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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Como nunca antes visto

Quando começaram os rumores de que Hamilton iria para a Mercedes, pensei se tratar de mais um daqueles boatos que não se confirmam e de que a gente ri anos depois. Assistindo corridas antigas, com os narradores e comentaristas afirmando, por exemplo, que o Piquet iria para a Ferrari em 1992, paramos e pensamos "meu deus, de onde eles tiraram isso?" 
Desta vez, contudo, a boataria se confirmou, o Schuchu foi aposentado, o Hamilton foi mesmo para a Mercedes, mas a surpresa ficou com a ida do Perez para a McLaren. Apesar de nossas reservas por conta do episódio no GP da Malásia deste ano, o mexicano deve fazer boas corridas com a equipe de Woking. E, talvez, só tenha ultrapassado o Alonso em Monza porque já estava fechado com a McLaren e não precisava mais aparecer para o Montedemerdozemolo. 
Agora, só falta saber quem ocupará o lugar do Perez na Sauber. Poderia ser o novato Luiz Razzia? Ou o próprio Schuchu? Vai-se especular um monte a troco de nada, mas os jornais precisam de assunto. 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Terminal vermelho, amarelo, azul e cor-de-rosa

Corridas de carrinho são eventos estúpidos. A rigor, corridas de um modo geral, sobre automóveis ou não, são coisas estúpidas. De meninos que correm descalços ao redor da casa à Fórmula-1, o que muda é a quantidade de dinheiro que se gasta e o nível de mesquinhez dos envolvidos. O princípio, no entanto - tão lúdico quanto idiota -, é sempre o mesmo: correr muito só para ver quem chega primeiro.
Por muito tempo, nas competições automobilísticas, correu-se de um ponto para outro, em estradas que ligavam duas ou mais cidades. Até hoje, as competições de rally são assim: começa-se em A para terminar em B. Um moço atento dirige o carro e outro moço, mais atento ainda, indica as direções a serem seguidas. No fim, mesmo que não se tenha chegado na frente - e, ainda que não se tenha ido tão rápido -, passou-se por obstáculos e vias desconhecidas que foram descobertas e chegou-se ao ponto final.
Com o passar dos anos, as corridas passaram a ter o mesmo ponto de largada e chegada. As Mille Miglia italianas, por exemplo, eram corridas em estradas ligando duas cidades, Bréscia e Roma. Começava-se em um ponto, terminava-se no mesmo.
A evolução demandou que os carros passassem a ser confinados em circuitos fechados. Na maioria das competições, os pilotos e seus bólidos giram, giram e giram em torno da pista, partindo de um ponto para retornar ao mesmo no final. As Mil Milhas brasileiras, por exemplo, criadas à imagem e semelhança das italianas, giravam no antigo traçado de Interlagos. A distância era a mesma que os destemidos pilotos percorriam no velho continente, mas partia-se da charmosa reta entre o Café e a Curva 1, para retornar ao mesmo ponto mil milhas depois.
Na Fórmula-1, os certames são assim também. Parte-se do grid de largada, percorre-se mais ou menos 305km, para voltar ao mesmo para ali em seguida.
E aí a gente se pergunta: para quê isso? Qual o propósito de arriscar o próprio pescoço, deixar a mulher ou marido, filhos e filhas em pânico em casa, para sair de um ponto, girar, girar, girar, e voltar a ele, inevitavelmente? Quer dizer, corre-se, corre-se, corre-se para não sair do lugar.
Eu não saberia responder à pergunta. De verdade, eu não sei qual o propósito disso. Mas, se olharmos as expressões, os gestos, os abraços entre os homens que giram, giram, giram para lugar nenhum, e aqueles que os esperam no final de tudo, pode-se concluir que alguma coisa acontece naqueles trezentos e poucos quilômetros que dá sentido a tudo:







Vejam que esses indivíduos, acostumados ao ambiente de carnificina que abriga as competições automobilísticas, sempre envolvidos por graxa e truculentos barulhos de motores, não resistem e se rendem aos abraços, como se o ponto de chegada fosse diferente do ponto de partida, como se, no lugar da reta dos boxes, a vista depois da última curva fosse a do próprio paraíso.
Quem sabe não seja esse mesmo o propósito da vida: você parte de um ponto, gira, gira, gira, corre, corre, corre, para voltar ali e ter capacidade para se encantar de novo.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Veja só

Na busca pelo outro videozinho que ilustra o post abaixo pelos confins obscuros do mundo cibernético, encontrei esta coisinha aqui. Eu sou fã do Häkkinen, gosto do tributo e fico emocionado, mas esses caras foram além.
Aparentemente, após o primeiro título do finlandês, lançaram um CD que foi distribuído para o pessoal do fã-clube contendo esta cançãozinha, com direito a uma referência em alemão ao Sapateiro. Terrivelmente fantastisch! E tem também uma menção maldosa ao Damon Hill que parece provocação entre são paulinos e corinthianos e vice-versa.


Eis a letra:

Speeding around that endless ring
twenty odd cars go piping hot
The drivers are chasing but one thing
Each one giving his very best shot

Two hundred k an hour they fly
Tyres glued to the flaming track
It's a tooth for a tooth, an eye for an eye
If you get the lead, then you don't look back

Here he comes! Mika Mika Häkkinen!
This is the day of white and blue!
Donnerwetter Schumacher!
You have got us all wrong! We don't mean you

Who is the lawn mowing fella?
Could be mister Fisichella!
Or then he must be Damon Hill
Oh no! He's the one who's standing still

Mika goes to the pit to get more gas
He's got it now. We know he has
Out of the bend and down with the pedal!
He's gonna win the golden medal!