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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Williams e Rubens

Os caminhos de Rubens Barrichello e da equipe Williams se cruzaram, finalmente. Digo finalmente, pois houve outras oportunidades em que o acordo parecia que iria sair, mas, no fim, Rubens acabou ficando onde estava.
A primeira oportunidade parece ter sido após a morte de Ayrton Senna. Barrichello, na época um jovem promissor, foi cogitado para ocupar o posto de Senna, incluvise com o envolvimento de Nelson Piquet nas negociações, já que a Arisco patrocinava a ambos.
Posteriormente, Rubens teve oportunidade para correr pela equipe Grove em 1998, mas também ficou sem vaga, já que preferiram Ralf Schumacher, cujo empresário era Willi Weber (o mesmo do irmão mais velho).
Também em 2003 houve rumores de que o brasileiro poderia se transferir para o time inglês. Montoya havia assinado contrato com a McLaren, mas ainda tinha obrigações com a Williams até o final de 2004. O colombiano, entretanto, tentava resilir sua relação contratual antes do fim do prazo. O primeiro na lista de substitutos para o Montoya na Williams era, justamente, Barrichello.
Depois de tanto namoro, as coisas deram certo. É uma união interessante, já que Williams e Rubens são representantes de outros tempos na Fórmula-1 moderna. Williams não tem vínculos com nenhuma grande montadora, embora já tenha recebido motores de BMW e Toyota; a parceria entre Patrick Head e Frank Williams na F-1 teve início em 1977, e a empresa contava com apenas 17 colaboradores. Hoje, é uma das equipes mais tradicionais e vencedoras do grid, com 9 títulos de construtores e 7 de pilotos.
Rubens terá como companheiro de equipe Nico Hulkenberg, mais um alemão assessorado por Willi Weber. É, sim, um estreante, mas o pouco que conheço dele revela que é um sujeito muito talentoso e que promete competir de igual para igual com Barrichello. Vamos esperar para ver uma lutar limpa entre os dois.
É difícil saber onde estará a Williams no próximo ano. Mais uma vez, o regulamento igualou a todos com as mudanças técnicas. Torço por um bom ano para Nico e Rubens.

(Desenho feito por Eduardo Barrichello, representando seu pai na nova equipe; divulgado por Rubens Barrichello via Twitter)

Duende vermelho

Como se sabe, o duende vermelho Jean Todt é agora o homem que manda no automobilismo.
O estatuto da FIA, em seu artigo segundo, inciso III, dispõe que é objeto da Federação "promover o desenvolvimento do esporte a motor, atuando, interpretando, e tornando efetivas regras comuns aplicáveis à organização e administração de eventos de esporte a motor". Trata-se, portanto, de uma organização com fins, entre muitos outros, esportivos.
Este aqui é o novo presidente da FIA:




É, sem dúvida, o homem certo para a função.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Torcedores

O Sr. Luiz sempre comenta dos torcedores de futebol que se disfarçam de torcedores de Fórmula-1 aqui no Brasil - digo aqui no Brasil, pois não sei como é em outros lugares.
A primeira vez que fui a Interlagos ver F-1 pensei que iria encontrar um público "diferenciado", quer dizer, pessoas que realmente entendessem de automobilismo e que estivessem ali por gostar do esporte. Não é bem assim. A maioria não sabe nem quantas rodas tem o carro e, de fato, não dá para saber por quê gastam tanto dinheiro no ingresso. Bom, se é que gastam, pois às vezes tenho a impressão que só psicopatas como eu e meu pai é que pagamos (quer dizer, meu pai paga).
O vídeo abaixo é uma boa amostra do que se encontra. Vejam e comentem. Eu paro de comentar por aqui para não ser rude.




Amanhã escrevo mais sobre a corrida e o título de Jenson Button.

domingo, 18 de outubro de 2009

É esse aí que é o home


Ross Brawn é o home. A equipe Honda representava para a Fórmula-1 apenas um projeto frustrado com alguma tentativa de demonstrar consciência ecológica. Abandonaram o barco; Ross Brawn serviu-se de um bote salva-vidas e da grana deixada pelos japoneses, pintou os bólidos de branco e um amarelo duvidoso, botou seu nome na reta e pronto: campeão mundial de pilotos e construtores na temporada de estréia. Fantástico.
A equipe trabalhou na pré-temporada, mesmo sem saber se iriam ou não correr. E quando, na abertura da temporada, os carros brancos sem patrocínio fizeram dobradinha, foi realmente um momento muito bonito da Fórmula-1.
Agora, o ciclo se completa: Button campeão, Brawn campeã. Ao que tudo indica, vem Nico Rosberg, com a Mercedes por trás, rivalizar com Jenson. Uma dupla de pilotos que me parece forte.
Mas com a temporada 2010 vem também a pressão: manter o ritmo passa a ser obrigação, patrocínios não serão mero luxo, e os carros provavelmente não serão só brancos.
De todo modo, foi interessantíssimo ver um sujeito botar seu nome no carro, o carro na pista e vencer com os dois pilotos usando macacões sem estampas. Deu para sentir o gostinho de uma Fórmula-1 de outros tempos.

(Fonte da foto: Globo.com)

Austrália no topo


Mark Webber conquistou hoje em Interlagos sua segunda vitória na carreira e na temporada de 2009. Aliás, temporada essa que vai ficar marcada pelos ressurgimentos que proporcionou: Barrichello, da aposentadoria à briga pelo título; o próprio Button já estava esquecido até pelos compatriotas ingleses, após a aparição fantástica de Lewis Hamilton; e Webber, que no começo do ano teve um terrível acidente em uma prova de triatlo, em que fraturou ambas as penas e alguns outros ossos por aí, quase não treinou na pré-temporada e, ainda, teve que lidar dentro da equipe com a estrela ascendente e novo queridinho da Fórmula-1, Sebastian Vettel.
Webber está, por enquanto, com uma vitória a menos que Vettel. Acho que um dos dois tende a vencer em Abu Dhabi. Mas vai saber. Quando fiz meus prognósticos sobre o GP do Brasil, acabei errando quase tudo. Então, é melhor deixar previsões para a mãe Dinah.
Webber fez uma corrida consistente do começo ao fim, não deixou Barrichello disparar no começo, mesmo com carro mais pesado. Depois do primeiro pit-stop, foi só controlar e não fazer nenhuma bobagem.
Destaque também para a corrida de Robert Kubica, arrancando um importante segundo lugar, com um carro sabidamente abaixo da média.
Também Lewis Hamilton que, ao ultrapassar Barrichello, garantiu seu primeiro pódio em Interlagos.

(Fonte da foto: markwebber.com)

domingo, 4 de outubro de 2009

As voltas da história





















Dá ver alguma semelhança? Ah, eu acho que dá...

(Fontes das fotos: Globo.com e Total Poster)

Acaba em... Abu Dabi?

Com um breve lançar de olhos sobre o desempenho de carros e pilotos na corrida de hoje, pode-se notar que algo interessante pode acontecer com o campeonato nas duas últimas provas.
Os carros da Brawn não têm ritmo para andar na frente - pelo menos foi assim em Cingapura e Japão - e, continuando assim em Interlagos e Abu Dabi, Barrichello tende a perder o vice-campeonato para Vettel, que voou hoje. Quer dizer, aquele que tem sido apontado como o principal rival do inglês na briga pelo título pode até perder o segundo lugar.
É interessante que, se as coisas caminharem em São Paulo como caminharam em Suzuka, pode ser que o título chegue ainda em aberto a Abu Dabi, mas com Barrichello fora da disputa; Vettel pode vir a ser o adversário de Button na corrida final.
São apenas suposições, mas é o que os rendimentos dos carros têm demonstrado.
Na verdade, a minha torcida é para que Rubens possa vencer em casa, depois de tantos anos tentando. Ainda que Button consiga encerrar a disputa pelo título por aqui, uma vitória de Barrichello seria muito bonita para a torcida. Mas, infelizmente, não é essa a tendência. Tomara que eu esteja enganado.

Um passo para o paraíso


Com o resultado do GP do Japão, Jenson Button está muito perto do título. Ou melhor, muito perto ele já estava desde o GP da Turquia, quando ganhou sua sexta corrida na temporada. Agora, é só questão de confirmar matematicamente, o que pode acontecer no próxima corrida, no Brasil.
Mas o vencedor do dia foi Sebastian Vettel. Corrida perfeita, sem nenhum erro e andando muito, muito rápido, sem qualquer chance para ninguém. Tanto que nem mesmo um pequeno atraso em seu pit stop foi uma ameaça a sua vitória.
Vettel é genial, mas ainda muito inconstante. Quando começar a emendar bons resultados, estará pronto para ser campeão e, aí, ninguém segura mais. Sim, pode ser campeão ainda este ano, mas está bem difícil. Lembrando que ele só tem 22 anos...
Trulli foi fantástico, conseguindo um excelente segundo lugar "em casa" para a Toyota. Glock também havia ido muito bem em Cingapura, chegando também em segundo. O time japonês, de repente, passou a ser competitivo.
Hamilton ficou em terceiro, mais uma vez colocando a McLaren no pelotão da frente, apagando, definitivamente, a má fase do começo da temporada.
E Rubens Barrichello? Bom, para mim, qualquer chance de título, que já era pequena, foi para o espaço em Cingapura, quando Button marcou um ponto a mais que o brasileiro, terminando a ótima série de Rubens chegando a frente de Jenson.
O sétimo lugar de hoje foi o que deu para fazer. Barrichello perdeu muito ritmo após o primeiro pit stop, e não foi possível detectar qual a razão. Problema no carro? Problema de pneus? Mesmo depois, com o combustível mais baixo e pneus moles, não houve significativa melhora. De todo modo, foi importante chegar a frente de Button.
O inglês, aliás, fez uma boa corrida, com uma bela ultrapassagem sobre Robert Kubica e um ritmo consistente para chegar a ameaçar Barrichello pela sétima posição. Digo, ritmo consistente, considerando um carro mediano. Ainda contou com a sorte de o afobado Sutil ter encontrado Kovalainen no caminho, abrindo caminho para Jenson pular do décimo para o oitavo lugar, com pista limpa para fazer bons tempos antes do primeiro pit stop.
No mais, destaque para o bom final de semana de Heidfeld - com Kubica de malas prontas, só dá Alemanha dentro da BMW -, de Rosberg, com uma corrida interessante para chegar em quinto, e para o, por hora desempregado, Kimi Raikkönen, quarto colocado e ainda ameaçando Mark Webber pela quarta colocação no mundial, apenas 6,5 pontos atrás do australiano.

(Fonte da foto: National Post)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A Trinca

E a Prima Donna Fernando Alonso foi finalmente anunciado na Ferrari! Depois de muita especulação, os rumores foram confirmados e o asturiano vai vestir vermelho pelos próximos anos, no lugar de Kimi Raikkönen.
Vai ser interessante ver ele e Massa disputando dentro da mesma equipe. Se tiverem um tratamento razoavelmente igualitário, o circo tende a pegar fogo.
Massa tem prestígio na Ferrari; Alonso foi contratado a peso de ouro e traz consigo muito gente competente e de sua confiança. É esperar para ver.
A Prima Donna é um piloto forte dentro e fora das pistas, assim como era Michael Schumacher. Alonso, todavia, tende a ter uma vantagem: na época de Schumacher, o doende vermelho Jean Todt mandava só na Ferrari; nos tempos de Alonso, a tendência é que ele passe a mandar em toda a FIA. Se o francês dando ordens aos homens de Maranello fez a trinca Schumacher-Ferrari-Todt destruir toda a concorrência, imagine agora, mandando em toda Fórmula-1, o que a trinca Alonso-Ferrari-Todt não vai conseguir fazer?
Sim, estou sarcasticamente insinuando que coisas obscuras aconteceram (e acontecerão).

Parada definitiva

(Uma imagem vale mais que mil palavras?)

Nossa, vocês viram que o Briatore foi excluído de qualquer categoria da FIA? Pois é, o blog está mais atrasado que o Badoer, mas essa não pode passar em branco.
Briatore foi excluído e ainda não sei o que acho disso. Só sei que a pena para Pat Symonds deveria ter sido igual: os dois suspensos por 5 anos, ou os dois excluídos. Também não me agradou muito a imunidade dada a Nelsinho e muito menos o fato de a vitória não ter ficado com Nico Rosberg.
Com relação a Symonds, enquanto escrevo tenho em mãos uma revista F1Racing de agosto de 2007 em que o engenheiro desmente alegações de irregularidades no carro Benetton de 1994 e 1995. Quer dizer, ele trabalhou com Briatore em outros episódios suspeitos e, ao contrário do italiano, que é um comerciante que abriu uma lojinha na Fórmula-1, Symonds tem conhecimentos técnicos do esporte, uma longa carreira dentro das garagens e, por isso mesmo, deveria estar mais ciente da bobagem que estava fazendo.
E o Piquetzão falou que prefere perder a ter que trapacear. Gozado, mas eu me lembro de um carro Brabham com reservatórios de água enchidos na hora da pesagem e esvaziados na hora de correr, para que ficassem mais leves. Questão de interpretação de regulamento? Pode ser.
Mas gasolina adulterada, utilizada pelo tricampeão - e ele mesmo confirma - é trapaça. Gosto muito do Piquetzão, mas essa acho que não colou.
Pior de tudo é o Piquetzinho, que ajudou na maracutaia - sabe-se lá sob que condições - e não levou um troféu sequer para casa depois disso.

domingo, 20 de setembro de 2009

Uma parada

Se invés de um blog eu escrevesse uma revista, provavelmente só agora estaríamos chegando aos comentários sobre o GP de Monza. Então, vamos fingir que ainda não operou a preclusão temporal.
De todo modo, comentar a corrida em si, depois de tanto tempo, não faz mais sentido. Já se viu e leu tudo a respeito. Apenas ressalto que me surpreendi com a tática de apenas uma parada dar certo. A corrida em Monza é muito rápida, a volta em si é muito rápida, então normalmente não vale a pena andar com o carro mais pesado, já que não se perde tanto tempo em paradas de box. Basta lembrar do Raikkönen em 2007, que terminou a corrida tomando um segundo das McLarens de Hamilton e Alonso. No entanto, com um ritmo de corrida alucinante, os carros da Brawn fizeram a estratégia funcionar, e Barrichello garantiu seu terceiro triunfo em solo italiano.
Gostaria, ainda, de chamar atenção para o seguinte: eu sempre fui defensor de Barrichello enquanto piloto, e sempre tive grandes tormentos por conta disso. Contudo, após a vitória de Monza, sinto-me escusado de fazer qualquer comentário elogioso sobre o piloto brasileiro; o blogueiro oficial Flávio Gomes já o fez, em vídeo e texto. O mais interessante é que o blogueiro oficial não costuma tecer grandes elogios a Rubens, aliás, muito pelo contrário.
Se perguntam se valeu a pena ficar mais um ano, eis a resposta. Peço desculpas por não colocar o vídeo aqui no blog, mas a TViG não oferece mecanismo de incorporação.
Outra coisa interessante: por ironia do destino, Barrichello fará uma participação no programa global Casseta e Planeta Urgente!, nas próxima terça-feira. A vida é ingrata: eu parei de assistir a tal programa em 2000, justamente por causa das piadinhas de gosto duvidoso com Barrichello. Agora, o próprio vai estar lá... o mundo gira.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

As largadas de Barrichello

Como se sabe, Barrichello ficou parado três vezes este ano na hora da largada, e não há uma explicação dele ou da equipe para tanto.
Contudo, Luciano Burti, amigo de Barrichello e comentarista da Globo, afirmou hoje no Globo Esporte que a equipe confirma que Rubens tem feito o procedimento correto de largada, e que há, na verdade, alguma coisa com o carro que precisa ser investigada.
No vídeo abaixo, Burti comenta o caso Renault/Nelsinho, o caso Barrichello/largada e a volta de Felipe Massa às corridas, que deve ficar, mesmo, para o próximo ano.
Ah, nós não vemos esse quadro do Burti porque ele não é transmitido para São Paulo e Minas Gerais.


Gelo e SPQR


Com mais atraso do que a largada do Barrichello, vamos ao GP da Bélgica.
A chuva esteve presente em Spa-Francorchamps, mas não chegou a influenciar os treinos classificatórios e a corrida. Eu não consigo imaginar como teria sido caso a chuva tivesse caído no sábado à tarde. Se o grid ficou todo invertido no seco, imagine se estivesse molhado.
O romano Giancarlo Fisichella surpreendeu a todos com uma pole completamente inesperada. Se um carro da Force-India passa para o Q2, é um resultado fantástico; se passa para o Q3, nossa, é um sonho! Quem dirá fazer uma pole-position. E o espanto foi ainda maior quando os pesos dos carros foram divulgados: Fisichella não era o carro mais leve do grid. Mais leve do que ele estava Rubens Barrichello, que largaria em quarto, demonstrando que ele e a Brawn não encontraram o melhor equilíbrio no asfalto belga.
E eu não sei que espécie de desequilíbrio fez com que Rubens, pela terceira vez no ano, não conseguisse arrancar no apagar das luzes. Se é um erro do piloto ou se um problema congênito de seu BGP 001, só ele e o engenheiro podem saber. Dizer que a falha é humana ou da máquina seria meramente um chute.
No vídeo do post abaixo, dá para ver que o carro pula e depois entra em ponto-morto já em movimento. O Luciano Burti, na transmissão da TV, informou que é um programa que impede que o carro morra quando o giro cai muito. Será que Rubens acelera pouco para lagar? Ou solta a embreagem muito rápido?? Pessoalmente, não creio que um piloto com trocentos anos de Fórmula-1 possa cometar erros assim. Pode até ser que seja erro dele, mas talvez haja um segredinho para largar que não conhecemos.
O fato é que, depois que o carro andou, a corrida de Barrichello foi até muito boa. Contornando a primeira curva em último, logo ultrapassando vários carros, com a faca nos dentes, como se pode ver na câmera onboard. Gostei de vê-lo combativo.
Os dois pontos foram importantes, mas com o abandono de Jenson Button, era dia para tirar mais diferença, para dar aquela "apimentada" no campeonato.
Button dificilmente vai perder, mas a sua enorme falta de performance desde Silvertone pode possibilitar uma aproximação perigosa das Red Bull. O inglês foi terrivelmente mal nos treinos de sábado, largando em décimo quarto. Sair lá no meio do pelotão, com a La Source logo à frente, em seguida a Eua Rouge e depois a reta para a Les Combes tem sempre uma grande probabilidade de dar merda. E deu mesmo.
Grosjean cantou de galo dizendo que a culpa pela batida foi de Button, mas não é o que parece. Esse franco-suiço, aliás, protagonizou um incidente na GP2, no circuito de Hungaroring, em que colidiu de forma ridícula com Franck Perera, causando a abandono dos dois da qualificação. Perera procurou Grosjean por explicações e ouviu dele: "Quem é você?". Esse acidente da GP2 pode ser visto aqui.
Parece que, no caso com Button, o inglês já estava no contorno da curva quando Romain o acertou no pneu traseiro. Ou seja, a preferência era de Button e quem tinha de esperar era mesmo Grosjean.
Button está sob pressão, mas seus adversários não estão tão eficientes para tirar a diferença. Parece que só verá o título ameaçado se Webber, Vettel ou Barrichello emendarem vitórias nestas cinco corridas que faltam. A Red Bull, contudo, enfrenta problemas de limitação de motores, enquanto a Brawn já não tem o mesmo ritmo do começo do ano, o que dificulta as coisas para o brasileiro. É esperar para ver.
Vettelzinho voltou a fazer alguma coisa em corrida no último final de semana. Largou em oitavo e chegou ao pódio com muita competência, mostrando um pouco do brilho que o tornou um dos pilotos mais cotados do grid. Andou mais que Webber, que, aliás, ficou apagado tanto em Valência quanto em Spa.
E o Luca Badoer? Apelidado pelos ingleses de Look howBadyouare, o italiano deve ter feito sua última corrida na Ferrari, e provavelmente na Fórmula-1, com uma atuação abaixo da média, chegando em último lugar dirigindo o mesmo carro que venceu a corrida.
Mas os grandes nomes do fim de semana só poderiam ser Kimi Raikkönen e Giancarlo Fisichella. Uma boa atuação do finladês em Spa já era até esperada. Como já dito por aqui, dos que alinharam no domingo ele era o único a já ter vencido em Spa. É uma pista em que ele é especialista e já teve atuações de gala lá, como sua vitória sobre Schumacher em 2004, tendo largado em décimo e tirado leite de pedra para superar a Ferrari, muito superior a sua McLaren àquela altura.
O Homem de Gelo é um piloto fantástico, mas que se apaga por não estar nem aí para nada. É o jeito dele. Mas, em um dia inspirado, é um piloto difícil de ser batido. Creio que, de sua geração, é o maior potencial, mas ele mesmo não liga muito para isso, tanto que há rumores que o colocam no WRC no próximo ano.
Mas Fisichella foi fantástico. Correndo com o carro indiano, qualquer pontinho seria maravilhoso. O romano fez muito mais, e arrisco-me a dizer que só não venceu porque a Ferrari conta com o KERS. O dispositivo ajudou Raikkönen a ultrapassá-lo na relargada e impediu que ele pudesse recuperar a posição, muito embora tenha andado o tempo todo no ritmo da Ferrari.
Uma atuação de gala de Fisichella, talvez a melhor de sua carreira, junto com a vitória no GP da Austrália de 2005. Só que, naquela ocasião, ele contava com o melhor carro; domingo, muito longe disso.
O que fez a Force-India andar tanto é um mistério. Se acharam algo no carro, acertaram direitinho a relação arrasto/downforce, não dá para saber. Talvez, o motor Mercedes tenha ajudado bastante, mas não é só isso. E, infelizmente, não sou eu quem pode saber.
O fato é que talvez tenha sido o canto do cisne do romano. Com 37 anos, uma carreira sem lá grande brilho, é provável que Fisichella, em breve, pendure o capacete.
Entretanto, boatos o colocam na Ferrari no GP de Monza, já que o time de Maranello deve dispensar os inestimáveis serviços de Luca Badoer. É conhecido o sonho de Fisichella de guiar o carro vermelho e também é conhecido a vontade de que um piloto italiano tenha sucesso a bordo da Ferrari. Depois do GP da Bélgica, torço mesmo para que isso aconteça. E que o cisne cante mais um pouquinho.


segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Como viram a largada

Cada vez é mais raro encontrar vídeos de Fórmula-1 no YouTube, pelo menos dos mais recentes, já que a FOM (Formula One Management) dá um jeito de tirar tudo do ar por questões de copyright.
Mas, antes que eles ajam, ainda é possível ver este aqui: a largada para o GP de Spa-Francorchamps de ontem onboard com Barrichello, Raikkönen, Button e Hamilton.
A largada de Barrichello, depois que o carro anda, é muito interessante, lembrando que ele não tem KERS.
Para citar a fonte, vi o vídeo, ontem, nas dependências do blogueiro oficial Flávio Gomes.
Mais sobre Spa mais tarde.
Aí vai o vídeo:


sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A carniça e os urubus

A Fórmula-1 é um ambiente podre: bastou um desempenho ruim - tudo bem, péssimo - de Luca Badoer para que pilotos em atividade, em mais ou menos atividade ou parados passassem a criticar o italiano, cobiçando seu lugar no carro vermelho.
Badoer foi muito mal, muito pior do que eu esperava. Confesso que torcia para que ele fizesse seus pontos na Fórmula-1. O italiano detém um recorde negativo: é o piloto que mais vezes largou sem marcar um ponto, tendo andado sempre com carros lentos - Lola e Minardi.
A ocasião em que esteve mais próximo de pontuar foi naquele famoso GP da Europa, em Nurbürgring, em 1999. Badoer trazia sua Minardi, bravamente, na quarta posição, quando o motor falhou e ele foi forçado a abandonar faltando poucas voltas para o fim.
Aliás, aquela foi uma de suas últimas corridas na Fórmula-1 antes de substituir Felipe Massa. Honestamente, não há muito o que dizer sobre Badoer: não competia há dez anos e é um piloto de testes em uma época em que testes estão proibidos; é certo, contudo, que a Ferrari talvez devesse ter pensado melhor a substituição de Massa, já que teve muito tempo para isso entre os GPs da Hungria e Valência. Pelo visto, eles só foram atrás de Schumacher e, como não deu certo, coloram o Badoer lá.
Uma coisa é trazer de volta o heptacampeão que não corre há três anos; outra coisa é um piloto que não compete há dez anos - dez anos! - e que não tem um ponto sequer no currículo. Um alvo ideal para os urubus.


(Badoer lamenta os pontos perdidos em Nurbürgring, 1999)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Spa-Francorchamps (que agora não é mais estrada)

Continuando com o "Sinal Verde" - gostei da comparação - pré-GP da Bélgica.
Spa-Francorchamps é, muitas vezes, palco de corridas excelentes, pela dificuldade da pista e instabilidade do clima. Às vezes começa tudo molhado depois seca; às vezes, tudo seco, depois molha; e muitas outras, fica sempre molhado mesmo...
Em 2000, tivemos lá um dos episódios mais marcantes dos últimos dez anos da Fórmula-1. Foi uma ultrapassagem que entrou para a história do esporte como uma das mais belas e difíceis. O GP começou no molhado, com largada atrás do safety-car. Mika Häkkinen e Michael Schumacher lutavam equilibradamente pelo campeonato. Tal equilíbrio, contudo, não parecia estar presente em Spa-Francorchamps. Häkkinen fez a pole-position, a terceira consecutiva na pista belga, em busca de sua primeira vitória em Spa; Schumacher fez apenas o quarto tempo, atrás de Jarno Trulli, com a Jordan e o estreante Jenson Button, com a Williams.
No começo da corrida, com a pista molhada, mas já secando, Schumacher superou Button e Trulli, partindo à caça de Häkkinen.
A pista foi secando e Schumacher conseguia alguma aproximação sobre Häkkinen. O finlandês sucumbiu à pressão e rodou após o pit-stop para troca para pneus slicks, retomando o percurso aproximadamente 5 segundos atrás do alemão.
Häkkinen, contudo, tinha um stint mais longo e fez seu primeiro pit-stop estratégico bem mais tarde em relação a Schumacher. Quando parou, estava uns 16 segundos mais adiantado.
Após as trocas de pneus e reabastecimentos, Schumacher e Häkkinen estavam em primeiro e segundo, respectivamente, com o finlandês tirando a diferença para o alemão, aparentemente por ter um carro mais adaptado às condições de pista daquele momento. O asfalto já se encontrava seco por inteiro e sol iluminava certas partes do circuito.
Faltando cinco voltas para o fim, Häkkinen encostou de vez no líder. Na reta Kemmel, a vantagem de velocidade final da McLaren em relação à Ferrari estava evidente, e Häkkinen, procurou um caminho para ultrapassar Schumacher na entrada da curva Le Combes; o alemão, como de costume, forçou o finlandês para o lado de dentro, deixando-o sem passagem e obrigando-o a recolher.
A corrida estava no fim e Häkkinen, se quisesse vencer, não poderia perder muito tempo. Na volta seguinte, na mesma reta Kemmel, Häkkinen encostou muito em Schumacher na saída da Eau Rouge. Contudo, havia Ricardo Zonta, retardatário, bem no meio da pista, deixando o lado de fora do traçado para Schumacher passar. O normal seria que Häkkinen recolhesse, ultrapassasse Zonta, e tentasse de novo na próxima volta. Mas não foi assim. Mika colocou o carro por dentro de Zonta, arriscando tudo em uma manobra muito corajosa. Havia apenas um "buraquinho" entre o carro de Zonta e a grama, e Häkkinen conseguiu se encaixar ali, superando o brasileiro a tempo de colocar o carro no ponto mais adequado para a tangência da Le Combes.
Após a manobra, ao avistar Häkkinen, Schumacher move sua Ferrari bruscamente para o lado de fora, revelando, talvez, alguma surpresa com a presença do finlandês ali. Bom, a surpresa foi justificada...
Muito melhor do que minha terrível descrição, é ver as imagens.
O primeiro vídeo contém a primeira tentativa de ultrapassagem, onboard com Häkkinen, bem como a tentativa que deu certo, onboard e por fora. O narrador diz, em espanhol, "menos mal que Zonta não se moveu". Pois é.





Este segundo vídeo mostra o ponto de vista de Ricardo Zonta. Aqui, dá para perceber bem que havia pouco espaço para Mika.
Nota-se, também, que Zonta olha para o espelho esquerdo apenas uma vez. Como o próprio Zonta afirmou após a corrida, ele não percebera a aproximação de Häkkinen, já que, pelo retrovisor, só dava para ver Schumacher, que estava na frente. Realmente, não dá para ver muita coisa pelo retrovisor de um Fórmula-1 que, além de ser pequeno, tem o campo de reflexão limitado a uma fresta no aerofólio.




E para quem chegou até aqui, e tiver curiosidade, abaixo está a entrevista após a corrida, com as palavras de Häkkinen e Schumacher sobre a corrida e sobre a manobra de Mika. É engraçado ver o finlandês falar, com seu sotaque peculiar.
Interessante ver Schumacher preocupado com o campeonato, já que, com essa vitória na Bélgica, Häkkinen abrira 6 pontos de vantagem para o alemão, faltando apenas Monza, Indianápolis e Suzuka para o fim da temporada. Mas, como todos sabem, o título acabou mesmo nas mãos de Schumacher, seu tricampeonato, a respeito de que falaremos mais oportunamente.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A estrada entre Francorchamps, Malmedy e Stavelot

No próximo domingo, ocorrerá o Grande Prêmio da Bélgica de Fórmula-1. Para mim, um dos eventos mais esperados do ano.
Originalmente, a pista tinha praticamente 15 km, percorridos em velocidades altíssimas. Esse percurso recebeu corridas de 1924 a 1939. Após a guerra, as corridas voltaram ao circuito, agora um pouco modificado, mas ainda enorme para os padrões atuais: 14,120 km.
A partir de 1979, contudo, a pista foi encurtada, e tal traçado abriga, praticamente intacto, as corridas de Fórmula-1 na Bélgica até hoje.
O moderno Spa-Francorchamps ainda é bem maior que a maioria das pistas, com aproximadamente 7 km por volta. Monza, por exemplo, que também é um dos maiores, tem 5,7 km. A pista, apesar de ter metade da distância dos tempos áureos, conserva grandes desafios para carros e pilotos, como os trechos da Eau Rouge e de Blanchimont.
Vencer em Spa-Francorchamps é uma honra que nem todos os pilotos, ainda que campeões, conseguem. A Prima Donna Fernando Alonso, por exemplo, ainda não venceu em terras belgas na Fórmula-1. Dos pilotos em atividade, apenas Kimi Raikkönen, especialista no circuito, e Felipe Massa venceram o GP da Bélgica. Raikkönen, aliás, já venceu 3 vezes por lá em seqüência, e se tivesse vencido no ano passado, como quase o fez, teria igualado Ayrton Senna, que venceu o GP consecutivamente entre 1988 e 1991. O maior vencedor do GP, contudo, é Michael Schumacher, com 6 vitórias no bolso; Senna vem logo depois com 5; Jim Clark tem 4 triunfos.
Para finalizar, vejam o vídeo abaixo: fantástica filmagem feita para o não menos fantástico filme Grand Prix, do diretor John Frankemheimer. O filme tem as melhores tomadas onboard que já vi, feitas usando técnicas interessantíssimas. Frankernheimer, inclusive, fez com que os atores aprendessem a pilotar, para que as tomadas fossem as mais reais possíveis. Eles não dirigiram carros de Fórmula-1, mas de Fórmula-3; há, também, tomadas feitas durante as corridas, o que confere ao filme um realismo fora do comum.
As imagens abaixo foram feitas durante o GP de 1966, no traçado de 14,120 km, e na segunda-feira seguinte ao GP, que foi vencido por John Surtees, da Ferrari. Realmente choveu durante as filmagens, e algumas das rodadas que se vêem foram protagonizadas pelos atores/pilotos.
Impressiona ver a proximidade com que os carros passam em relação às casas. Eram os padrões de segurança de outros tempos...
Sem mais palavras, aproveitem o vídeo! E aproveitemos a corrida no domingo.


domingo, 23 de agosto de 2009

Atualizando Barrichello

Talvez Barrichello deixe a Fórmula-1 sem um título mundial, mas, certamente, teve uma carreira excelente, contruída com muito esforço.
Alguns números de Rubens após sua décima vitória na categoria máxima do automobilismo:

10 vitórias, o que o coloca ao lado de Ronnie Peterson, James Hunt e Gerhard Berger na história da Fórmula-1;

67 pódios, quarto maior número da história, atrás apenas de Michael Schumacher (154), Alain Prost (106) e Ayrton Senna (80);

584 pontos na carreira, também quarto maior, atrás de Michael Schumacher (1.368), Alain Prost (798,5) e Ayrton Senna (614).

A fonte dos números é o site Portal Brasil - tomara que esteja tudo certo!
Vê-se que Rubens tem sólidos números na Fórmula-1, colocando-se, em alguns quesitos, em uma posição realmente boa, atrás apenas dos três maiores monstros da história da categoria. Desejamos que ainda haja mais por vir!

O número é 100

Minhas colocações podem ser repetitivas em relação àquelas já feitas por meu pai, mas acho que valem a pena algumas palavras.
Rubens Barrichello conquistou a centésima vitória de um piloto brasileiro na Fórmula-1 em um GP cercado por algumas curiosidades.
A primeira delas é que o GP da Europa foi o que, nesta temporada, menos chances ofereceu, em termos de probabilidade, para que pilotos brasileiros vencessem. Isso porque dos habituais três representantes verde-amarelos, apenas Barrichello alinhou no grid em Valência.
Outro dado interessante, como já chamou atenção meu pai, nas duas edições da prova de rua espanhola (européia?) venceu um brasileiro: em 2008, Felipe Massa, e este ano, Rubens Barrichello. Mas, de certa forma, Massa esteve na ponta nas duas provas: no ano passado porque venceu, e este ano pela bonita homenagem que lhe prestou Barichello, que pintou o topo do seu capacete com a frase "Felipe, see you on track soon" (te vejo na pista em breve).
Por fim, a vitória brasileira de número 100 aconteceu pelas mãos daquele que reiniciou os triunfos nacionais após a era Senna. Em 2000, quando Rubens venceu sua primeira corrida na Fórmula-1, naquele memorável GP da Alemanha, o Brasil estava estagnado havia 7 anos nas 79 vitórias. A última havia sido, justamente, a vitória de Ayrton Senna no GP da Austrália de 1993. Nove anos depois, Barrichello crava sua décima vitória, que, somada às 14 de Emerson Fittipaldi, à única de José Carlos Pace, às 23 de Nelson Piquet, às 41 de Senna, às 11 de Felipe Massa e às outras 9 do próprio Barrichello, colocam o Brasil entre os países cujos pilotos atingiram cem vitórias. Creio, pelo conjunto da obra e pela corrida de hoje em si, que a marca está em boas mãos.

A corrida de hoje não foi das mais emocionantes, mas não deixou de ser interessante por isso: havia dois "novatos" para observar - Badoer não é, exatamente, novato, mas não alinhava no grid desde 1999, enquanto Grosjean não havia testado o carro da Reunault este ano -, Red Bull e Brawn continuariam se pegando pelo campeonato, e a McLaren em uma ascensão até surpreendente, despontando como favorita para o final de semana.
Badoer não foi muito melhor do que havia sido nos treinos; foi até penalizado com um drive through por ter "queimado" a linha branca na saída dos boxes. Foi até pior do que os realmente novatos Grosjean e Alguersuari. Esses, por outro lado, não sofrem a pressão de estar em uma Ferrari, possivelmente na última chance da carreira de mostrar serviço.
Grosjean não prejudicou, mas não andou mais do que andaria Nelsinho Piquet. Cometeu um erro em uma freada, mas corrigiu de forma até bonita para não bater no muro. Não dá para dizer muita coisa ainda, já que fez apenas sua primeira corrida e só havia andado em linha reta com o carro até este fim de semana.
Se houve alguma emoção, foi no momento da "disputa" entre Rubens Barrichello e Lewis Hamilton. Tudo bem, não houve disputa de freadas, manobras de ultrapassam, nada nem perto disso. Mas foi bonito a maneira como alternaram voltas rápidas até a parada desastrosa do inglês para seu segundo pit-stop.
Não tenho certeza de que o erro da McLaren tenha sido determinante no resultado final da corrida. Claro que foi uma grande mão para Rubens assumir a ponta. Mas é possível que ficasse em primeiro mesmo sem o atraso de Hamilton. Barrichello perdeu 20s972 em seu primeiro pit-stop, enquanto Lewis perdeu 22s218; no segundo, Barrichello perdeu 19s021, enquanto Hamilton perdeu 25s599. Como parou antes de Barrichello as duas vezes, talvez Hamilton tivesse de fazer um segundo pit-stop mais longo que o brasileiro, ainda que sem o erro da equipe, fato que poderia ser suficiente para que Rubens tomasse a ponta. Mas é chute; não dá para saber e, certamente, teria sido muito mais apertado sem o erro da McLaren.
De todo modo, Barrichello foi muito feliz ao longo de todo final de semana, a começar pela pintura em homenagem ao Felipe Massa em seu capacete. No sábado, botou tempo em Jenson Button, mesmo tendo mais combustível no carro; abdicou da briga pela pole conscientemente, já que sabia do maior potencial de largada da McLaren em relação à Brawn, pela utilização do KERS. Largou com mais peso, fez tudo certo até assumir a ponta e administrar a vantagem construída.
Button, para mim, foi o ponto negativo da corrida, juntamente com Mark Webber. Os dois principais postulantes ao título se apagaram nas posições intermediárias. Button ainda conseguiu dois pontinhos de refresco, enquanto Webber não obteve nenhum.
Vettel, o quarto postulante, sofreu com uma quebra de motor, mas, ainda sim, foi muito elegante ao parar o carro exatamente na abertura do muro, para que o carro fosse imediatamente retirado do caminho dos demais. Seu rendimento anda muito irregular e o alemãozinho vai ter que acertar a mão para continuar na briga pelo campeonato.
Já o inglês da Brawn vai para a Bélgica enfrentando uma certa pressão: andou muito mal nas últimas corridas e teve um desempenho muito apagado diante de uma corrida praticamente perfeita de Barrichello. Vai ter que se impor em Spa-Framcochamps para impedir um eventual progresso do brasileiro na tabela do campeonato.
Destaque, também para Kimi Raikkönen, em mais um pódium para a Ferrari, em uma atuação discreta, mas muito eficiente, após uma excelente largada, pulando de sexto para quarto, chegando a ameaçar Barrichello pelo terceiro.
Por fim, sem me alongar muito mais, um último destaque: foi particularmente interessante o duelo entre Hamilton e Barrichello pela circunstância de o brasileiro ser o "decano" do grid da Fórmula-1, com 37 anos e 280 largadas nas costas, enquanto Hamilton, com apenas 24 anos, já tem um título na carreira com apenas 46 largadas. Chama a atenção o preparo físico de Barrichello, já que o calor em Valência estava forte, a pista de rua é razoavelmente exigente, e ele aguentou realmente bem.


(Foto enviada por Rubens Barrichello via Twitter)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Boas Novas!

A FIA divulgou nesta quarta-feira as regras para o campeonato de Fórmula-1 do ano que vem.
As alterações não são radicais, mas terão grande relevância. Vamos às duas principais:

1) Não haverá mais reabastecimento ao longo da corrida. O piloto deverá largar com o combustível suficiente para chegar; como nos velhos tempos;
2) Os treinos de qualificação ainda serão divididos em três partes. Contudo, a última delas, o Q3, não exigirá que se faça a volta rápida com o combustível da corrida. Então, é tanque vazio e pé na tábua.

O sistema de pontuação foi mantido, assim como a possibilidade de se usar o KERS e a proibição dos testes intra-temporada.
Muito positivas as alteraçõs com relação ao reabastecimento e ao Q3. Qualificação serve, justamente, para que o piloto mais rápido se sobressaia, não para que o carro mais leve largue na frente. É muito mais bonito ver os caras descendo o chinelo com o carro nas melhores condições para tanto. Acho, ainda, que a regra de não se poder mexer no carro do sábado para o domingo deveria ser revista. Assim, poderia haver mais surpresas na corrida, caso a equipe consiga achar alguma coisa trabalhando no carro.
A proibição do reabastecimento pode tornar as corridas ainda mais interessantes. A estratégia vai ter que ser melhor pensada; quer dizer, o piloto terá que pensar melhor a sua estratégia, sua abordagem de corrida, acerto do carro etc. Isso porque saber lidar com a diferença entre o comportamento do carro pesado no começo da corrida e do carro leve no fim exige habilidade. Pode-se ter um carro muito bom mais pesado e não tão bom leve, ou vice-e-versa. Isso pode ocasionar aquelas perseguições do meio para o fim da corrida que me parecem bem interessantes. Sem o reabastecimento, o controle de desgaste dos pneus passa a ser mais refinado, já que é preciso tomar cuidado para não acabar com eles ainda com o tanque cheio.
Aliás, justamente o desgaste de pneus pode ser um ponto interessante: sem precisar abastecer, podemos ter aquelas tentativas malucas de terminar uma prova sem pit-stop, o que pode levar a resultados surpreendentes. Veja-se, por exemplo, o GP do México de 1986, vencido por Gerhard Berger, utilizando uma combinação de pneus duros e macios no carro e fazendo-os durar até o fim da prova - interessante a Benetton de Berger utilizava pneus Pirelli; também em Paul Ricard, 1990, Ivan Capelli e Maurício Gugelmin tentaram levar seus Leyton House até o fim sem troca de pneus; Gugelmin abandonou com problemas de motor quando estava em terceiro, enquanto Capelli só não venceu porque teve problemas com motor há 3 voltas do fim, sendo superado por Alain Prost, com a Ferrari. O italiano, mesmo assim, terminou em segundo.
As perspectivas para a temporada 2010 não poderiam ser melhores: com 26 carros no grid e esse novo regulamento, a Fórmula-1 vai voltando a ter cara de Fórmula-1.

Ah, 26 carros no grid, sim, porque a BMW-Sauber, visando repassar o espólio a um comprador, confirmou a inscrição para a próxima temporada.