domingo, 4 de outubro de 2009

Acaba em... Abu Dabi?

Com um breve lançar de olhos sobre o desempenho de carros e pilotos na corrida de hoje, pode-se notar que algo interessante pode acontecer com o campeonato nas duas últimas provas.
Os carros da Brawn não têm ritmo para andar na frente - pelo menos foi assim em Cingapura e Japão - e, continuando assim em Interlagos e Abu Dabi, Barrichello tende a perder o vice-campeonato para Vettel, que voou hoje. Quer dizer, aquele que tem sido apontado como o principal rival do inglês na briga pelo título pode até perder o segundo lugar.
É interessante que, se as coisas caminharem em São Paulo como caminharam em Suzuka, pode ser que o título chegue ainda em aberto a Abu Dabi, mas com Barrichello fora da disputa; Vettel pode vir a ser o adversário de Button na corrida final.
São apenas suposições, mas é o que os rendimentos dos carros têm demonstrado.
Na verdade, a minha torcida é para que Rubens possa vencer em casa, depois de tantos anos tentando. Ainda que Button consiga encerrar a disputa pelo título por aqui, uma vitória de Barrichello seria muito bonita para a torcida. Mas, infelizmente, não é essa a tendência. Tomara que eu esteja enganado.

Um passo para o paraíso


Com o resultado do GP do Japão, Jenson Button está muito perto do título. Ou melhor, muito perto ele já estava desde o GP da Turquia, quando ganhou sua sexta corrida na temporada. Agora, é só questão de confirmar matematicamente, o que pode acontecer no próxima corrida, no Brasil.
Mas o vencedor do dia foi Sebastian Vettel. Corrida perfeita, sem nenhum erro e andando muito, muito rápido, sem qualquer chance para ninguém. Tanto que nem mesmo um pequeno atraso em seu pit stop foi uma ameaça a sua vitória.
Vettel é genial, mas ainda muito inconstante. Quando começar a emendar bons resultados, estará pronto para ser campeão e, aí, ninguém segura mais. Sim, pode ser campeão ainda este ano, mas está bem difícil. Lembrando que ele só tem 22 anos...
Trulli foi fantástico, conseguindo um excelente segundo lugar "em casa" para a Toyota. Glock também havia ido muito bem em Cingapura, chegando também em segundo. O time japonês, de repente, passou a ser competitivo.
Hamilton ficou em terceiro, mais uma vez colocando a McLaren no pelotão da frente, apagando, definitivamente, a má fase do começo da temporada.
E Rubens Barrichello? Bom, para mim, qualquer chance de título, que já era pequena, foi para o espaço em Cingapura, quando Button marcou um ponto a mais que o brasileiro, terminando a ótima série de Rubens chegando a frente de Jenson.
O sétimo lugar de hoje foi o que deu para fazer. Barrichello perdeu muito ritmo após o primeiro pit stop, e não foi possível detectar qual a razão. Problema no carro? Problema de pneus? Mesmo depois, com o combustível mais baixo e pneus moles, não houve significativa melhora. De todo modo, foi importante chegar a frente de Button.
O inglês, aliás, fez uma boa corrida, com uma bela ultrapassagem sobre Robert Kubica e um ritmo consistente para chegar a ameaçar Barrichello pela sétima posição. Digo, ritmo consistente, considerando um carro mediano. Ainda contou com a sorte de o afobado Sutil ter encontrado Kovalainen no caminho, abrindo caminho para Jenson pular do décimo para o oitavo lugar, com pista limpa para fazer bons tempos antes do primeiro pit stop.
No mais, destaque para o bom final de semana de Heidfeld - com Kubica de malas prontas, só dá Alemanha dentro da BMW -, de Rosberg, com uma corrida interessante para chegar em quinto, e para o, por hora desempregado, Kimi Raikkönen, quarto colocado e ainda ameaçando Mark Webber pela quarta colocação no mundial, apenas 6,5 pontos atrás do australiano.

(Fonte da foto: National Post)

sábado, 3 de outubro de 2009

PESOS

Vendo os pesos dos carros e, mesmo a considerar a maluquice que foram os treinos, Vettel é o cara.
De interessante, a gordura do Kubiquinho e do Rosbife. Podem aprontar alguma.
Para encerrar a passagem do Raikonem pela Ferrari deixou um gosto de "quero mais". Ele é muito bom, quase tão bom quanto o Dick II - A Missão mas, não conseguiu render tudo o que podia em função desta merda vermelha que é a administração ferrarista. Nisto eles se equiparam à Renault dos tempos britadores: gostam de moer carne.
Esquecem que o melhor da F1 é a curtição dentro das pistas.
Coisas do futebol.
Espero que o Kimi continue na F1 com um bom carro para que a gente continue admirando a maneira raikoneana de gerir as corridas: pé embaixo e banana para o resto

AMARELO

Neste fim de semana assisto ao GP do zapón sozinho. Portanto, os xingamentos são por telepatia, mas os gestos......
Enfim, o primeiro treino oficial foi um festival de amarelas e vermelhas. Todo mundo procurando emprego e pisando no da direita como nunca pisaram no ano inteiro. Resultado: porradas. Como sou adepto da teoria da conspiração, sempre lembro ao meu "patrão" aqui do blog que os pilotos não aceleram tudo o que podem (principalmente nos treinos) porque não há mais aquelas estampadas de muro como antigamente.
Mas, este seria um tema para outro post.
O que eu queria dizer que me solidarizo com o bueno chato quando ele se diz arrepiado com as bráu que só foram para a pista nos últimos suspiros.
Pois deu no que deu. Quando eu vi o rubim desviando das cacas deixadas por algum carro (o que aliás foi ignorado pelo bueno que só comentou a caca quando o leme deu a dica)fiquei "telepatiando" uns palavrões que não vou reproduzir aqui.
Era evidente que as punições por não tirar o pé em bandeira amarela viriam. Pelo menos foram para os dois da bráu. Outros foram punidos e o GP lá no zapon promete não dar sono.
Lembrando que os meninos foram punidos porque não correm de Ferrari.
O Dick Vigarista já fez tempo com bandeira amarela e fizeram o diabo para não puni-lo.
Coisas do futebol......
Depois eu volto.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A Trinca

E a Prima Donna Fernando Alonso foi finalmente anunciado na Ferrari! Depois de muita especulação, os rumores foram confirmados e o asturiano vai vestir vermelho pelos próximos anos, no lugar de Kimi Raikkönen.
Vai ser interessante ver ele e Massa disputando dentro da mesma equipe. Se tiverem um tratamento razoavelmente igualitário, o circo tende a pegar fogo.
Massa tem prestígio na Ferrari; Alonso foi contratado a peso de ouro e traz consigo muito gente competente e de sua confiança. É esperar para ver.
A Prima Donna é um piloto forte dentro e fora das pistas, assim como era Michael Schumacher. Alonso, todavia, tende a ter uma vantagem: na época de Schumacher, o doende vermelho Jean Todt mandava só na Ferrari; nos tempos de Alonso, a tendência é que ele passe a mandar em toda a FIA. Se o francês dando ordens aos homens de Maranello fez a trinca Schumacher-Ferrari-Todt destruir toda a concorrência, imagine agora, mandando em toda Fórmula-1, o que a trinca Alonso-Ferrari-Todt não vai conseguir fazer?
Sim, estou sarcasticamente insinuando que coisas obscuras aconteceram (e acontecerão).

Parada definitiva

(Uma imagem vale mais que mil palavras?)

Nossa, vocês viram que o Briatore foi excluído de qualquer categoria da FIA? Pois é, o blog está mais atrasado que o Badoer, mas essa não pode passar em branco.
Briatore foi excluído e ainda não sei o que acho disso. Só sei que a pena para Pat Symonds deveria ter sido igual: os dois suspensos por 5 anos, ou os dois excluídos. Também não me agradou muito a imunidade dada a Nelsinho e muito menos o fato de a vitória não ter ficado com Nico Rosberg.
Com relação a Symonds, enquanto escrevo tenho em mãos uma revista F1Racing de agosto de 2007 em que o engenheiro desmente alegações de irregularidades no carro Benetton de 1994 e 1995. Quer dizer, ele trabalhou com Briatore em outros episódios suspeitos e, ao contrário do italiano, que é um comerciante que abriu uma lojinha na Fórmula-1, Symonds tem conhecimentos técnicos do esporte, uma longa carreira dentro das garagens e, por isso mesmo, deveria estar mais ciente da bobagem que estava fazendo.
E o Piquetzão falou que prefere perder a ter que trapacear. Gozado, mas eu me lembro de um carro Brabham com reservatórios de água enchidos na hora da pesagem e esvaziados na hora de correr, para que ficassem mais leves. Questão de interpretação de regulamento? Pode ser.
Mas gasolina adulterada, utilizada pelo tricampeão - e ele mesmo confirma - é trapaça. Gosto muito do Piquetzão, mas essa acho que não colou.
Pior de tudo é o Piquetzinho, que ajudou na maracutaia - sabe-se lá sob que condições - e não levou um troféu sequer para casa depois disso.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

SUPETÃO

Assim de supetão: o piquetezinho só corre de F1 se comprar uma equipe. Tem mais. Qualquer coisa que faça na pista vai ser colocada em dúvida. Em qualquer categoria.
Outra. Passaram a mão na cabecinha da Renault. Tipo, mamãe falando "ó fi. Da próxima vez vou te colocar de castigo."
Já assisti este filme.

domingo, 20 de setembro de 2009

Uma parada

Se invés de um blog eu escrevesse uma revista, provavelmente só agora estaríamos chegando aos comentários sobre o GP de Monza. Então, vamos fingir que ainda não operou a preclusão temporal.
De todo modo, comentar a corrida em si, depois de tanto tempo, não faz mais sentido. Já se viu e leu tudo a respeito. Apenas ressalto que me surpreendi com a tática de apenas uma parada dar certo. A corrida em Monza é muito rápida, a volta em si é muito rápida, então normalmente não vale a pena andar com o carro mais pesado, já que não se perde tanto tempo em paradas de box. Basta lembrar do Raikkönen em 2007, que terminou a corrida tomando um segundo das McLarens de Hamilton e Alonso. No entanto, com um ritmo de corrida alucinante, os carros da Brawn fizeram a estratégia funcionar, e Barrichello garantiu seu terceiro triunfo em solo italiano.
Gostaria, ainda, de chamar atenção para o seguinte: eu sempre fui defensor de Barrichello enquanto piloto, e sempre tive grandes tormentos por conta disso. Contudo, após a vitória de Monza, sinto-me escusado de fazer qualquer comentário elogioso sobre o piloto brasileiro; o blogueiro oficial Flávio Gomes já o fez, em vídeo e texto. O mais interessante é que o blogueiro oficial não costuma tecer grandes elogios a Rubens, aliás, muito pelo contrário.
Se perguntam se valeu a pena ficar mais um ano, eis a resposta. Peço desculpas por não colocar o vídeo aqui no blog, mas a TViG não oferece mecanismo de incorporação.
Outra coisa interessante: por ironia do destino, Barrichello fará uma participação no programa global Casseta e Planeta Urgente!, nas próxima terça-feira. A vida é ingrata: eu parei de assistir a tal programa em 2000, justamente por causa das piadinhas de gosto duvidoso com Barrichello. Agora, o próprio vai estar lá... o mundo gira.

DANÇA DAS CADEIRAS

A boataria, que em se tratando de F1, acaba por concretizar-se já começou.
A Prima Dona Alonso na Ferrari (algo que de tão certo já apodreceu). Raikonem de volta à Mclaren (te cuida Hamilton!!!). O problema é o Rosberg (o Nico) na Bráu. Exigência da dona mercedes. Parece que um dos dois que disputam o título vai dançar.
Duas coisas: pelo jeitão do butão já avisaram a ele que precisa arrumar casa nova.
E, alguém falou em competência dentro das pistas?
Não. No caso o que vale é a equipe de logística, se é que me entendem.....

sábado, 19 de setembro de 2009

RAPIDINHA

Sempre achei o Eddie Irvine um idiota completo. Um sujeito com aparência de piloto desfilando com um macacão pelos boxes.
Hoje leio uma declaração dele no site "warm up" dizendo que a F-1 sempre foi uma guerra e que "na guerra, tudo é justo".
Portanto, ele não é aparentemente um idiota. É um idiota.

TEORIA DA APARÊNCIA

Vivemos num mundo de aparências. Acredito que somos, desde o nascimento, induzidos a acreditar que toda nossa vida deve seguir um determinado padrão e, quando algo sai deste padrão, queremos acreditar que aquele que se esforçou para a volta ao “status quo” tenha agido imbuído da mais honrosa honestidade.
Temos receio que esse desvio do padrão nos afete a ponto de desmoronar a crença inabalável na retidão das pessoas envolvidas no reparo do estremecimento dos pilares de nossas instituições.
Por isso, acreditamos que o Lula nada sabe, que o Collor nada sabia, que o FHC é um poço de honestidade, e que Brasília não seja sinônimo de podridão e devassidão humana. De minha parte, acredito no altruísmo dessa gente toda e em Papai Noel. Ele nunca me dá o presente pedido. Mas, é porque não sou um bom menino. Prometo melhorar.
Mas, é por esse sentimento que queremos acreditar que o piquetezinho seja um chapeuzinho vermelho em meio aos britadores maus. Queremos acreditar que os “home” tenham posto fim às falcatruas que de vez em quando vem à tona no mundo da F-1.
Mas, sabemos que algumas pessoas não se importam em roubar um troféu, ou que silenciem e não devolvam o que foi usurpado de alguém (a prima dona Alonso deveria devolver o troféu de primeiro colocado e pedir desculpas pelo que a equipe dele aprontou). Essas pessoas têm a seu favor a nossa crença absoluta na teoria da aparência. Até que chegue o dia em que um pai frustrado entregue o esquema todo porque ele acredita na aparência de piloto de seu filho.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

IH! ERREI

O título acima é inspirado no bordão do famoso Pedro, vulgo Paulinho, um sobrinho dos milhares que eu tenho. Quando ele acertava alguém, desprevenido evidentemente, com uma bola ou algo mais belicoso, dizia "ih, errei" como a explicar que não atirou para acertar mas sim para passar perto de sua vítima.
Pois eu passei o fim de semana dizendo que a estratégia da bráu iria dar em nada.
Acreditava que o Raikonem iria levar o trófeu em forma de bosta para casa.
Mas, "ih errei".
No fundo queria errar e ver o rubim levar mais uma. Deu no que deu.
Não me perguntem porque funcionou a estratégia (pneus que duraram o suficiente?) já que as trocas são rápidas em Monza e não parar duas vezes me pareceu uma estratégia tremendamente arriscada. Enfim, deu rubim e vamos torcer para que ele leve o campeonato para desespero dos torcedores de futebol que infestam a F-1.
Em tempo: hoje o Pedro é muito gente fina. Tem senso de humor e é sempre um prazer ouvir suas, digamos, erudições. E, é bom elogiá-lo porque tem patolas a serem respeitadas.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

MAMMA SUA!!!

Ando sumido por alguns probleminhas. Mas, de alguma maneira, ligeiramente chocado com o mundo da F-1.
Nada com relação ao caso piquetezinho e a batida proposital. Muito com a Force Índia.
O que catzo anda se passando no mundão estranho da F1?
O João Carlos Físico não ganhou em Spa porque já estava garantido na Ferrari e acompanhou o Raikonnem a corrida inteira, fingindo que ia tentar ultrapassar. Nem disfarçaram. Para ganhar bastava ficar uma volta a mais na pista na hora do reabastecimento. Enfim, meu ceticismo famoso já fez acender a luz amarela. Como diz a Dona Valéria: "é tudo arrumado". Eu sempre digo que os caras não arriscariam o pescocito em corridas arrumadas.
Daí, vem o piquetezinho estampar o muro de propósito.
Cáspite!
Só falta o rubim ser campeão....

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Uma boa notícia

O automobilismo brasileiro, como cediço, carece de categorias de base, principalmente após a extinção da Fórmula Renault, em 2006.
Hoje, contudo, foi anunciada a criação de uma nova categoria de monopostos, a Formula Future, com patrocínio da Fiat e o "apadrinhamento" de Felipe Massa.
Além dos monopostos, foi criado também o Trofeo Linea e um campeonato de motos, em um evento batizado de Racing Festival.
A organização ficará por conta da empresa da família Massa, a RM Racing.
Mais detalhes no Grande Prêmio.
Acho excelente a iniciativa e espero que "dê liga". O automobilismo nacional, realmente, precisava de uma categoria de monopostos. Além de que, juntar corridas de turismo, monopostos e motos em um mesmo evento é muito interessante.
A influência de Massa pode ser muito positiva, em vista de ser um dos principais nomes da Fórmula-1, da Ferrari e do atual automobilismo brasileiro. Seu envolvimento e o da Fiat dão um ar de que não é "só mais uma categoria", conferindo alguma credibilidade logo de saída.
Mais do que isso, é importante para que jovens pilotos ganhem quilometragem antes de tentarem a sorte na Europa. A categoria tem custos relativamente baixos (250 a 300 mil/ano), o que é, também, uma vantagem.
Ponto para a família Massa e para a Fiat, grandes nomes fazendo algo pelo automobilismo nacional.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

As largadas de Barrichello

Como se sabe, Barrichello ficou parado três vezes este ano na hora da largada, e não há uma explicação dele ou da equipe para tanto.
Contudo, Luciano Burti, amigo de Barrichello e comentarista da Globo, afirmou hoje no Globo Esporte que a equipe confirma que Rubens tem feito o procedimento correto de largada, e que há, na verdade, alguma coisa com o carro que precisa ser investigada.
No vídeo abaixo, Burti comenta o caso Renault/Nelsinho, o caso Barrichello/largada e a volta de Felipe Massa às corridas, que deve ficar, mesmo, para o próximo ano.
Ah, nós não vemos esse quadro do Burti porque ele não é transmitido para São Paulo e Minas Gerais.


Meu pai não é louco

Ano passado, durante o GP de Cingapura, logo após o acidente de Nelson Ângelo Piquet, meu pai disse que o acidente fora muito estranho e que, pela circunstância de colocar Fernando Alonso em uma posição privilegiada para vencer a prova, estava com cara de armação. Achei impossível, afinal havia sido uma estampada razoável. Como alguém pode se jogar no muro de propósito daquele jeito? Para mim, seria impossível.
Mas não é que a FIA está, realmente, investigando o acidente?
Bernnie Ecclestone concedeu uma entrevista ao jornal "The Times", afirmando que Briatore está muito irritado e chateado com toda essa história. Na verdade, o tom de tio Bernnie é de complacência com o italiano, o que pode já ser um prenúncio de que a investigação não vai dar em nada.
Ecclestone, ainda, afirma que Piquet é um jovem "muito nervoso" e dá a entender que tudo não passa de um devaneio do brasileiro.
Seja como for, um piloto parar na pista para ajudar outro ou a si mesmo não é uma novidade. O vídeo abaixo mostra uma situação intrigante. Faltando 9 voltas do fim das 500 milhas de Indianápolis de 1991, Rick Mears está liderando com a Penske e, em segundo lugar, está Michael Andretti, da Newman/Haas. Mears tem alguma vantagem para Andretti. Curiosamente, o companheiro de equipe de Michael, seu pai Mario Andretti, tem um suposto problema de motor, e pára seu carro na entrada dos boxes, provocando uma bandeira amarela que possibilitaria que seu filho alcançasse, novamente, o líder.
Conversas de rádio captadas levantaram indícios de que Mario havia parado propositadamente para favorecer seu filho Michael. Não há comprovação e eu não achei o áudio, mas, naquela época, o Andrettinho podia fazer de tudo...
Essa se deve à memória de meu genitor. A bandeira amarela está, aproximadamente, aos 45 segundos do vídeo.





Mais recentemente, ficou conhecido o episódio protagozinado por Michael Schumacher, também conhecido como Dick Vigarista ou Dick Schuchu, em que o fantástico alemão deliberadamente parou seu carro na curva Rascasse, em Mônaco, impedindo que outros, inclusive a Prima Donna Fernando Alonso pudessem melhorar seus tempos na qualificação, garantindo o alemão, assim, a sua pole-position.
O único que colocou em dúvida a vigarisse foi o blogueiro oficial Flávio Gomes, fã incondicional de Schumacher, que acha, inclusive, que a Ferrari deve desculpas ao aposentado, pois sem os erros da Scuderia, Schumacher teria sido campeão muito mais vezes...
O vídeo abaixo mostra que Schumacher vinha, realmente, pisando. Mas não houve erro, houve estacionamento do veículo.





Opiniões mais autorizadas que as minhas podem ser vistas aqui. Aliás, recomendo que se veja. Trulli, Keke e Nico Rosberg falam do episódio e demonstram não terem dúvidas quanto a ter sido um ato antidesportivo. Schumacher também faz sua defesa, afirmando que "está na F1 há muitos anos e que as pessoas deveriam saber melhor quem e o que ele é, após tantos anos". Pois é...
Há também a opinião de Flávio Briatore, dizendo que "essa é a maneira como a Ferrari lida com as coisas". Irônico o fato de que Briatore agora está do outro lado, sendo ele próprio investigado por uma possível maracutaia.
Esses precedentes não significam que houve gerenciamente da batida de Piquet no úlimo GP de Cingapura. Apenas mostram que não há nada novo nisso. Não seria surpreendente se as investigações apontassem que houve pilantragem. Agora, eu só espero que tenham batido Piquet no muro, por telemetria ou seja como for - eu sei que é proibida a telemetria de mão dupla, mas vai saber -, ou que o fato tenha proporcionado a ele uma grande compensação financeira, pois o sujeito arriscar o próprio pescoço numa dessas é complicado.
Bom, talvez uma batida no muro valha um contrato para a temporada seguinte... Já não dúvido de nada que o Sr. Luiz Alberto fale.

Gelo e SPQR


Com mais atraso do que a largada do Barrichello, vamos ao GP da Bélgica.
A chuva esteve presente em Spa-Francorchamps, mas não chegou a influenciar os treinos classificatórios e a corrida. Eu não consigo imaginar como teria sido caso a chuva tivesse caído no sábado à tarde. Se o grid ficou todo invertido no seco, imagine se estivesse molhado.
O romano Giancarlo Fisichella surpreendeu a todos com uma pole completamente inesperada. Se um carro da Force-India passa para o Q2, é um resultado fantástico; se passa para o Q3, nossa, é um sonho! Quem dirá fazer uma pole-position. E o espanto foi ainda maior quando os pesos dos carros foram divulgados: Fisichella não era o carro mais leve do grid. Mais leve do que ele estava Rubens Barrichello, que largaria em quarto, demonstrando que ele e a Brawn não encontraram o melhor equilíbrio no asfalto belga.
E eu não sei que espécie de desequilíbrio fez com que Rubens, pela terceira vez no ano, não conseguisse arrancar no apagar das luzes. Se é um erro do piloto ou se um problema congênito de seu BGP 001, só ele e o engenheiro podem saber. Dizer que a falha é humana ou da máquina seria meramente um chute.
No vídeo do post abaixo, dá para ver que o carro pula e depois entra em ponto-morto já em movimento. O Luciano Burti, na transmissão da TV, informou que é um programa que impede que o carro morra quando o giro cai muito. Será que Rubens acelera pouco para lagar? Ou solta a embreagem muito rápido?? Pessoalmente, não creio que um piloto com trocentos anos de Fórmula-1 possa cometar erros assim. Pode até ser que seja erro dele, mas talvez haja um segredinho para largar que não conhecemos.
O fato é que, depois que o carro andou, a corrida de Barrichello foi até muito boa. Contornando a primeira curva em último, logo ultrapassando vários carros, com a faca nos dentes, como se pode ver na câmera onboard. Gostei de vê-lo combativo.
Os dois pontos foram importantes, mas com o abandono de Jenson Button, era dia para tirar mais diferença, para dar aquela "apimentada" no campeonato.
Button dificilmente vai perder, mas a sua enorme falta de performance desde Silvertone pode possibilitar uma aproximação perigosa das Red Bull. O inglês foi terrivelmente mal nos treinos de sábado, largando em décimo quarto. Sair lá no meio do pelotão, com a La Source logo à frente, em seguida a Eua Rouge e depois a reta para a Les Combes tem sempre uma grande probabilidade de dar merda. E deu mesmo.
Grosjean cantou de galo dizendo que a culpa pela batida foi de Button, mas não é o que parece. Esse franco-suiço, aliás, protagonizou um incidente na GP2, no circuito de Hungaroring, em que colidiu de forma ridícula com Franck Perera, causando a abandono dos dois da qualificação. Perera procurou Grosjean por explicações e ouviu dele: "Quem é você?". Esse acidente da GP2 pode ser visto aqui.
Parece que, no caso com Button, o inglês já estava no contorno da curva quando Romain o acertou no pneu traseiro. Ou seja, a preferência era de Button e quem tinha de esperar era mesmo Grosjean.
Button está sob pressão, mas seus adversários não estão tão eficientes para tirar a diferença. Parece que só verá o título ameaçado se Webber, Vettel ou Barrichello emendarem vitórias nestas cinco corridas que faltam. A Red Bull, contudo, enfrenta problemas de limitação de motores, enquanto a Brawn já não tem o mesmo ritmo do começo do ano, o que dificulta as coisas para o brasileiro. É esperar para ver.
Vettelzinho voltou a fazer alguma coisa em corrida no último final de semana. Largou em oitavo e chegou ao pódio com muita competência, mostrando um pouco do brilho que o tornou um dos pilotos mais cotados do grid. Andou mais que Webber, que, aliás, ficou apagado tanto em Valência quanto em Spa.
E o Luca Badoer? Apelidado pelos ingleses de Look howBadyouare, o italiano deve ter feito sua última corrida na Ferrari, e provavelmente na Fórmula-1, com uma atuação abaixo da média, chegando em último lugar dirigindo o mesmo carro que venceu a corrida.
Mas os grandes nomes do fim de semana só poderiam ser Kimi Raikkönen e Giancarlo Fisichella. Uma boa atuação do finladês em Spa já era até esperada. Como já dito por aqui, dos que alinharam no domingo ele era o único a já ter vencido em Spa. É uma pista em que ele é especialista e já teve atuações de gala lá, como sua vitória sobre Schumacher em 2004, tendo largado em décimo e tirado leite de pedra para superar a Ferrari, muito superior a sua McLaren àquela altura.
O Homem de Gelo é um piloto fantástico, mas que se apaga por não estar nem aí para nada. É o jeito dele. Mas, em um dia inspirado, é um piloto difícil de ser batido. Creio que, de sua geração, é o maior potencial, mas ele mesmo não liga muito para isso, tanto que há rumores que o colocam no WRC no próximo ano.
Mas Fisichella foi fantástico. Correndo com o carro indiano, qualquer pontinho seria maravilhoso. O romano fez muito mais, e arrisco-me a dizer que só não venceu porque a Ferrari conta com o KERS. O dispositivo ajudou Raikkönen a ultrapassá-lo na relargada e impediu que ele pudesse recuperar a posição, muito embora tenha andado o tempo todo no ritmo da Ferrari.
Uma atuação de gala de Fisichella, talvez a melhor de sua carreira, junto com a vitória no GP da Austrália de 2005. Só que, naquela ocasião, ele contava com o melhor carro; domingo, muito longe disso.
O que fez a Force-India andar tanto é um mistério. Se acharam algo no carro, acertaram direitinho a relação arrasto/downforce, não dá para saber. Talvez, o motor Mercedes tenha ajudado bastante, mas não é só isso. E, infelizmente, não sou eu quem pode saber.
O fato é que talvez tenha sido o canto do cisne do romano. Com 37 anos, uma carreira sem lá grande brilho, é provável que Fisichella, em breve, pendure o capacete.
Entretanto, boatos o colocam na Ferrari no GP de Monza, já que o time de Maranello deve dispensar os inestimáveis serviços de Luca Badoer. É conhecido o sonho de Fisichella de guiar o carro vermelho e também é conhecido a vontade de que um piloto italiano tenha sucesso a bordo da Ferrari. Depois do GP da Bélgica, torço mesmo para que isso aconteça. E que o cisne cante mais um pouquinho.


segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Como viram a largada

Cada vez é mais raro encontrar vídeos de Fórmula-1 no YouTube, pelo menos dos mais recentes, já que a FOM (Formula One Management) dá um jeito de tirar tudo do ar por questões de copyright.
Mas, antes que eles ajam, ainda é possível ver este aqui: a largada para o GP de Spa-Francorchamps de ontem onboard com Barrichello, Raikkönen, Button e Hamilton.
A largada de Barrichello, depois que o carro anda, é muito interessante, lembrando que ele não tem KERS.
Para citar a fonte, vi o vídeo, ontem, nas dependências do blogueiro oficial Flávio Gomes.
Mais sobre Spa mais tarde.
Aí vai o vídeo:


sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A carniça e os urubus

A Fórmula-1 é um ambiente podre: bastou um desempenho ruim - tudo bem, péssimo - de Luca Badoer para que pilotos em atividade, em mais ou menos atividade ou parados passassem a criticar o italiano, cobiçando seu lugar no carro vermelho.
Badoer foi muito mal, muito pior do que eu esperava. Confesso que torcia para que ele fizesse seus pontos na Fórmula-1. O italiano detém um recorde negativo: é o piloto que mais vezes largou sem marcar um ponto, tendo andado sempre com carros lentos - Lola e Minardi.
A ocasião em que esteve mais próximo de pontuar foi naquele famoso GP da Europa, em Nurbürgring, em 1999. Badoer trazia sua Minardi, bravamente, na quarta posição, quando o motor falhou e ele foi forçado a abandonar faltando poucas voltas para o fim.
Aliás, aquela foi uma de suas últimas corridas na Fórmula-1 antes de substituir Felipe Massa. Honestamente, não há muito o que dizer sobre Badoer: não competia há dez anos e é um piloto de testes em uma época em que testes estão proibidos; é certo, contudo, que a Ferrari talvez devesse ter pensado melhor a substituição de Massa, já que teve muito tempo para isso entre os GPs da Hungria e Valência. Pelo visto, eles só foram atrás de Schumacher e, como não deu certo, coloram o Badoer lá.
Uma coisa é trazer de volta o heptacampeão que não corre há três anos; outra coisa é um piloto que não compete há dez anos - dez anos! - e que não tem um ponto sequer no currículo. Um alvo ideal para os urubus.


(Badoer lamenta os pontos perdidos em Nurbürgring, 1999)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Spa-Francorchamps (que agora não é mais estrada)

Continuando com o "Sinal Verde" - gostei da comparação - pré-GP da Bélgica.
Spa-Francorchamps é, muitas vezes, palco de corridas excelentes, pela dificuldade da pista e instabilidade do clima. Às vezes começa tudo molhado depois seca; às vezes, tudo seco, depois molha; e muitas outras, fica sempre molhado mesmo...
Em 2000, tivemos lá um dos episódios mais marcantes dos últimos dez anos da Fórmula-1. Foi uma ultrapassagem que entrou para a história do esporte como uma das mais belas e difíceis. O GP começou no molhado, com largada atrás do safety-car. Mika Häkkinen e Michael Schumacher lutavam equilibradamente pelo campeonato. Tal equilíbrio, contudo, não parecia estar presente em Spa-Francorchamps. Häkkinen fez a pole-position, a terceira consecutiva na pista belga, em busca de sua primeira vitória em Spa; Schumacher fez apenas o quarto tempo, atrás de Jarno Trulli, com a Jordan e o estreante Jenson Button, com a Williams.
No começo da corrida, com a pista molhada, mas já secando, Schumacher superou Button e Trulli, partindo à caça de Häkkinen.
A pista foi secando e Schumacher conseguia alguma aproximação sobre Häkkinen. O finlandês sucumbiu à pressão e rodou após o pit-stop para troca para pneus slicks, retomando o percurso aproximadamente 5 segundos atrás do alemão.
Häkkinen, contudo, tinha um stint mais longo e fez seu primeiro pit-stop estratégico bem mais tarde em relação a Schumacher. Quando parou, estava uns 16 segundos mais adiantado.
Após as trocas de pneus e reabastecimentos, Schumacher e Häkkinen estavam em primeiro e segundo, respectivamente, com o finlandês tirando a diferença para o alemão, aparentemente por ter um carro mais adaptado às condições de pista daquele momento. O asfalto já se encontrava seco por inteiro e sol iluminava certas partes do circuito.
Faltando cinco voltas para o fim, Häkkinen encostou de vez no líder. Na reta Kemmel, a vantagem de velocidade final da McLaren em relação à Ferrari estava evidente, e Häkkinen, procurou um caminho para ultrapassar Schumacher na entrada da curva Le Combes; o alemão, como de costume, forçou o finlandês para o lado de dentro, deixando-o sem passagem e obrigando-o a recolher.
A corrida estava no fim e Häkkinen, se quisesse vencer, não poderia perder muito tempo. Na volta seguinte, na mesma reta Kemmel, Häkkinen encostou muito em Schumacher na saída da Eau Rouge. Contudo, havia Ricardo Zonta, retardatário, bem no meio da pista, deixando o lado de fora do traçado para Schumacher passar. O normal seria que Häkkinen recolhesse, ultrapassasse Zonta, e tentasse de novo na próxima volta. Mas não foi assim. Mika colocou o carro por dentro de Zonta, arriscando tudo em uma manobra muito corajosa. Havia apenas um "buraquinho" entre o carro de Zonta e a grama, e Häkkinen conseguiu se encaixar ali, superando o brasileiro a tempo de colocar o carro no ponto mais adequado para a tangência da Le Combes.
Após a manobra, ao avistar Häkkinen, Schumacher move sua Ferrari bruscamente para o lado de fora, revelando, talvez, alguma surpresa com a presença do finlandês ali. Bom, a surpresa foi justificada...
Muito melhor do que minha terrível descrição, é ver as imagens.
O primeiro vídeo contém a primeira tentativa de ultrapassagem, onboard com Häkkinen, bem como a tentativa que deu certo, onboard e por fora. O narrador diz, em espanhol, "menos mal que Zonta não se moveu". Pois é.





Este segundo vídeo mostra o ponto de vista de Ricardo Zonta. Aqui, dá para perceber bem que havia pouco espaço para Mika.
Nota-se, também, que Zonta olha para o espelho esquerdo apenas uma vez. Como o próprio Zonta afirmou após a corrida, ele não percebera a aproximação de Häkkinen, já que, pelo retrovisor, só dava para ver Schumacher, que estava na frente. Realmente, não dá para ver muita coisa pelo retrovisor de um Fórmula-1 que, além de ser pequeno, tem o campo de reflexão limitado a uma fresta no aerofólio.




E para quem chegou até aqui, e tiver curiosidade, abaixo está a entrevista após a corrida, com as palavras de Häkkinen e Schumacher sobre a corrida e sobre a manobra de Mika. É engraçado ver o finlandês falar, com seu sotaque peculiar.
Interessante ver Schumacher preocupado com o campeonato, já que, com essa vitória na Bélgica, Häkkinen abrira 6 pontos de vantagem para o alemão, faltando apenas Monza, Indianápolis e Suzuka para o fim da temporada. Mas, como todos sabem, o título acabou mesmo nas mãos de Schumacher, seu tricampeonato, a respeito de que falaremos mais oportunamente.


terça-feira, 25 de agosto de 2009

DEVANEIO

Devaneio sobre essa situação toda do Schumacher e a volta daquele que foi, ameaçou, mas, não voltou.
Era uma vez uma terra de vaqueiros. Algumas vezes por ano eles tinham que conduzir o gado por um riacho. Neste riacho existem piranhas (o peixe, o peixe) vorazes. Se os vaqueiros não são rápidos o suficiente com seus cavalos último tipo as piranhas (o peixe, o peixe) alcançam e almoçam os ditos com botas e tudo. Os melhores vaqueiros conduziam os famosos cavalos vermelhos nascidos no não menos famoso rancho Ferrari. Alguns vaqueiros eram destemidos, ou malucos dependendo do referencial adotado, o suficiente para conduzir toros rossos riacho adentro. Mas, essa é outra história. Pois bem, o rancho Ferrari ficou desfalcado de seu melhor vaqueiro o Felipão Massinha que levou uma ferradura no coco solta do azalão azarão de seu amigo Rubim Barrica. O barulho da ferradura no coco do pobre Felipão soou como tilintar de moedas para o mercador Free Willi. Ele estava procurando uma maneira de fazer com que o melhor vaqueiro de todos os tempos voltasse a montar e ganhasse muito dinheiro para ambos. Esse vaqueiro, Dick Schuchu, cansou de dar olé nas piranhas (o peixe, o peixe) e foi para casa cavalgar emas. Free Willi foi ter com o Dick Schuchu que condicionou sua volta a certos procedimentos sacanas, bem a seu estilo. Queria treinar com o melhor cavalo do rancho Ferrari. Os treinos estavam proibidos pelos rancheiros para não cansar a beleza dos eqüinos. Mas, Schuchu nunca seguia as regras: emprestou um cavalo aposentado, colocou ferraduras novas e foi para a pradaria mandar ver no da direita. Os outros rancheiros ficaram sabendo e acabaram com a alegria do Dick. Mas, ele já havia montado o suficiente para perceber que as coisas haviam mudado. Os cavalos não eram mais como antigamente. Avisou Free Willi que estava pensando em não voltar. O mercador ficou uma vara. Ele já negociava a volta do melhor entre os melhores até com essas revistas que publicam gente pelada. Então, fizeram uma reunião e decidiram o seguinte: Dick iria alegar que seu velho problema com hemorróidas havia voltado e que o carregador de sela Louco Vaidoer o substituiria em uma das travessias. Ele continuaria sentado no gelo aplacando as hemorróidas e, quem sabe, voltaria até o fim da temporada de travessias do riacho. E assim foi feito. Louco Vaidoer ganhou uma chance de montar um dos principais cavalos depois de trinta anos carregando sela. Achou que daria conta do recado. Pois sim. Logo de saída nos ensaios para a empreitada, Vaidoer esporeou o cavalo onde não podia e ganhou um caminhão de multas. Na hora da travessia, no domingo com barranco cheio de espectadores, ia ser o último a entrar no riacho. Ficou atrás até do burro velho Forca Indy cavalgado pelo também velho Físico Véio. O desastre se avizinhava. Louco Vaidoer, no entanto, entrou com tudo na água e rodou logo de cara, engolindo um balde de água. As piranhas estava fulas porque o Barrica estava mandando bem e ninguém iria tirar sarro dele na segunda feira. Descontaram tudo no Vaidoer. Jogaram o cara para cima, fizeram com que ele caminhasse na linha branca sendo obrigado, pela penalidade, a sentar num balde com brasas e cavalgar novamente. Além disso, riram de seu chapéu fora de moda, mastigaram seu pé direito e tudo o mais. Dick Schuchu assistiu a tudo isso sentado na carroça-home do rancho Ferrari, mastigando um ramo de grama, bebendo cachaça envelhecida vinte anos. Concluiu que se as piranhas fizessem com ele metade do que fizeram com o Louco Vaidoer sua reputação iria naufragar feito o Titanic. Então, para desespero do mercador Free Willi, anunciou que devido às implacáveis hemorróidas iria desistir de desistir da aposentadoria. Não voltaria mais a cavalgar riacho adentro. Pelo menos até Free Willi inventar alguma coisa. Desde que com emplastro de gelo.
Qualquer semelhança com a interessante desistência do Michael Schumacher é verdadeira.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A estrada entre Francorchamps, Malmedy e Stavelot

No próximo domingo, ocorrerá o Grande Prêmio da Bélgica de Fórmula-1. Para mim, um dos eventos mais esperados do ano.
Originalmente, a pista tinha praticamente 15 km, percorridos em velocidades altíssimas. Esse percurso recebeu corridas de 1924 a 1939. Após a guerra, as corridas voltaram ao circuito, agora um pouco modificado, mas ainda enorme para os padrões atuais: 14,120 km.
A partir de 1979, contudo, a pista foi encurtada, e tal traçado abriga, praticamente intacto, as corridas de Fórmula-1 na Bélgica até hoje.
O moderno Spa-Francorchamps ainda é bem maior que a maioria das pistas, com aproximadamente 7 km por volta. Monza, por exemplo, que também é um dos maiores, tem 5,7 km. A pista, apesar de ter metade da distância dos tempos áureos, conserva grandes desafios para carros e pilotos, como os trechos da Eau Rouge e de Blanchimont.
Vencer em Spa-Francorchamps é uma honra que nem todos os pilotos, ainda que campeões, conseguem. A Prima Donna Fernando Alonso, por exemplo, ainda não venceu em terras belgas na Fórmula-1. Dos pilotos em atividade, apenas Kimi Raikkönen, especialista no circuito, e Felipe Massa venceram o GP da Bélgica. Raikkönen, aliás, já venceu 3 vezes por lá em seqüência, e se tivesse vencido no ano passado, como quase o fez, teria igualado Ayrton Senna, que venceu o GP consecutivamente entre 1988 e 1991. O maior vencedor do GP, contudo, é Michael Schumacher, com 6 vitórias no bolso; Senna vem logo depois com 5; Jim Clark tem 4 triunfos.
Para finalizar, vejam o vídeo abaixo: fantástica filmagem feita para o não menos fantástico filme Grand Prix, do diretor John Frankemheimer. O filme tem as melhores tomadas onboard que já vi, feitas usando técnicas interessantíssimas. Frankernheimer, inclusive, fez com que os atores aprendessem a pilotar, para que as tomadas fossem as mais reais possíveis. Eles não dirigiram carros de Fórmula-1, mas de Fórmula-3; há, também, tomadas feitas durante as corridas, o que confere ao filme um realismo fora do comum.
As imagens abaixo foram feitas durante o GP de 1966, no traçado de 14,120 km, e na segunda-feira seguinte ao GP, que foi vencido por John Surtees, da Ferrari. Realmente choveu durante as filmagens, e algumas das rodadas que se vêem foram protagonizadas pelos atores/pilotos.
Impressiona ver a proximidade com que os carros passam em relação às casas. Eram os padrões de segurança de outros tempos...
Sem mais palavras, aproveitem o vídeo! E aproveitemos a corrida no domingo.


domingo, 23 de agosto de 2009

Atualizando Barrichello

Talvez Barrichello deixe a Fórmula-1 sem um título mundial, mas, certamente, teve uma carreira excelente, contruída com muito esforço.
Alguns números de Rubens após sua décima vitória na categoria máxima do automobilismo:

10 vitórias, o que o coloca ao lado de Ronnie Peterson, James Hunt e Gerhard Berger na história da Fórmula-1;

67 pódios, quarto maior número da história, atrás apenas de Michael Schumacher (154), Alain Prost (106) e Ayrton Senna (80);

584 pontos na carreira, também quarto maior, atrás de Michael Schumacher (1.368), Alain Prost (798,5) e Ayrton Senna (614).

A fonte dos números é o site Portal Brasil - tomara que esteja tudo certo!
Vê-se que Rubens tem sólidos números na Fórmula-1, colocando-se, em alguns quesitos, em uma posição realmente boa, atrás apenas dos três maiores monstros da história da categoria. Desejamos que ainda haja mais por vir!

O número é 100

Minhas colocações podem ser repetitivas em relação àquelas já feitas por meu pai, mas acho que valem a pena algumas palavras.
Rubens Barrichello conquistou a centésima vitória de um piloto brasileiro na Fórmula-1 em um GP cercado por algumas curiosidades.
A primeira delas é que o GP da Europa foi o que, nesta temporada, menos chances ofereceu, em termos de probabilidade, para que pilotos brasileiros vencessem. Isso porque dos habituais três representantes verde-amarelos, apenas Barrichello alinhou no grid em Valência.
Outro dado interessante, como já chamou atenção meu pai, nas duas edições da prova de rua espanhola (européia?) venceu um brasileiro: em 2008, Felipe Massa, e este ano, Rubens Barrichello. Mas, de certa forma, Massa esteve na ponta nas duas provas: no ano passado porque venceu, e este ano pela bonita homenagem que lhe prestou Barichello, que pintou o topo do seu capacete com a frase "Felipe, see you on track soon" (te vejo na pista em breve).
Por fim, a vitória brasileira de número 100 aconteceu pelas mãos daquele que reiniciou os triunfos nacionais após a era Senna. Em 2000, quando Rubens venceu sua primeira corrida na Fórmula-1, naquele memorável GP da Alemanha, o Brasil estava estagnado havia 7 anos nas 79 vitórias. A última havia sido, justamente, a vitória de Ayrton Senna no GP da Austrália de 1993. Nove anos depois, Barrichello crava sua décima vitória, que, somada às 14 de Emerson Fittipaldi, à única de José Carlos Pace, às 23 de Nelson Piquet, às 41 de Senna, às 11 de Felipe Massa e às outras 9 do próprio Barrichello, colocam o Brasil entre os países cujos pilotos atingiram cem vitórias. Creio, pelo conjunto da obra e pela corrida de hoje em si, que a marca está em boas mãos.

A corrida de hoje não foi das mais emocionantes, mas não deixou de ser interessante por isso: havia dois "novatos" para observar - Badoer não é, exatamente, novato, mas não alinhava no grid desde 1999, enquanto Grosjean não havia testado o carro da Reunault este ano -, Red Bull e Brawn continuariam se pegando pelo campeonato, e a McLaren em uma ascensão até surpreendente, despontando como favorita para o final de semana.
Badoer não foi muito melhor do que havia sido nos treinos; foi até penalizado com um drive through por ter "queimado" a linha branca na saída dos boxes. Foi até pior do que os realmente novatos Grosjean e Alguersuari. Esses, por outro lado, não sofrem a pressão de estar em uma Ferrari, possivelmente na última chance da carreira de mostrar serviço.
Grosjean não prejudicou, mas não andou mais do que andaria Nelsinho Piquet. Cometeu um erro em uma freada, mas corrigiu de forma até bonita para não bater no muro. Não dá para dizer muita coisa ainda, já que fez apenas sua primeira corrida e só havia andado em linha reta com o carro até este fim de semana.
Se houve alguma emoção, foi no momento da "disputa" entre Rubens Barrichello e Lewis Hamilton. Tudo bem, não houve disputa de freadas, manobras de ultrapassam, nada nem perto disso. Mas foi bonito a maneira como alternaram voltas rápidas até a parada desastrosa do inglês para seu segundo pit-stop.
Não tenho certeza de que o erro da McLaren tenha sido determinante no resultado final da corrida. Claro que foi uma grande mão para Rubens assumir a ponta. Mas é possível que ficasse em primeiro mesmo sem o atraso de Hamilton. Barrichello perdeu 20s972 em seu primeiro pit-stop, enquanto Lewis perdeu 22s218; no segundo, Barrichello perdeu 19s021, enquanto Hamilton perdeu 25s599. Como parou antes de Barrichello as duas vezes, talvez Hamilton tivesse de fazer um segundo pit-stop mais longo que o brasileiro, ainda que sem o erro da equipe, fato que poderia ser suficiente para que Rubens tomasse a ponta. Mas é chute; não dá para saber e, certamente, teria sido muito mais apertado sem o erro da McLaren.
De todo modo, Barrichello foi muito feliz ao longo de todo final de semana, a começar pela pintura em homenagem ao Felipe Massa em seu capacete. No sábado, botou tempo em Jenson Button, mesmo tendo mais combustível no carro; abdicou da briga pela pole conscientemente, já que sabia do maior potencial de largada da McLaren em relação à Brawn, pela utilização do KERS. Largou com mais peso, fez tudo certo até assumir a ponta e administrar a vantagem construída.
Button, para mim, foi o ponto negativo da corrida, juntamente com Mark Webber. Os dois principais postulantes ao título se apagaram nas posições intermediárias. Button ainda conseguiu dois pontinhos de refresco, enquanto Webber não obteve nenhum.
Vettel, o quarto postulante, sofreu com uma quebra de motor, mas, ainda sim, foi muito elegante ao parar o carro exatamente na abertura do muro, para que o carro fosse imediatamente retirado do caminho dos demais. Seu rendimento anda muito irregular e o alemãozinho vai ter que acertar a mão para continuar na briga pelo campeonato.
Já o inglês da Brawn vai para a Bélgica enfrentando uma certa pressão: andou muito mal nas últimas corridas e teve um desempenho muito apagado diante de uma corrida praticamente perfeita de Barrichello. Vai ter que se impor em Spa-Framcochamps para impedir um eventual progresso do brasileiro na tabela do campeonato.
Destaque, também para Kimi Raikkönen, em mais um pódium para a Ferrari, em uma atuação discreta, mas muito eficiente, após uma excelente largada, pulando de sexto para quarto, chegando a ameaçar Barrichello pelo terceiro.
Por fim, sem me alongar muito mais, um último destaque: foi particularmente interessante o duelo entre Hamilton e Barrichello pela circunstância de o brasileiro ser o "decano" do grid da Fórmula-1, com 37 anos e 280 largadas nas costas, enquanto Hamilton, com apenas 24 anos, já tem um título na carreira com apenas 46 largadas. Chama a atenção o preparo físico de Barrichello, já que o calor em Valência estava forte, a pista de rua é razoavelmente exigente, e ele aguentou realmente bem.


(Foto enviada por Rubens Barrichello via Twitter)

100% VALÊNCIA

A corrida de Valência valeu pela décima do rubim e centésima vitória do Brasil na F1.
Mas, a corrida foi chata. Não entendi o erro da McLaren na primeira troca do Hamilton.
Aparentemente ele entrou antes e pegou o pessoal no bar tomando umazinha. Considerando que a bráu já ferrou o rubim este ano, tudo bem. Empatou.
O rubim desta vez fez tudo direitinho e mandou bem no da direita. Mereceu.
Os torcedores de futebol devem estar putos da vida com a vitória dele e a má corrida do butão. Não podem tripudiar neste fim de semana.
Ah, cem por cento porque o próprio Massa lembrou que no ano passado ele venceu.
Duas corridas em Valência duas vitórias de pilotos brasileiros.

100 X 10

Décima vitória de rubim e centésima do Brasil-sil na F1.
Creio que assisti a maioria delas. Desde o Emersão. Pela TV, lógico.
Algumas eram óbvias pela categoria do piloto e superioridade dos carros.
Outras foram na marra. Mas, todas deram aquele gostinho de ser do terceiro mundo e ver um de nós vencer numa categoria onde a tecnologia é tudo. Como diriam alguns “é nóis”.
Depois a gente volta para comentar a corrida de hoje.

sábado, 22 de agosto de 2009

PESOS E MEDIDAS

Interessante a tabela de pesos dos carros no treino de hoje para o GP de Valência.
O rubim é o mais pesado dentre os seis primeiros (662,5). Sei lá se isso adianta muito. Dois kg para cá ou para lá dissovem-se numa largada amadora. E, rubim, é mestre em falar que “é hoje”, e depois da corrida falar em conspirações astrais. Mas, vamos torcer para que ele, finalmente, alegre o fim de semana global com a tal centésima vitória brasileira num GP de F1. Daí, ficaremos livres da gritaria sobre o acontecimento a cada GP com a participação de um brasileiro......

LÁ VAI BADOER

Dois comentários sobre a classificação de hoje para o GP de Valência de F1.
Hamilton em primeiro até que não é novidade dada a recuperação da McLaren. Já o Kovalein em segundo merece destaque. Foi só o chefão da equipe lamentar a saída de Alonso e prever a volta do Raikonem que o Kovas andou bonito. Imaginem os próximos comentários....
Esse regulamento amalucado onde ninguém pode treinar entre os GPs acertou uma vítima inocente. Enquanto o Dick Vigarista treinava fazendo de conta que não treinava, o Badoer realmente não andou com o carro deste ano. O primeiro sentiu o pescocinho e resolveu não dar o esperado vexame. Já o Badoer, coitado, não tinha opção.
Ficou centos anos sem andar num GP e deve estar com saudade de casa, como diria o Edgar de Mello Filho.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

LÁ VEM BADOER

Leio que Luca Badoer, o piloto italiano que vai correr em Valência no lugar do Massa, excedeu o limite de velocidade nos boxes incríveis quatro vezes. Como os carros são equipados com limitadores ele deve ter esquecido de ligar o dispositivo quando entrou.
Deve significar que ele está animadíssimo em relação à corrida. Acho que os muros vão aconchegá-lo. Vamos ver no que dá. Quantos pontos será que ele perdeu na carteira com as multas que recebeu?

TREINOS DE SEXTA

Hoje tivemos um treino para o GP da Valência. Esses treinos de sexta andam mais divertidos que os oficiais. Mas, uma coisa chamou minha atenção. Primeiro o desespero do Alonso para fazer o melhor tempo. Como a dizer “Ferrari, cá estou”.
E, a batida do próprio Alonso no Nicki Heidfield da BMW. Ele veio fritando tudo e, como um torpedo, acertou a BMW à meia nau. Na casa das máquinas, se navio fosse um F1. Engraçado mesmo foi o comentário de um dos locutores (sim locutor e não entendido de F1) que na prática colocou a culpa na vítima, dizendo que Nicki Heidfield estava muito lento. Lógico que estava lento. Contornava uma curva. Nada como ser a prima dona. Tudo pode. A melhor imagem, porém, foi a do alemão que sabe apertar o da direita morrendo de rir, como a pensar “do que escapei”.