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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Auf Wiedersehen, Schuchu

Nota prévia : o texto a seguir começou a ser escrito no dia 26/11/2012, segunda-feira seguinte ao domingo em que tivemos a corrida que definiu o campeão mundial da última temporada. Não foi ao ar antes, pois estivemos empenhados na busca pelo vídeo que ilustra o post. Lembrava de tê-lo assistido, ainda enquanto pessoinha, em uma fita VHS da Folha de São Paulo que meu tio Pan deu de presente. Dois meses depois, encontramos o vídeo, editamos e cá está ele. Tudo para concluir que o retorno de Schumacher à F-1 foi um erro que Fangio não cometeria. 

O GP do Brasil de F-1 foi marcado pela segunda despedida do Schuchu, el sapatero. Não há muito o que dizer sobre a segunda passagem do alemão pela categoria, além daquilo que vimos na pista. Limito-me a resenhar aquilo que escreveram o Luiz Fernando Ramos e a Juliane Cerasoli: sua importância como desenvolvedor de carros é, agora, relativizada, pois a Mercedes não evoluiu nada nestes últimos três anos; uma F-1 mais "econômica", com limitação de testes, um regulamento que exige um piloto mais inteligente em relação a poupar pneus e o equipamento não fizeram bem para o melhor de todos os tempos; um companheiro de equipe não impedido de brigar o derrotou frequentemente, embora este ano o esbofeteamento tenha sido bem menor. 
É claro que o blogueiro oficial Flávio Gomes está lá, escrevendo, com seus incríveis jogos de retórica e com toda convicção, que o Schumacher só não foi melhor porque era um só (aliás, este tipo de polêmica sobre os dons do Schumacher é ótimo para eles lá, pois dá um ibope tremendo entre os indignados sennistas). Não concordo e nunca vou concordar - assim como ele nunca vai concordar que Schuchu não foi o melhor.
Talvez tenha faltado ao Schuchu uma sensibilidade que sobrava a outros pilotos, principalmente a este aqui, ó:

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O tricampeão dos tricampeões

Sebastian Vettel sagrou-se, neste domingo, o tricampeão mais jovem da história da F-1. Mais que isso, ele é apenas o terceiro piloto a conseguir três títulos consecutivos, depois do lendário Juan Manuel Fangio e Michael Schumacher. No entanto, é o primeiro a conquistar os três primeiros títulos em sequência.
A temporada foi emocionante, mas com uma boa dose de politicagem, o que não contribui, de forma alguma, para o espetáculo. Sem querer ser muito chato, como venho sendo ultimamente, a corrida de ontem foi uma pequena amostra de como as coisas funcionaram em 2012: Prima Dona "solicitou" pelo rádio um safety-car e foi atendido; a decisão de punir Hülkenberg foi tomada em tempo recorde e, claro, foi para beneficiar Alfonso, que herdaria o terceiro lugar para que Felipe Massa recebesse a ordem de abrir-lhe passagem (diga-se de passagem que não havia razões para a punição, já que, apesar de Nico ter arriscado, foi uma batida de corrida).
Mas Vettel foi espetacular em alguns momentos da temporada, soube aproveitar as oportunidades que teve e, ontem, sua recuperação após a batida da primeira volta foi fantástica. O alemão subiu de último para quinto em 5, 6 voltas. A Red Bull cometeu um erro estratégico - que pode ter sido decorrência do problema com rádio - de não colocar o pneu de chuva para o Vettel em sua segunda parada. Poucas voltas depois, ele teve de voltar para vestir os calçados corretos.
O ritmo de corrida do alemão na pista seca não era bom por causa dos danos causados no carro na batida da primeira volta. No entanto, no molhado, Vettel tinha os melhores tempos, desmentindo de forma vergonhosa o pessoal da emissora oficial, que insistiu o fim de semana todo que o piso molhado era melhor para el Alfonso. 
Sebastian consegue, aos 25 anos de idade, com apenas 101 GPs disputados, um feito incrível: entrar para a galeria dos tricampeões, ao lado dos fabulosos Ayrton Senna, Jackie Brabham, Jackie Stewart, Niki Lauda e Nelson Piquet. Com poucos anos de vida, já ao lado de algumas das maiores lendas do esporte, dá para arriscar dizer que nasce um multicampeão sem precedentes. Vettel pode correr, tranquilamente, por mais dez anos. Quantas glórias ainda o esperam? 
Em tempo, esclarecemos que este post deveria ter ido ao ar ontem, mas quisemos comemorar com um rango típico em homenagem ao campeão. 


sábado, 24 de novembro de 2012

Vamos ver...

Tenho medo do que pode acontecer amanhã na corrida. Alfonso tem procurado, de todas as formas, provocar Vettel, e, em uma recente declaração, disse que se lutasse contra Hamilton, seria impossível vencer - claramente, mais uma vez, procurando diminuir os méritos do piloto alemão. 
A F-1 adoraria ver a Ferrari campeã e ouvir a transmissão pela rede Globo é terrível, pois a torcida pela equipe do Banco é incrível - lembrando que o banco que patrocina a Ferrari é o mesmo que patrocina a transmissão global e tem um setor inteiro exclusivo no GP Brasil. 
Imediatamente após o fim do treino, o pai do blog me ligou ventilando a possibilidade de que Felipe Massa force um acidente com Vettel na primeira curva amanhã. Seria um papel ridículo e espero que nada disso ocorra. Afinal, Vettel fora da corrida não torna Alfonso automaticamente campeão. 
A chuva pode atrapalhar, eles insistem, mas Vettel anda muito na água, assim como a Prima Dona. 
Agora, é só sentar e esperar o anúncio de que Massa teve o lacre do seu copo d'água aberto e perderá cinco posições no grid... 

Com a cara na porta

No meu tempo, era possível, no fim de semana da F-1, chegar de manhã ao autódromo e comprar ingresso para aquela sessão de treinos em particular. Então, era legal, na sexta-feira de manhã, ir à bilheteria, comprar um ingresso que custasse menos de R$ 500,00 e passear nas arquibancadas até achar o melhor ponto para acompanhar o treino livre. 
Com "espírito de aventureiro", ontem, saí cedo de casa em direção ao autódromo, passei 1h40min no trânsito para descobrir, na bilheteria, que só é possível comprar o pacote de ingressos para os três dias de evento. Já que estamos em clima de "F-1 Jurídica", fica o toque para a organização (não cobro a consulta) de que esta conduta pode ser considerada abusiva em vista do Código de Defesa do Consumidor: 

"Art. 39: É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas: 

I - condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites equitativos;
(...)"

Ora, como consumidor, não posso ser obrigado, se quiser assistir a um treino livre, a pagar por todos os três dias de evento. Não há uma indissociabilidade inerente às sessões que se passam na sexta, sábado e domingo que justifique que se vendam os ingressos em conjunto. 
Aliás, os preços praticados para o público assistir a F-1 no Brasil já são, por si só, um abuso. O "assento" mais barato fica no Ponto G (setor G, para os menos íntimos) e o pacote para o fim de semana custou, neste ano, R$ 510. No G, não há cobertura, não há assentos marcados, a arquibancada é tubular, e a gente tem que lutar contra os gaúchos que dormem no autódromo e pegam os melhores lugares para os amiguinhos. O lugar decente mais barato é o F, que custou R$ 1.320. Fica próximo ao "S do Senna" e tem cobertura. 
Existem outras pistas de F-1 no mundo. Silverstone, por exemplo, que abrigou o primeiro GP da categoria em 1950. O ingresso mais caro para todos os dias de evento custará, em 2013, £ 430 - com o câmbio de hoje, R$ 1.441,79. Quer dizer, o ingresso mais fodão em Silverstone é quase equivalente a um dos nossos mais baratos. Parece absurdo, não? Se considerarmos o setor mais barato da pista inglesa, o "General Admission", cuja vista é da curva Stowe (isto é, uma vista fantástica), pode compensar mais ir para a Inglaterra ver o GP lá do que comprar um bom ingresso para Interlagos. 
Amo a pista paulistana e fico emocionado só de passar lá por perto. Infelizmente, o desrespeito ao consumidor no Brasil é patente, não só na F-1. É uma pena que os verdadeiros apaixonados pelo esporte sejam afastados do autódromo em favor daqueles que só querem ver e ser vistos. 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Eu me lembro muito bem, Don Alfonso

A "honestidade" da Ferrari após o rompimento do lacre do câmbio do Massinha tem sido muito destacada. O fato de eles terem roubado confessadamente, sem dizer mentirinhas que o câmbio estava quebrado ou coisa assim, coloca-os como os últimos bastiões do jogo limpo na F-1. Prima Dona, el Alfonso, deu declarações de que o roubo sincero da Ferrari "é pequeno perto de gente que faz o mapeamento do motor e ninguém se recorda". 
Mas eu me recordo, e minha lembrança é de que nenhum time foi punido pelo mapeamento do motor porque, ora, ora não havia qualquer punição prevista no regulamento. A ilicitude da conduta não ficou demonstrada, mas, para compensar, puniram o Vettel por um motivo estúpido qualquer np GP da Alemanha e a perseguição daquela manhã nos levou a crer que foi uma penalização premeditada.  
Dizer que a equipe é honesta, pois divulga suas mutretas, é o mesmo que dizer que o cônjuge que trai é honesto por contar ao outro da traição. Bullcrap. Ou, como diriam os italianos, cacca di manzo.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

No limite da esportividade

A Ferrari, mais uma vez, deu o ar da graça no GP dos EUA, realizando uma artimanha de esportividade, no mínimo, duvidosa. Na verdade, a decisão da equipe de romper o lacre da caixa de câmbio de Felipe Massa para que esse perdesse 5 posições no grid e a Prima Dona Afonsina largasse uma posição a frente, consequentemente, do lado limpo da pista, foi uma fraude ao regulamento. Com efeito, o jurista Paulo, em D. 1, 3, 29, aduz que contra legem facit, quid id facit, quod lex prohibet; in fraudem vero, qui salvis verbis legis sententiam eius circumvenit (age contra a lei aquele que faz o que ela proíbe; em fraude à lei age aquele que, respeitando o sentido de seus palavras, subverte (contorna) seu sentido). A Scuderia aproveitou-se do regulamento para subverter a ordem de largada estabelecida pelo treino de sábado. 
O Luiz Fernando Ramos relatou que o Massa ficou puto, e não poderia ser diferente. A Ferrari precisou fazer isso porque o seu piloto Alfonso não se garantiu em Austin. Na corrida que poderia decidir o título, o piloto tem que, pelo menos, andar mais que seu companheiro de equipe. O Kid colocou meio segundo no Webber; Afonso, ao contrário, tomou quase 0,4s do Massa. Aliás, a corrida do Massa foi muito melhor que a do Alfonso, com um ritmo mais consistente e ótimas ultrapassagens.
No entanto, o artifício ferrarista deu certo e ambos os carros no lado limpo da pista fizeram ótimas largadas, principalmente a Prima Dona, que praticamente garantiu o lugar no pódium após a primeira curva. No resto da corrida, só tratou de permanecer na pista em uma de suas atuações mais fracas no ano. Não conseguiu avistar o Hamilton e o Vettel nem de binóculo, enquanto observava pelo espelho a aproximação de um emputecido Felipe Massa.
Como bem escreveu o chefe da redação patriarcal do blog, o título do Afonso já tem uma manchinha - aliás, por todas as situações estranhas deste ano, várias manchinhas. E é uma pena que, em uma temporada que poderia ter sido tão bonita, tivéssemos estes episódios de pouca esportividade para coroar um campeão. 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Red Bull e Eli Gold

Então viram este vídeo abaixo e agora estão achando que a Red Bull tem um bico dianteiro flexível. Os comentários dos italianos, espanhóis e imbecis no YouTube são furiosos. É ridículo, o vídeo não mostra nada de conclusivo, como podemos notar:



O efeito pode ser por qualquer coisa, alguma sombra, a mão do mecânico, etc. Curiosamente, o vídeo não continua mostrando a nova asa a ser colocada no carro. Na continuidade do pit stop, não há qualquer sinal de flexibilidade na reposição do aparato.
Na minha opinião, a Red Bull pode fazer, em relação a este caso, o mesmo que o Eli Gold: baixar as calças para facilitar.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O domingo depois do sábado

Confesso que, no meio da tarde do último sábado, após saber da exclusão de Vettel do treino classificatório, quase fui às lágrimas e, com a voz pequena, exclamei que não assistiria ao GP de Abu Dhabi. 
Óbvio que não cumpri com a palavra e assisti a corrida toda com muito gosto. Ao contrário do que foi nas três primeiras edições - que também foram as três últimas -, o certame onde Judas perdeu os Emirados (plágio severo da ala patriarcal do blog) foi emocionante, cheio de ação e disputa. 
O destaque, sem dúvida, vai para ele que de gelo é. Este, sim, conseguiu um resultado muito acima do que o equipamento dá a entender que permite. Largou gelidamente bem, foi consistente enquanto estava em segundo e, no fim, aguentou firme a pressão da Prima Dona para conseguir o primeiro triunfo desde sua volta à Fórmula-1. 
Os que disputam o campeonato fizeram boas corridas, cada um na sua. Prima Dona fez bom progresso, saindo de sétimo para segundo e Kid, excelente progresso para sair de último, voltar para último, ter que devolver a posição ao Grosjean e, ainda, chegar ao pódium. Mérito de Newey? É o que dirão por aí, mas a performance de Webber deixa claro que não é bem assim. 
Duas corridas pela frente e a disputa está ótima. Tomara que a Red Bull faça a lição de casa para não deixar que erros estúpidos ocorram de novo. Quase puseram tudo a perder em Abu Dhabi. 
Pode ser só uma (má) impressão, mas desenha-se, nesta temporada, uma rivalidade entre o Kid e a Prima Dona que deve ser a tônica dos próximos anos na F-1. 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Com Sebastian, até que o mundo dê outra volta

A tônica do final da temporada será a disputa entre Sebastian Vettel e Fernando Alonso, a Prima Dona, pelo título mundial de 2012. Ambos lutam pelo tricampeonato e, mais que isso, ambos lutam para se tornar o tricampeão mais jovem da história, superando Ayrton Senna, que tinha 31 anos quando conquistou o certame no ano de 1991. 
Toda a grandiosa equipe do F-1 Literária torce, neste momento, por Vettel. Prima Dona é um cara nojento, a Ferrari é detestada por todos nós há séculos, o Vettel é um piloto mais limpo, menos mimadinho e mais talentoso - embora haja um consenso, hoje, de que Alonso é o melhor piloto do grid. 
O espanhol deu início a uma guerra psicológica, menosprezando a pilotagem Vettel, argumentando que o piloto da Red Bull só se destaca por causa da superioridade do equipamento. Nós sabemos que isso não é bem verdade, pois, se a Red Bull apresenta alguma efetiva superioridade, ela só é observada nos treinos classificatórios. Em corrida, a Ferrari está muito bem, e basta lembrar do ritmo de corrida na Índia para verificar que isso é verdade. 
Mas, enquanto vocifero contra a Prima Dona Alfonsina, uma lembrança não me deixa: houve um tempo em que a torci muito pelo Alonso porque era ele o homem que brigava com Schumacher e a Ferrari. É engraçado pensar que toda política e artimanhas que hoje se articulam em favor de Alfonso já estiveram contra ele. 
Em algum lugar do passado, já devo ter escrito sobre isso, mas não é demais lembrar. A temporada de 2006 foi a primeira última de Michael Schumacher, que anunciou, em Monza, que se aposentaria ao final do GP do Brasil daquele ano. 
Assim como ocorreu em 2012, em 2006, a Ferrari deu um jeito de proibir o grande diferencial da equipe Renault naquele ano: o tal amortecedor de massa. Afonso e Fisichella perderam desempenho, Schuchummy encostou no campeonato, e a gota d'água aconteceu no Grande Prêmio de Monza. No treino oficial, Alonso teve um pneu estourado, o que danificou alguns apêndices aerodinâmicos no seu carro (naquele tempo, os carros eram repletos de penduricalhos que ninguém sabia para quê serviam), foi para os boxes, trocou os pneus e voltou para pisto pouco a frente de Felipe Massa. O espanhol não podia abrir passagem, pois, se o fizesse, não teria tempo hábil de fazer uma volta lançada. Massa, após o treino, fez um papel ridículo, servindo aos interesses mafiosos da Ferrari e disse que foi bloqueado por Alonso em sua última volta rápida.  Por conta disso, Alonso foi punido com a perda de posições no grid e, durante a corrida, teve o motor quebrado. O GP foi vencido por Schuchummy, que na entrevista após a bandeirada anunciou sua aposentadoria. Tudo perfeitamente conforme o planejado, como quiseram os homens de vermelho. 
O absurdo da situação fica claro neste vídeo, contendo a entrevista de Afonso e a situação dele e Massa na pista: 



De lá para cá, o mundo girou e mudou. Hoje, Alonso é o homem da Ferrari, e as forças ocultas a favor dele conspiram. Claro que isso gera frustração no torcedor e, quem sabe, toda bronca que nutrimos hoje contra Afonso seja potencializada por este e outros episódios em que ele foi a vítima.
Como já dissemos, hoje, estamos com Vettel, esperando que ele se mantenha íntegro, na medida do possível, dentro deste ambiente tóxico da F-1. Mas, a verdade é que não se pode esperar que a integridade de um homem dure até o fim da temporada.  

domingo, 28 de outubro de 2012

O novo Alain Prost

Creio que a ala patriarcal do blog tenha feito uma comparação interessante, neste post aqui, ao relacionar o mimimi do mimadinho Alfosino com o mimimi do mimadão Alain Prost.
A comparação, no entanto, pode se estendida para além das reclamações de ambos em relação ao  desenvolvimento do carro proporcionado pela equipe Ferrari ao longo da temporada. Afonso e Prost são pilotos muito parecidos, tanto dentro quanto fora da pista. 
Assim como seu antecessor francês, Prima Dona é um piloto cerebral, arrisca na medida certa, não deixa escapar qualquer oportunidade de pontuar, tem uma regularidade incrível e uma visão especial de todos os aspectos de uma corrida. Por outro lado, em termos de classificação, ambos são pilotos apenas ok
Mas as semelhanças estão, também, fora das pistas. Prost era, assim como Afonso é, um piloto mesquinho, que nunca admitia seus erros e a culpa por suas derrotas. No combate ao seu arquirrival Ayrton Senna, o francês utilizou-se de todas as manobras políticas possíveis, aproveitando-se do contato pessoal que tinha com o então presidente da FIA, nosso eterno amor, Jean-Marie Ballestre. No vídeo abaixo, Senna atesta os mimimis prostitutos:


Alfonso também usa bem o jogo político da F-1, aproveitando-se da força da Ferrari nos bastidores. No último sábado, após tomar um couro de Sebastian Vettel no treino classificatório para o GP da Índia, Prima Dona disparou que sua briga não é contra o piloto alemão, mas contra o projetista Adrian Newey. 
Foi uma declaração pensada, daquelas que não são ditas por conta do calor do momento, mas para desestabilizar o adversário, bem ao estilo que Prost fazia contra Senna e que lhe rendeu bons frutos até o brasileiro aprender a por a cabeça no lugar. 
O objetivo mediato do espanhol foi o de colocar as autoridades que trabalham a favor dos mafiosos de vermelho de prontidão: foi um recado do tipo "vocês precisam fazer alguma coisa para que este cara não consiga largar na frente". Ao longo desta temporada, já se reclamou do tal mapeamento do motor e este foi proibido; já puniram o Vettel por razões pouco justificadas e, mesmo assim, Vettel e a Red Bull não deixaram de incomodar a Ferrari e o principal banco da F-1. 
A premissa do discurso de Alonso é que a Ferrari não é um carro bom o suficiente para competir com o time dos energéticos. Pura balela. A Ferrari pode não ser tão rápida - ou Alonso pode não ser tão bom - em classificação, mas o ritmo de corrida dos dois carros é muito parecido. Se Afonso conseguisse largar mais à frente, daria muitos problemas para Vettel e Webber. Aliás, a superioridade na corrida de hoje em relação aos carros da McLaren e da Red Bull de Webber demonstram isso. Massa não pode acompanhar  porque pilota a Ferrari do Massa e não a do Alonso, e teve, desde muito cedo, problemas com consumo de combustível. 
Afonso também afirmou que luta "contra um exército". Quase chorei de pena do espanhol. É uma grande bobagem lançada aos desavisados. A Ferrari tem uma estrutura imensa e bem preparada, gasta mais dinheiro que o banco que a banca, além de ficar com uma gorda fatia dos lucros da F-1, só por ser a Ferrari, conforme levantamento acurado feito pela Julianne Cerasoli.
Enfim, Prima Dona parece ter aprendido bem as lições do professor Prost, tanto no que se refere a pilotagem, quanto na sujeira atirada contra os adversários por meio das declarações aos jornalistas. 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A cartilha

Narradores e comentaristas de competições esportivas, seja no rádio ou na TV, tem como missão, além de transmitir informações a respeito do evento, tornar um esporte, às vezes difícil de ser entendido, em algo que possa ser apreciado e digerido pelo público em geral. 
Não é tão fácil cumprir esta missão com o automobilismo. Embora os carros e capacetes coloridos, a alta velocidade, o perigo inerente à competição sejam atrativos naturais, não é um esporte fácil de fazer com que as pessoas se sintam nele insertas. Um jogo de futebol e uma luta de pancadaria são mais fáceis de sensibilizar o público: não há tanta dificuldade em sentir empatia por quem aplica ou recebe um golpe, ou marca ou defende um gol. 
Corridas de carros são mais difíceis de entender, precisam-se de setecentas câmeras para captar a pista toda e, principalmente, as reações do carro e do piloto não são necessariamente visíveis a olho nu. Este é um ponto complicado: se o jogador se esforça, corre mais que os outros, todos podem ver isso, sem dificuldade; se um cara apanha, apanha, apanha, mas não desiste, isso é um feito digno de nota e fácil de ser detectado pelo público; se o Usain Bolt corre pra cacete e chega muito antes dos outros, a gente pode falar do tênis, que a roupa é mais leve, etc, mas não interessa: o cara correu sozinho até a linha de chegada. Por isso, estes esportes tem uma face mais humana que pode faltar ao automobilismo. 
Assim, as transmissões aqui no Brasil - onde falta uma cultura automobilística, como se costuma dizer por ali e por aqui - tem fórmulas para suprir estas "deficiências" do esporte a motor. 
A primeira dificuldade é o próprio carro e o peso que tem no sucesso de um piloto. É comum ouvirmos a pergunta "o que conta mais? O carro ou o piloto?". Todos queremos crer que o piloto, o fator humano da competição, conta mais que fator mecânico, o carro. Explicar todos os aspectos da interação carro/piloto não é algo fácil de fazer, então, para encurtar o caminho até a humanização do esporte, elege-se um carro, uma equipe, e um piloto que fará as vezes de super humano a bater o poderio das máquinas. 
Vamos lembrar: as competições entre Schumacher e Hill, Schumacher e Villeneuve, Schumacher e Häkkinen e etc., nunca foram vistas como embates de pilotos, ou embate entre Ferrari contra Williams e McLarens. Ao contrário, sempre foi passada a imagem de que se tratava do talento de Schumacher contra a tecnologia mais avançada das demais equipes. Hoje em dia, o eleito como talentoso é, não coincidentemente o também piloto da Ferrari, Fernando Alfonso, a Prima Dona. 
A falsidade deste dado é evidente se olhamos o orçamento da Ferrari, a quantidade de testes que realizavam, principalmente na era Schumacher e os privilégios políticos que a equipe italiana tem e sempre teve. Mas precisamos de um herói humanizado e, temos assim, de tempos em tempos, algum eleito. 
Quando Vettel faz uma pole incrível, ele "mostra a força do carro Red Bull". Quando Alfonso, a Prima Dona, é avistado abrindo a porta do banheiro para se aliviar antes da corrida, é porque "tem mil coelhos na cartola". Do mesmo modo, quando o Häkkinen botava todo mundo no bolso, a McLaren tinha um carro incrível; se o Schumacher andasse bem, era por causa da superioridade de sua pilotagem. 
Mas, vejam só, o Schumacher voltou sem a Ferrari, sem um super carro, sem um companheiro de equipe capacho e não fez absolutamente nada em três anos. Como eu explico isso? Havia tanta babação em torno do talento infindável do nobre alemão que, agora, ficamos todos com cara de tacho ante suas medíocres performances. Ah, mas ele está se divertindo! Não precisa ganhar mais nada, já ganhou tudo e, agora, está se divertindo - não é o que ouvimos todas as vezes que alemão-mor aparece milagrosamente conseguindo manter o carro na pista? É uma mais uma frase pronta repetida à exaustão nos fins de semana de Fórmula-1. 
Essas fórmulas, que soam como grandes besteiras para quem acompanha corridas há duzentos anos, devem ter o mesmo efeito naqueles que narram e comentam as corridas pela emissora oficial. Eles sabem o que estão fazendo e tem consciência que não necessariamente o que dizem é verdade. Mas são fórmulas que procuram vender um produto a quem não acompanha ou não entende o esporte. É como um requintado prato de comida que provoca estranheza em quem vai, pela primeira vez, experimentar: aquilo pode ser uma maravilha para o paladar mais preparado, mas, para aliviar a descrença no sabor, eu posso jogar queijo por cima. E é isso que eles fazem: jogam queijo em um prato maravilhoso. 

domingo, 7 de outubro de 2012

Podia ser melhor?

Já faz algumas provas que arrisco, ao melhor estilo mãe Diná, uma previsão (que, na verdade, é só torcida) de resultado para a corrida: "hoje, o Alonso bate na primeira curva e o Vettel vence". A destinatária desses absurdos, a esta altura, apenas ouve resignada. 
Hoje, a torcida deu certinho. Afonso barbeirou logo de saída e o Sebastião mostrou e chacoalhou como nos velhos tempos. Se não arrumarem uma razão qualquer para desclassificar o alemão, voltamos amanhã com mais comentários. 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Como nunca antes visto

Quando começaram os rumores de que Hamilton iria para a Mercedes, pensei se tratar de mais um daqueles boatos que não se confirmam e de que a gente ri anos depois. Assistindo corridas antigas, com os narradores e comentaristas afirmando, por exemplo, que o Piquet iria para a Ferrari em 1992, paramos e pensamos "meu deus, de onde eles tiraram isso?" 
Desta vez, contudo, a boataria se confirmou, o Schuchu foi aposentado, o Hamilton foi mesmo para a Mercedes, mas a surpresa ficou com a ida do Perez para a McLaren. Apesar de nossas reservas por conta do episódio no GP da Malásia deste ano, o mexicano deve fazer boas corridas com a equipe de Woking. E, talvez, só tenha ultrapassado o Alonso em Monza porque já estava fechado com a McLaren e não precisava mais aparecer para o Montedemerdozemolo. 
Agora, só falta saber quem ocupará o lugar do Perez na Sauber. Poderia ser o novato Luiz Razzia? Ou o próprio Schuchu? Vai-se especular um monte a troco de nada, mas os jornais precisam de assunto. 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Não sou só eu

Após o GP de Monza, tem gente achando as decisões tomadas pelos comissários nas corridas de F-1 e GP2 muito estranhas. Vejam só o que escreveu o glorioso Ico - que, a propósito, é grande admirador da Prima Dona Alfonsina. O texto está aqui.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Antes de Spa...

... vamos voltar um pouquinho no tempo e tentar entender o que está acontecendo nesta temporada.
Meu querido pai já falou de toda falcatrua do GP da Europa: o safety car quando não precisava, o não-safety car quando precisava e um espanhol venceu na Espanha para alegria do Santander. Mas também no GP da Alemanha a coisa ficou esquisita.
Primeiro, antes do início da corrida, tentaram punir a Red Bull por qualquer coisa referente ao mapeamento do motor. Não conseguiram porque o regulamento não previa qualquer punição para este tipo de conduta. Esse é o primeiro caso na história de todo direito desportivo e não desportivo que uma conduta tida como ilícita não tem qualquer punição prevista. Ora, ora...
Durante a corrida, após a encrenca da largada, havia muito mais detritos na pista do que aqueles que provocaram a bandeira amarela em Valência. Por que o safety car não foi acionado? Porque a Prima Dona Alfonsina estava na frente e não se queria atrapalhar isso. A diferença de critérios nas escolhas dos comissários diz respeito, unicamente, à posição da Ferrari de Alonso na pista.
Mas o pior ficaria para a última volta, quando Vettel tentou uma manobra de ultrapassagem sobre Button no hairpin. Não havia espaço dentro da pista, então o alemão ganhou a posição utilizando a área de escape da pista.


Assim como o Luizão progenitor, também sou contra essas áreas de escape que possibilitam ao piloto voltar para a pista e, de quebra, até ganhar tempo em relação aos demais competidores. Mas elas estão lá, e são utilizadas o tempo todo em disputas de posição sem que haja punições. De cabeça, lembrei desses dois casos, cujas imagens seguem abaixo. A primeira das disputas ocorreu em 2005, entre Juan Pablo Montoya e Kimi Raikkönen, no mesmo ponto em que se deu a disputa entre Vettel e Button. Embora fosse uma situação diferente, Montoya utilizou-se da área de escape e conseguiu a ultrapassagem sobre Kimi.



A batalha abaixo é ainda mais interessante. Passou-se entre Robert Kubica e Felipe Massa na última volta do GP do Japão, realizado em Fuji, em 2007. Reparem que ambos os pilotos vão para fora da pista o tempo todo e que a manobra final de Massa, consolidando a ultrapassagem, se dá por fora da pista, na entrada da reta de chegada.



Não houve punição para o Montoya e nem para o Massa, mas houve para Vettel. Não é ilógico pensar que a punição ao alemão foi premeditada. Não conseguiram desclassificar a Red Bull por conta do mapeamento dos motores, mas procuraram algo na corrida de Vettel que justificasse uma punição. 
Sem dúvidas, Alfonso está fazendo uma excelente temporada, apresentando uma consistência significativa, que tem faltado aos demais postulantes ao título. O campeonato é muito equilibrado e os pontos estão pulverizados entre muitos pilotos. Assim, Alonso, que não desperdiça nenhum pontinho, vai despontando rumo ao tri. Todavia, não precisava ser desta forma. Quero dizer, a Prima Dona - justamente, por ser Prima Dona - não precisaria de um campeonato de cartas marcadas por troféus em forma de bosta. 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

GP da Europa

O GP da Europa é, usualmente, utilizado como subterfúgio para que algum país europeu - normalmente, aquele de onde provém mais pecúnia - sedie dois grandes prêmios por ano. Atualmente, é a Espanha a privilegiada (ou onerada). Engraçado que, ainda hoje, a maior parte das corridas se passa na Europa e, mesmo assim, tem-se um GP da Europa...
Fato é que esse GP é itinerante, já aconteceu em Brands Hatch, Nürburgring, Jerez de la Frontera, Donington Park e em Valência. Este último circuito talvez seja, de todos por quê passou o GP da Europa, o mais criticado por proporcionar corridas pouco emocionantes. Pessoalmente, acho a pista divertida porque, apesar de ser um circuito de rua, o traçado contém trechos de alta velocidade combinados com freadas fortes que exigem perícia.
No entanto, um dos GPs da Europa mais marcantes - pelo menos, para mim - foi o de 1999, ocorrido em Nürburgring. Aquela corrida teve de tudo: uma largada que não aconteceu, capotagem, seco, chuva, seco, 708 líderes diferentes e a improvável vitória de Johnny Herbert, com Jarno Trulli em segundo lugar, seguido por Rubens Barrichello.
Infelizmente, o único "resumão" da corrida tem musiquinha (é sempre desagradável esses vídeos de corrida com musiquinhas ao fundo. Não sei para quê fazer isso), mas vale a pena.
Em seguida, o vídeo da primeira largada, em que ocorreu o acidente de Pedro Paulo Diniz, com a narração em alemão, que faz tudo ser mais difícil de compreender.

domingo, 10 de junho de 2012

Recordando

O GP do Canadá normalmente é um dos mais legais do ano. Agora há pouco, enquanto procurava alguma coisa para escrever sobre a corrida de amanhã - a pole do Vettel, o Massa descontente, a Prima Donna -, lembrei do GP canadense de 1995, a única vitória do francês Jean Alesi na F-1, com as duas Jordans, de Barrichello e Irvine, uma semana atrás em segundo e terceiro. Era o 31º aniversário de Alesi. Vale a recordação. 

(O vídeo bom com o resumo da corrida é este aqui, mas a ferramenta de incorporação não está disponível, motivo por quê colocamos aqui, mais uma vez o link. Para os demais integrantes da equipe do F-1 Literária, para colocar o link em alguma das palavras do corpo de texto, basta selecionar a respectiva palavra, como mostra a figura abaixo:


Em seguida, clica-se no botão "link" na barra de ferramentas logo acima do editor de textos:


Aparecerá a caixa de diálogo. Basta inserir o endereço desejado e você terá, de forma rápida e indolor, um link incorporado ao seu corpo de texto:


Com isso, fecha-se o parêntese e a lavação de roupa suja online iniciada pelo pai do blog aqui. Rá!) 

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Balanço geral

Eu estou impressionado com a rapidez com que passou o primeiro semestre. Na verdade, o mês de maio passou muito devagar, mas o resto voou. Parece que ainda estamos lá no começo do ano, na última semana de janeiro ou na segunda, terceira, de fevereiro. 
Fato é que cinco meses já ficaram para trás, a Fórmula-1 teve seis etapas com seis vencedores diferentes, sendo que dois deles - Nico Rosberg e Pastor Maldonado - tiveram suas primeiras vitórias na categoria.
O Campeonato Mundial de Kart da Maria Paula anda sofrendo com a crise financeira européia. Na última etapa, inclusive, teve kart atolado na brita e outro quebrado: o motor morria nas freadas (!). A falta de patrocínios tem preocupado os participantes - ou, pelo menos, tem preocupado um deles, pois um dos anunciantes não honrou seu compromisso alegando falta de resultados nas pistas ou fóruns. 
De um jeito ou de outro, o mundo fora do automobilismo continua girando e, agora, a Livraria Cultura vende discos em vinil. Ganhei o último disco do Paul McCartney em vinil. Pelo que entendi, daria para comprar uns setenta CDs com o preço do disco e o agente presenteador teve que explicar setenta vezes qual a razão de não comprar o CD, que custa setenta vezes menos. 
E o mundo girou tanto que o dr. Marcos (lembram dele?) disse que eu não preciso ir mais. Vejam só, estou de alta. Sinto-me a pessoa mais equilibrada do mundo. Só não queiram que eu tome chá que vem sem a cordinha para tirar o sachê de dentro da caneca. Como alguém fabrica chá sem cordinha no saquinho? É impossível viver em paz deste jeito. Fora isso, o equilíbrio é pleno e absoluto. 
O Henrique, meu sobrinho, agora já é um homenzinho que consegue até abrir os olhinhos. Pode começar a andar de kart com o tio. Daqui um ano e meio, deverá ir ao Café Piu-Piu assistir ZoomBeatles e iniciar as leituras do Tratado das ações do Pontes de Miranda. 
Ando estudando direito internacional - que, na verdade, é um subramo do direito que nem existe - com afinco e paixão, a ponto de, num dia desses, passar mais de quarenta minutos lendo sobre direito da guerra em voz alta no trânsito paulistano. 
Enfim, os carrinhos giram nas pistas, os discos giram na vitrola e o mundo gira por aí, a gente se transforma, recebe alta, um semestre passa num instante e já é quase inverno de novo - como era quase inverno há um ano atrás. Só que, agora, entre um quase inverno e outro, não existe mais um ano de separação. 

sábado, 26 de maio de 2012

Nem brinca!

Questionado sobre suas possibilidades na corrida do próximo domingo, Schumacher disse que seria sexto no grid e que venceria a corrida. A graça está no fato de que o alemão-mor foi penalizado com a perda de cinco posições no grid devido à batida em Bruno Senna no GP da Espanha. Largar em sexto significaria, portanto, que ele teria feito o melhor tempo. A primeira parte foi cumprida, e o sapateiro sairá do sexto posto depois de ser o mais rápido no treino classificatório de agora há pouco. Só resta, para nós, rezar para que ele tenha errado a segunda parte do prognóstico. 


domingo, 1 de abril de 2012

México Lindo

Há séculos atrás, existia o GP do México de Fórmula-1 que ocorria no onduladíssimo traçado do autódromo Hermanos Rodriguez. Os hermanos em questão são Pedro e Ricardo Rodriguez - ambos, obviamente, mexicanos -, que competiram na F-1 com destaque nas décadas de 60 e 70.
A última vitória de um mexicano na história da F-1 foi, justamente, de Pedro Rodriguez, no GP da Bélgica de 1970.
No entanto, de lá para cá, a maior contribuição do México para o automobilismo foi o referido autódromo.


O traçado, encrustrado na cidade, tinha uma das mais belas curvas da F-1 (com um dos melhores nomes de curva também): a lendária Peraltada.
A curva, que levava à reta de chegada, tinha uma leve inclinação e era contornada com velocidade incrivelmente alta. Alguns belos momentos da história das corridas foram protagonizados ali:



Houve, também, momentos perigosos:


Alguns eventos inusitados aconteceram no GP do México, como a dor de barriga de Riccardo Patrese, em 1991 - o italiano, apesar dos incômodos no aparelho digestivo, venceu o certame; em 1986, Nigel Mansell também teve caganeira, mas na hora da largada: o inglês não conseguiu arrancar no momento do sinal verde e perdeu pontos importantes que lhe custariam o título daquela temporada.
É comum que associemos México àqueles dramalhões que o SBT passa no fim da tarde, como Maria do Bairro, e coisas assim. A própria história dos irmãos que dão nome ao circuito comprova que uma dose exagerada de emoção é própria da genética deste povo: ambos morreram na pista, pilotando.
A primeira vitória de Gerhard Berger na F-1, ocorrida no GP do México de 1986, teve um desfecho digno de novela. Ninguém sabia ao certo se o austríaco teria que parar ou não para botar borracha nova em seu Benetton. No fim, venceu por não parar para a troca e por conta dos problemas com Johanson e Patrese.




No último domingo, no GP da Malásia, o México voltou a ser o centro das atenções automobilísticas quando Sérgio Perez perseguiu implacavelmente Fernando Alonso, tirando 1,5s por volta, até receber o fatídico aviso pelo rádio de que deveria ter cuidado ao tentar a vitória. O mundo inteiro querendo ver o menino acabar com a Prima Dona e o merda do engenheiro pedindo cuidado. Que cuidado? O sujeito estava 1,5s por volta mais rápido, passar, nessas circunstâncias, é só questão de ter calma.
Depois de que um cara aí se esborrachou no muro para a Prima Dona ganhar o GP de Cingapura de 2008, eu não duvido de mais nada e não é absurdo pensar que a escapadinha do Perez no fim da corrida foi calculada para não ameaçar mais o mimadinho da mamã Ferrari. Todo mundo ventilou a hipótese de armação. O Luís Fernando Ramos, que entende do riscado, disse que não foi, não. Seja como for, ficou uma coisa estranha no ar.
Tudo indica que o mexicano substituirá Felipe Massa no próximo ano na equipe italiana. É uma pena. Servirá de escudeiro da Prima Dona e, caso o espanhol seja campeão por antecipação, poderá brigar por uma duas vitórias por ano como concessão da equipe e do Banco Santander pelos bons serviços de escudeiro prestados ao longo da temporada.
Assim, o resultado do GP da Malásio pode ter sido triste, na medida que pode significar que o Perez já sucumbiu aos mandos e desmandos dos homens de vermelho. Por outro lado, podemos pensar que, pelas mãos e pés do piloto, o México voltou ao cenário automobilístico e que o país, com suas paixões escabrosas e absurdas, continuará lindo, lindo.