos experiência em F-1 que os prateados. 
Agora, além de questões técnicas, a Ferrari consegue se complicar escandalosamente nas questões políticas. O motor Ferrari melhorou horrores, está próximo da cavalagem mercedônica e, então, julgou o presidente Sergio Marchione, nada mais natural que demitir o engenheiro-chefe de motores. A notícia está no motorsport.com. Marchione teria dito que "se todos tiverem estabilidade e tranquilidade para trabalhar, tudo fica muito fácil, vencer perde a graça; além de que, bagunçando tudo, meu cargo fica protegido destes carreiristas burocratas safados, que querem ser promovidos porque são bons e eficientes". 
Fontes alegam que Vettel teria aberto a primeira gaveta da escrivaninha para dar uma olhada no pré-contrato com a Mercedes, que ele havia displicentemente jogado ali após o GP da Austrália. 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Outras brake tests cagadas

Assistindo esta corrida ao vivo, há 17 anos, tive certeza de que Schumacher tinha sido um filho da puta. Hoje, revendo a cena, acho a mesma coisa. 



segunda-feira, 26 de junho de 2017

Doidão

Vettel perdeu a corrida ontem por causa da estúpida manobra para cima de Lewis Hamilton, durante uma das centenas intervenções do safety car. Isso é para acabar com a lenda de que alemão tem sangue frio e não se abala com nada. Isto é conversa para boi dormir.
Duas coisas me provocaram estranheza: a) nas entrevistas após a corrida, Vettel resolveu ignorar o que tinha feito. A repórter: "mas houve contato com Lewis"; Sebastian: "sim, toquei em sua traseira porque ele fez um brake test"; repórter: "mas e depois, ao lado do carro de Lewis?"; Sebastian: "eu acenei para mostrar que não concordei com a manobra"; repórter: "mas houve contato com o carro de Lewis, não houve?"; Sebastian: "sim, eu acertei a sua traseira". Psicopata total; b) a conclusão de que Hamilton não teria freado ou tirado o pé do acelerador foi muito esquisita, pois dá para ver na imagem que, sim, ele diminuiu a velocidade. Na câmera onboard do carro de Vettel dá para ouvir nitidamente e ver pelos dados da telemetria que o alemão não saiu acelerando da curva. Tentei encontrar algum vídeo onboard do carro de Lewis que tivesse também os dados da telemetria, mas não achei.


Enfim, a coisa ficou desnecessariamente caótica, coisa de jogo de futebol entre bêbados. Para Sebastian, não houve nenhum ganho. Mesmo tendo chegado à frente de Hamilton, perdeu pontos importantes para o campeonato em um momento em que a Mercedes dá mostras de ter voltado à velha forma, impondo-se soberbamente sobre os demais tanto em classificação quanto em ritmo de corrida. Além de que, Lewis vai agora dar as cartas em um jogo que ele tanto gosta: o de palavras, fora da pista.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Lambão apócrifo (e atrasado) do GP da Espanha

Dona Gertrudes ignorou todos os procedimentos burocrático-corporativos estabelecidos pelo F-1 Literária Media Corporation e veio direto até mim: 
"Teu pai não te deu o recado?" 
"Sim, sim, o Galvão esqueceu completamente das Force India, da corrida espetacular do Wherlein - com uma parada só, diga-se de passagem..."
"Claro que não, moleque imbecil!"
O recado, na verdade, era que, por ter sido a corrida no dias mães, Dona Gertrudes havia sido agraciada com um leitão extra, que deveria ser entregue ao menino. 
"Que menino, Dona Gertrudes?"
"O menino, o lituano, que é grosso igual ao pai. Não gosto dele!". 
Dona Gertrudes referia-se ao holandês Max Verstappen. Tentei argumentar: 
"Mas ninguém pode ser punido por empurrar um carro de volta para a pista, Dona Gertrudes". 
A resposta foi simples: "não gosto dele". 
A equipe de analistas técnicos do blog foi convocada para uma reunião de emergência a fim de analisar o pleito de nossa colaboradora. Reproduzo, a seguir, a nota informando o parecer final: 

O Conselho Técnico Deliberativo do F-1 Literária Media Corporation, após detida análise dos fatos ocorridos no último dia 14 de maio, na curva 01 (um) do Circuito de Montmeló, Catalunya, Espanha, após a largada do Formula 1 Gran Premio de España Pirelli 2017, concluiu o seguinte: 

1. Não há atribuição de culpa pelo acidente que tirou do certame os pilotos Max Verstappen e Kimi Raikkönen; três carros dividiram a curva e, certamente, daria merda, como deu; 

2. Esquentadinho, o piloto da Red Bull preocupou-se em levantar a mãozinha do volante para reclamar de Raikkönen em vez de frear seu bólido ou direcioná-lo para a área de escape, empurrando, consequentemente, o rival de volta para pista; 

3. Com isso, embora não haja previsão específica no regulamento sobre "forçar carro para dentro - e não para fora - da pista", considerou-se Verstappinho culpado pelo incidente, atribuindo-se-lhe o leitão apócrifo da Dona Gertrudes.

Restou inconcluso, contudo, em vista de trocentos carros vindo atrás de outros dois quebrados semi-estacionados no traçado, como o rebosteio não foi maior. 

CONSELHO TÉCNICO DELIBERATIVO 
F1 LITERÁRIA MEDIA CORPORATION 

Todo este trâmite acabou tomando mais tempo do que gostaríamos e, por isso, o leitão só sai agora, às portas do GP de Mônaco. Dona Gertrudes não está feliz, pois terá trabalho dobrado no final de semana. Suspeita ela, inclusive, que Stroll fará tanta lambança no principado que levará uns dois três suínos de uma vez. 


terça-feira, 4 de abril de 2017

Reclamemos, pois



Às vezes, quando quero tirar um cochilo meio fora de hora, uso como estratégia procurar no YouTube alguma corrida antiga, preferencialmente dos anos 80, com a narração inglesa do Murray Walker. Vejo a largada, as primeiras voltas e, geralmente, acordo já no quarto final do certame. 
"Herege! Como ousas falar coisas assim sobre a F-1 dos anos 80? Absurdo!". 
Não tenho certeza porque não vou assistir de novo esta corrida aí acima, mas dê uma olhada: nas voltas finais, apenas os dois líderes, Senna e Prost, estavam na mesma volta; Senna venceria, com Prost em segundo, mas o brasileiro ficou sem combustível, entregando o lugar mais alto do pódio de bandeja. Quanta emoção! 
Os carros eram, com efeito, infinitamente mais bonitos, os pilotos eram mais interessantes - vejam, na imagem congelada do vídeo, Keke Rosberg, o pai do Nico, dando uma tragada antes de sentar no seu bólido - e, especialmente, estavam menos amarrados à estupidez corporativa que toma conta de tudo hoje no esporte a motor. As corridas, no entanto, não eram tão mais interesses que aquelas que assistimos hoje. 
O GP da Austrália, primeira etapa da temporada 2017, reacendeu todas as luzes de alerta em relação à impossibilidade de que dois carros andem próximos o suficiente para que uma ultrapassagem ocorra; a consequência disto seria "falta de emoção" nas corridas. 
A tragédia já era anunciada. O movimento de resgate da F-1 da primeira década dos anos 2000 era um movimento de resgate da F-1 mais chata que a história já viu. Contudo, é preciso lembrar que a F-1 só é realmente chata para quem não tem lá grande interesse em corrida; por outro lado, ela só é efetivamente legal para quem realmente se interessa por corrida. A categoria, então, se coloca em uma posição incômoda de agradar um público altamente especializado, ao mesmo tempo em que procura atrair os olhos de novos entusiastas. Eis a dificuldade e a maluquice toda de regulamento após regulamento. 
A vitória da Ferrari e de Sebastian Vettel pelo menos criou a esperança de um campeonato disputado, ainda que as corridas em si sejam desinteressantes. 
Da minha parte, fosse chato ou não, eu assistiria tudo do mesmo jeito, e com o mesmo entusiasmo de sempre porque, justamente, gosto muito de corrida. Corridas espetaculares sempre foram exceção, assim como um jogo de futebol espetacular também é excepcional. A F-1, com qualquer regulamento, sempre proporcionará 16 a 20 corridas tão boas quanto um bom jogo de Copa de Mundo.
Então, minha reclamação é contra quem vive reclamando. Deixa de reclamar e aproveite enquanto a F-1 ainda existe com carros que têm motor e quatro rodas descobertas. 

sexta-feira, 24 de março de 2017

Poderíamos parar por aqui?

Começou! Mais morno do que esperávamos, dada toda a expectativa gerada pela mudança de regulamento e pelos testes, mas é ótimo ter a Fórmula 1 de volta. 
Nos testes, vimos a Mercedes andando milhões de quilômetros a mais que os outros - Ferrari incluída - e, hoje, vimos o Hamilton detonando a concorrência sem dificuldade, por mais de 0,5s. Vai fazer a pole amanhã de madrugada, vencer a corrida no domingo; ao final das vinte etapas, sagrar-se-á tetracampeão, aposentando-se a seguir. 
A Ferrari começará na frente da Red Bull, mas perderá terreno ao longo do ano e, na metade da temporada, Marchione estará ameaçando demitir meio mundo. 
Pois bem. Estão aí as minhas profecias; torço contro todas elas. Sou ótimo com profecias. Ano passado, escrevi isto aqui após os treinos livres para o GP da Austrália. Analise você, caro leitor, a acurácia da minha clarividência.