sexta-feira, 21 de agosto de 2009

CHAMPÃ NA BUZANFA

Esta foto dos pilotos da moto GP comemorando o final da corrida no pódio trazendo para a cena a buzunfa da motogirl demonstra que pode haver vida nesses oficiais momentos. Lembro que desde o início das transmissões da F1 para o Brasil víamos alguns micos pagos pelos vencedores. As coroas de louros eram famosas por teimarem em escorregar da cabeça. Não sei de quem foi a brilhante idéia de passar a imagem de deuses da velocidade. Como se Mercúrio enfiasse um capacete na cabeça e saísse em disparada com um F1. Certamente, a pé ele seria mais rápido. Os pódios eram freqüentados por meninas bonitas que entregavam troféus ou ficavam de bobeira chamando mais a atenção que os feiosos de macacão. No Brasil, se não me engano em 1979, uma delas catou o Jackie Lafitte, vencedor do GP e tascou-lhe um beijão de língua (pelo menos eu pensei que fosse). Depois disso saiu pelada na Playboy (ela, bem entendido). Hoje em dia os pilotos desempenham um papel que beira o ridículo. Saem do carro e uma câmera vai atrás deles na preparação para a ida ao pódio. Não podem nem dar um pulinho no banheiro. Lá no pódio ouvem hinos, agüentam veios que entregam troféus que lembram o logotipo do patrocinador, sorriem para os desafetos, tiram fotos com os desafetos e etc. Nem assisto mais a entrega da premiação. Sei o script de cor. Por tudo isso adorei a champã na buzanfa. É pena que o Valentino Rossi não encare um F1. A diversão estaria garantida.



Pequena (mas importante) pausa

Peço desculpas, pois o assunto agora não é automobilismo.
O fato de me propor a escrever sobre corridas, principalmente sobre Fórmula-1, como forma de hobby, não exclui, aliás, infelizmente, que haja outras preocupações.
Aqui está o link para o texto de um amigo meu que mantém um excelente site. Eu não preciso dizer mais do que está lá. Basta ler.
É uma questão que nos angustia há alguns anos: uma instituição privada aproveita-se do espaço de uma universidade pública altamente qualificada e qualificadora para realizar seu marketing, suas contratações, angariar alunos de graduação a preço de banana para trabalhar em suas reedições e pesquisas, além - e o que é pior - de detratar a Facvldade dentro de seu próprio espaço.

“Perdoai-me, leitor, se até agora
Nada vos tenho dito a meu respeito,
Quando esta história passa-se era moço
E estudava a ciência do direito.

Pode bem ser que o livro não abrisse,
Que não votasse amor à sábia casta,
Mas tinha o nome inscrito entre os alunos
Da Escola de São Paulo e é quanto basta.“

(Fagundes Varela, Parêntesis – Arcadas, década de 1860)


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Boas Novas!

A FIA divulgou nesta quarta-feira as regras para o campeonato de Fórmula-1 do ano que vem.
As alterações não são radicais, mas terão grande relevância. Vamos às duas principais:

1) Não haverá mais reabastecimento ao longo da corrida. O piloto deverá largar com o combustível suficiente para chegar; como nos velhos tempos;
2) Os treinos de qualificação ainda serão divididos em três partes. Contudo, a última delas, o Q3, não exigirá que se faça a volta rápida com o combustível da corrida. Então, é tanque vazio e pé na tábua.

O sistema de pontuação foi mantido, assim como a possibilidade de se usar o KERS e a proibição dos testes intra-temporada.
Muito positivas as alteraçõs com relação ao reabastecimento e ao Q3. Qualificação serve, justamente, para que o piloto mais rápido se sobressaia, não para que o carro mais leve largue na frente. É muito mais bonito ver os caras descendo o chinelo com o carro nas melhores condições para tanto. Acho, ainda, que a regra de não se poder mexer no carro do sábado para o domingo deveria ser revista. Assim, poderia haver mais surpresas na corrida, caso a equipe consiga achar alguma coisa trabalhando no carro.
A proibição do reabastecimento pode tornar as corridas ainda mais interessantes. A estratégia vai ter que ser melhor pensada; quer dizer, o piloto terá que pensar melhor a sua estratégia, sua abordagem de corrida, acerto do carro etc. Isso porque saber lidar com a diferença entre o comportamento do carro pesado no começo da corrida e do carro leve no fim exige habilidade. Pode-se ter um carro muito bom mais pesado e não tão bom leve, ou vice-e-versa. Isso pode ocasionar aquelas perseguições do meio para o fim da corrida que me parecem bem interessantes. Sem o reabastecimento, o controle de desgaste dos pneus passa a ser mais refinado, já que é preciso tomar cuidado para não acabar com eles ainda com o tanque cheio.
Aliás, justamente o desgaste de pneus pode ser um ponto interessante: sem precisar abastecer, podemos ter aquelas tentativas malucas de terminar uma prova sem pit-stop, o que pode levar a resultados surpreendentes. Veja-se, por exemplo, o GP do México de 1986, vencido por Gerhard Berger, utilizando uma combinação de pneus duros e macios no carro e fazendo-os durar até o fim da prova - interessante a Benetton de Berger utilizava pneus Pirelli; também em Paul Ricard, 1990, Ivan Capelli e Maurício Gugelmin tentaram levar seus Leyton House até o fim sem troca de pneus; Gugelmin abandonou com problemas de motor quando estava em terceiro, enquanto Capelli só não venceu porque teve problemas com motor há 3 voltas do fim, sendo superado por Alain Prost, com a Ferrari. O italiano, mesmo assim, terminou em segundo.
As perspectivas para a temporada 2010 não poderiam ser melhores: com 26 carros no grid e esse novo regulamento, a Fórmula-1 vai voltando a ter cara de Fórmula-1.

Ah, 26 carros no grid, sim, porque a BMW-Sauber, visando repassar o espólio a um comprador, confirmou a inscrição para a próxima temporada.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Ultrapassar a qualquer custo

Três semanas sem corridas é muita coisa.
Esquentando os motores para o GP da Europa, achei por acaso este fantástico vídeo. É uma compilação de ultrapassagens do primeiro finlandês voador Keke Rosberg.
Eu não gosto muito das musiquinhas em vídeos de carros: quem gosta de corrida gosta de barulho de motor. Mas é bom assim mesmo.
Dispensa maiores apresentações. Aproveitem!




Esse vai para meu grande amigo, cuja origem está na baía vizinha ao país de Rosbeg - deve ser comum aos escandinávos gostar de ultrapassagem a qualquer custo.

domingo, 16 de agosto de 2009

O Leão

Em tempos de proibição de testes e do retorno frustrado de Michael Schumacher à Fórmula-1, foi bastante interessante encontrar no YouTube este vídeo com um teste de Nigel Mansell em ser retorno à categoria em 1994.
Mansell venceu o campeonato de 1992 e, em 1993, tranferiu-se para a Fórmula-Indy, sendo campeão por lá de forma arrasadora em seu ano de estréia.
Após a morte de Ayrton Senna, a Williams havia colocado David Coulthard para ocupar o carro número 2 da equipe. Entretanto, contratou Nigel Mansell para fazer o GP da França e as três últimas corridas da temporada. Mansell acabou vencendo o GP da Austrália, última corrida do ano, que coroou o primeiro título da carreira de Schumacher, com aquela já tão conhecida manobra sobre Damon Hill.
Interessante no vídeo abaixo é ver: 1) um carro de Fórmula-1 em Brands Hatch (não há corridas de F-1 lá desde 1986); 2) um carro de Fórmula-1 andando devagar (Mansell aliviou nas primeiras voltas, é claro); 3) o público lotando as arquibancadas para ver um teste; 4) Mansell é um espetáculo por si só.
Aproveitem!




A parte dois está aqui.

sábado, 15 de agosto de 2009

RONCO

Como já relatei em outros posts algo que impressiona o assistente quando vai ao autódromo é o ronco do motor.
Sentimos o som no estômago. Pela TV ou coisa que o valha não é possível dimensionar toda a potência da manada de cavalos que são soltos quando o piloto pisa fundo.
No youtube existem alguns videozinhos on board que são legais porque, principalmente, não temos aquela narração buena tão irritante que nos aflige durante a transmissão global.
Este vídeo é particularmente interessante porque o Niki (Mickey) Lauda usa, no início, o motor como uma buzina tamanho é o congestionamento dentro dos boxes.Pessoas, carros, sapos, fiscais e seus trejeitos carnavalescos e tudo o mais. Só faltou o chamado flanelinha a pedir "cinco real" para ajudar o Lauda a sair da bagunça. Nada que lembre o ambiente hospitalar de hoje. Provavelmente pediram a ele que andasse mais devagar por causa da câmera (deve ser daquelas antigas e não as mini de hoje) porque ele está sempre rodeado de carros e não vai tão fundo assim no acelerador. Vale pelo ronco do motor Alfa e pelo carro que usava um ventilador para sugar o ar pressionando o carro contra o solo. Depois de arrasar no GP da Suécia em 1978 a Brabham BT-46 acabou banida. Segue o link para o vídeo e de lambuja uma foto da traseira do carro e seu discreto ventilador.



MONEY

Todos sabemos que a mola (êpa) mestra do mundo é o money. Se acompanhado de um pouco de fama melhor para o ego.
Na F1 não é diferente. Ao acompanharmos as transmissões nos acostumamos em ver no vídeo famosos e nem tanto fazendo pose de entendido nos boxes. Quando não, atrapalhando mesmo.
Durante um tempo víamos o empresário alemão do alemão Schumacher que sabe apertar o da direita Willi Weber nos boxes da Ferrari. Apesar do nome de astro de cinema ele está mais para mafioso italiano. Muitas vezes com a barba por fazer dando a impressão de que saiu da balada direto para a pista, mesmo levando em consideração o fuso horário. Lembro que ele sempre dava um jeito de aparecer mais que os mecânicos, usando cores diferentes do padrão Ferrari. Bem diferentes. Em certa ocasião, todos de vermelho feliz e ele de amarelão cheguei.
O que eu quero dizer é que não entendo certas coisas. Entendo se entrar o money aí de cima na equação. Leio que o alemão com jeitão de mafioso italiano declarou que o Schumacher que sabe apertar o da direita continua firme e forte nos treinamentos e que pode voltar a pilotar um F1 ainda neste ano.
O que me leva a pensar: o alemão piloto se aposentou. Disse que ia curtir a família dentre outras coisas. Foi andar de moto e levou um tombaço. Além da bunda ferrou o pescoço. Resolveu, segundo o pai alemão, largar as duas rodas. Agora, picado pela mosquinha vermelha e pela mosquinha verdinha, resolveu voltar nas quatro rodas.
Mas, o pescoço doeu e o Luca Badoer agradeceu aos orixás pela ajudinha.
Enfim, se o alemão com cara de italiano tiver razão e o alemão que sabe apertar o da direita voltar a correr neste ano onde será? O Massa está pronto para voltar porque sabe que se bobear não volta mais. Então vão chutar o silencioso Raikkonen? Ou ele volta pela Force India? Se era para voltar por que parou? Parou por que?
No fundo, no fundo, o alemão que sabe apertar o da direita abandonou as corridas porque dá trabalho ficar no topo apertando o pescoço de quem está tentando subir. Rubim que o diga. Se ele voltar vai ser porque não aguenta mais o alemão com cara de mafioso italiano sussurrando no ouvido dele "money, money".

terça-feira, 11 de agosto de 2009

ESSA JÁ ACABOU

Com o anúncio da desistência do Dick Vigarista em correr em substituição ao Massa acaba de forma prematura mais uma novela da F1.
Toda a expectativa em torno do retorno (ui!!!) estoura feito bolha de sabão.
O homem sente dores no pescoço.
Sei lá.
Sei que tem muita viúva gastando lencinhos perfumados e o Mickey Lauda guardando seus palpites (sim palpites e não opiniões fundamentadas) na gaveta.
Raikkonen deve estar morrendo de rir. Isso se prestou atenção. Tenho a impressão de que ele não assiste novela.
Legal mesmo é ver os gananciosos como o empresário do Schummy perderem a oportunidade de faturarem algum.
Mas, sempre tem algum na reserva. Lembrem-se que o irmão ruim de braço já se ofereceu para voltar. Quem não tem schumabão caça com schumaruim.
Te cuida, Badoer

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

AGORA VAI

Parece que a novela com final conhecido por todos vai terminar enfim.
A Ferrari vai anunciar a contratação de Fernando Alonso para a temporada de 2010.
Sei lá no lugar de quem. Se Massa não mostrar que continua andando mais que o carro pode ser ele o degolado. Tudo indica que será Kimi Raikkonen, uma vez que Massa tem um bom trânsito dentro da Ferrari.
Além disso, coisas interessantes estão por ocorrer.
Vejamos: será mais uma vez o fim da Renault que só terá o dirigente sem caráter como atrativo. Carro que é bom.....
Se Raikkonen sair de duas uma. Ou vai para o rallye ou para a McLaren, no lugar do Kovalainen que só ameaçou ser um piloto de ponta.
De qualquer maneira, Alonso é melhor que Massa e exige toda a atenção para si. Senão, é chilique na certa. É uma prima dona. Massinha vai assistir ao velho filme.
Só que sai o Dick Vigarista e entra o toureiro gordinho. Vamos ver no que dá.
Lembrando que na Ferrari quem manda é o cavalinho rampante e não o touro chifrudo.

sábado, 8 de agosto de 2009

Jungle man p* da vida

Antônio Pizzonia, piloto brasileiro mundialmente conhecido, que atualmente corre na Stock Car brasileira, está realmente bravo com o modo de gestão da categoria pela qual compete.
Pizzonia utilizou-se do Twitter para expressar seu descontentamento. A linguagem do piloto foi bastante ácida.
Pizzonia acusou a organização de encerrar o treino antes do tempo para favorecer Cacá Bueno, que estava em sexto àquela altura. Apenas os seis primeiros passariam para a próxima fase da classificação. Ainda via Twitter, o piloto convidou o público a acompanhar ao vivo amanhã mais uma etapa da "Fórmula Cacá Bueno".
O amazonense falou com o pessoal do Grande Prêmio, confirmando o que já havia dito pelo Twitter. Acrescentou, ainda que Amir Nasr, chefe de sua equipe estava na cabine de cronometragem e teria ouvido Carlos Alberto Montagner dizer "dê a bandeirada o primeiro carro que cruzar a linha independentemente do tempo". Disse que os briefings são ridículos, que se está sempre tentando mudar as regras e que não há profissionalismo na categoria. Pizzonia foi direto: "toda corrida é uma palhaçada".
A Stock é, realmente, uma palhaçada. Os caras fazem teste com o carro novo na última semana antes do início da temporada e descobrem que é uma bomba; na primeira corrida, um erro de projeto faz com que meia dúzia de carros perca a capô, inclusive o vencedor da etapa, que foi desclassificado por algo que não tinha absolutamente nada que ver com ele ou com sua equipe; além disso, tem os toques, pilotos empurrando os outros competidores para fora da pista, os casos de dopping que até hoje não foram devidamente esclarecidos.
Pizzonia não se intimidou, falou exatamente o que pensa. Se a história do dopping não foi suficiente para colocar a categoria nos eixos, não é a reclamação do amazonense que vai transformar a categoria.
Contudo, é preciso ainda ouvir o outro lado. Cacá Bueno não quis comentar o assunto por enquanto. Carlos Col disse Pizzonia disse o que disse por estar com cabeça quente. Bom, não deve ter sido só isso.
No que se refere a mim, não assisto a uma corrida. Até porque não dá para saber quando a boa vontade global vai transmitir a etapa inteira ao vivo. De qualquer modo, simplesmente não interessa.
Abaixo, vai o print screen a página do piloto.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

De novo, a Ferrari

O blogueiro oficial Flávio Gomes foi ao ponto, hoje, em sua coluna semanal. O jornalista lembra da indelicadeza da equipe Ferrari ao se prununciar sobre o veto ao teste de Schumacher no F60.
Foram lembrados os anos de sucesso da equipe Williams, que foram também os anos mais amargos da Ferrari, em que a equipe inglesa nunca se dirigiu aos vermelhos de forma desrespeitosa. Foi lembrado, também, o curioso episódio, ocorrido entre 1990 e 1991, em que Jean Alesi havia assinado com a equipe Williams para a temporada de 1991, mas desistiu, assinando com a Ferrari em seguida. Frank não fez escândalo, não foi à justiça, nem nada assim; apenas respeitou a decisão de Alesi e quis um caso vermelho para colocar em seu museu.
Para não ficar fazendo resenha, a coluna está aqui.

Deve ser piada

Peter Windsor, ex- jornalista e um dos sócios da equipe USF1, que fará sua estréia na Fórmula-1 no próximo ano, afirmou hoje que sua equipe é muito pequena para as possíveis pretensões de Danica Patrick na Fórmula-1. Sei...
Danica é uma piloto talentosa, com bons resultados na Indy, mas que, até aqui, conquistou apenas uma vitória em pista oval. Só para lembrar, Bourdais foi quatro vezes campeão da categoria e fez apenas uma temporada e meia na Fórmula-1.
Talvez ela conseguisse, sim, bons resultados também na Fórmula-1, se tivesse a chance. Mas, diante do currículo da moça, é um pouco exagerado pensar que qualquer equipe que tenha carros alinhados no grid da Fórmula-1 seja muito pouco para ela.
A notícia está aqui.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Briatore, Nelsinho, di Grassi

Ontem, o piloto brasileiro da GP2, Lucas di Grassi participou do programa "Linha de Chegada" no canal SporTV.
O piloto foi perguntado a respeito de Flávio Briatore, se ele concordava com as críticas do Nelsinho Piquet. Foi interessante ver que di Grassi não foi tão político quanto achei que pudesse vir a ser diante de uma pergunta como essa, já que ele é piloto do programa Renault de desenvolvimento de pilotos.
Di Grassi afirmou que, ao longo de todo o programa, os pilotos são submetidos a esse tipo de pressão, com os caras vindo antes da corrida dizendo "se você não ganhar está fora" e coisas assim. Segundo ele, colocar o piloto sob pressão é a política do programa, para tentar separar, logo de cara, o que não serve para os interesses da equipe.
Talvez seja um indicativo de que Nelsinho não exagerou quando falou de seu manager italiano. Talvez, também, seja um bom indicativo em relação a di Grassi, já que o piloto não se preocupou em poupar críticas ao seu time, sendo firme e aparentemente justo em suas afirmações. Ponto para ele.

Williams diz não (e diz certo)

A Ferrari e os ferraristas ficaram nervosinhos, mas o poder de veto utilizado por Williams e Red BulA Ferrari e os ferraristas ficaram nervosinhos, mas o poder de veto utilizado por Williams e Red Bull em relação ao teste de Schumacher com o F60 antes do GP da Europa está correto. A própria Williams, em seu comunicado, lembrou o que houve com Alguersuari, que estreou sem testar em uma situação muito mais desfavorável que a de Schumacher.
O pronunciamento da Ferrari no que concerne ao tema foi deprimente. Disseram: "Indovinate un po’ chi si è opposto al test con la F60? Una scuderia che non vince da molti anni e che non ha perso l'occasione per dimostrare ancora una volta scarso spirito sportivo". Ora, ora ora... A Ferrari, até 2000, era um equipe que não vencia há muitos anos. Vinte e um anos, para ser mais preciso. 2000 foi a primeira vez que vi a Ferrari levar um campeonato. Acho que se dirigir à equipe do velho Frank dessa forma é um desrespeito e, aí sim, falta de espírito esportivo, já que o que Williams e Red Bull querem é nada além do cumprimento do regulamento. Um grande amigo certamente invocaria o provérbio latino: dura lex sed lex...

Mas, mesmo assim, acho que o fantástico alemão (que, aqui, não é o Goethe), leva pelo menos uma corrida até o fim do ano, não só por ser fantástico, mas porque a Ferrari, pelo que mostrou na Inglaterra e Hungria, parece poder chegar lá. É esperar para ver.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Piquet fora, Piquet dentro. Será?

Nelson Ângelo Piquet foi, oficialmente, demitido da equipe Renault na Fórmula-1. No comunicado que publicou em seu site oficial, Nelsinho dirige críticas à parte da equipe e, principalmente, a Flávio Briatore, que teria sido seu principal "adversário" em sua passagem pela Fórmula-1.
Briatore é conhecido por suas encrencas, polêmicas e bobagens que espalha por aí. Se um piloto ligado ao italiano vai muito bem ou muito mal, é sempre possível desconfiar de alguma coisa.
Se as críticas de Nelsinho são pertinentes ou não, é difícil dizer. É difícil dizer, também, qual será o seu futuro na categoria. Há quem diga que permanece em uma equipe própria, já que há a possibilidade da compra do espólio da BMW-Sauber pelo Piquetzão.
Há algum tempo atrás, surgiram alguns boatos no sentido de que a Renault encerraria suas atividades na Fórmula-1 e que o espólio poderia ser comprado por Flávio Briatore. Quem sabe não possa haver aqui uma manobra do Piquetzão para entrar na Fórmula-1 com sua equipe?
Por enquanto, o futuro de ambos os Piquets mais ilustres é bastante nebuloso. Por mais críticas que se possa fazer ao Piquetzinho, um retorno dos dois juntos à Fórmula-1 seria uma ótima notícia para o automoblismo. Ver pai e filho trabalhando juntos em um projeto ambicioso como esse seria bem interessante. Além de que, o retorno de uma equipe brasileira à categoria máxima do automobilismo seria um grande atrativo para a torcida nacional.

sábado, 1 de agosto de 2009

Roubo


Como já amplamente anunciado, Michael Schumacher estará de volta à Fórmula-1, substituindo o atual vice-campeão Felipe Massa, acidentado na Hungria.
Em primeiro lugar, é uma boa notícia. Não seria tão interessante para o público realizar uma substituição burocrática, apenas para preencher buracos. Felipe foi a estrela da fábrica italiana no ano passado, é um piloto extremamente combativo e que vem andando bem este ano, dentro das limitações do carro. Sua substituição teria que ser por um piloto consagrado ou um novato muito promissor.
O retorno de Schumacher veio bem a calhar. Surgem várias perguntas a serem respondidas: Como ele se sairá? Como o Kimi se sairá diante dele? Vencerá alguma corrida? A Ferrari melhorará com sua presença?
Essa excitação toda em volta do retorno do grande alemão é boa para os negócios - e põe a Ferrari na mídia em um ano de atuações apagadas, se comparadas ao período de enorme sucesso protagonizado pelo próprio Schumacher.
A Ferrari já havia progredido bastante. Vimos Raikkönen chegar em segundo na Hungria, Felipe em terceiro na Inglaterra e é provável que o brasileiro pudesse brigar por um lugar no pódio no GP magiar. Então, é provável que Schumacher ande bem e belisque os primeiros postos, podendo até brigar por vitória.
Agora, vejamos o seguinte. Os testes intra-temporada estão proibidos neste ano, por conta da política de diminuição de custos empreendia pela FIA para a Fórmula-1. Eu me pergunto: se por acaso a mola não tivesse atingido a cabeça de Massa, mas a de Nick Heidfeld, da BMW, e o time viesse a trazer Jacques Villeneuve de volta para substituí-lo, será que o canadense poderia testar o carro antes de fazer sua reestréia?
Apenas lembro que o jovem Jaime Alguersuari, que fez seu primeiro GP justamente na Hungria, aos 19 anos de idade, sem nunca ter testado um Fórmula-1 na vida, não pôde.
Será que o heptacampeão de quarenta anos necessita de mais treinamento e oferece mais riscos aos demais pilotos do que o jovem de 19 anos? Não me parece ser o caso.
É claro que é prudente que se faça testes com quem está voltando, assim como seria prudente que se fizesse com o estreante. Contudo, o teste está proibido, é contra o regulamento.
A FOTA permitiu o treino de Schumacher, o que demonstra quem é que manda entre os construtores. A justificativa dada pelo vice-presidente da Fota, John Howett não me parece muito convincente. Howett diz que a permissão foi uma atitude esportivamente aceitável em vista do que houve com Felipe.
De um modo ou de outro, Schumacher será o piloto mais velho, o piloto com mais vitórias, com mais títulos, com mais poles-positions, com mais pontos e todo o mais no grid em Valência; por tudo isso, ele já entrou, merecidamente, na história; não posso deixar de observar, contudo, que é, também, o piloto com o maior lobby da história.
Eis, abaixo, vídeo divulgado com algumas imagens do teste em Mugello. Vale a pena ver. O carro é de 2007 e foi emprestado por um milionário que adquiriu o bólido. O modelo não contém, aparentemente qualquer adaptação às regras atuais da Fórmula-1 e dá até para ouvir o controle de tração funcionando no vídeo.

ARQUEOLOGIA (2)

Como já havia informado meu pai, o Sr. Luiz Alberto, dois posts abaixo, encontrei aqui em casa, remexendo em papéis velhos, o suplemento da Quatro Rodas que trata do GP da Holanda de 1973, marcado pela morte de Roger Williamson.
A mencionada entrevista de Jackie Stewart é bem interessante mesmo e vale a pena compartilhá-la integralmente, para que cada um tire sua conclusão. Por isso, a página foi escaneada e agora reproduzida logo abaixo. Basta clicar para amplicar a imagem.


(Revista Quatro Rodas número 157 - agosto de 1973, pág. 9)

Monopostos

A semana do dia 19 a 26 de julho foi, infelizmente, movimentada em termos de acidentes em competições automobilísticas. Dois graves acidentes ocorreram, um deles culminando na morte do jovem piloto Henry Surtees, de 18 anos, que competia pela Fórmula-2.
A coincidência entre os acidentes está em um dado problemático, inerente aos monopostos: a exposição da cabeça do piloto.
Henry Surtees foi atingido por pneu que vôou do carro acidentado de Jack Clarke, que havia batido na primeira curva do circuito de Brands Hatch, na Inglaterra. O pneu, pulando pela pista, atingiu a cabeça de Surtees pelo lado esquerdo. O piloto não resistiu e faleceu algumas horas depois.
Apesar de jovem, Henry carregava o lendário sobrenome Surtees. Seu pai, John Surtees, foi tetra-campeão mundial de motos nas 500 cc (1956, 1958, 1959 e 1960). Como se já não fosse muito, Surtees-pai transferiu-se para a Fórmula-1, obtendo o título mundial da categoria em 1964. Até hoje, nenhum piloto acumula os dois títulos máximos sobre duas e quatro rodas na carreira.
A morte de seu filho Henry foi trágica e espantosa. Não houve um acidente chocante, uma pancada em alta velocidade, o carro destruído, nada disso. Bastou um quique do pneu de outro carro para lhe tirar a vida.
De forma muito parecida, mas, felizmente, com um desfecho menos trágico, o piloto brasileiro Felipe Massa, da Ferrari, foi atingido por uma mola que se despreendeu da suspensão do carro de Rubens Barrichello durante os treinos que antecediam o Grande Prêmio da Hungria de Fórmula-1.
A imagem onboard da Ferrari é assustadora: o piloto imóvel, pisando no acelerador e no freio ao mesmo tempo, rumando para a proteção de pneus. Confesso que, na hora em que foi mostrado o replay pela televisão, cheguei a temer o pior.
Felizmente, como todos sabem, Massa se recupera muito bem, e, inclusive, não quer deixar Michael Schumacher guiar seu carro no GP da Europa, insistindo que estará bem para correr daqui três semanas. Os médicos, contudo, descartam tal hipótese e Massa deve mesmo ser substituído por Schumacher. Até quando não se sabe.
Os dois acidentes comentados acima estão relacionados ao principal ponto fraco das corridas de monoposto, que é, como já dito, a exposição da cabeça do piloto. A FIA, ao longo dos últimos anos, conseguiu melhorar muito a segurança neste aspecto. Na Fórmula-1, os protetores laterais de cabeça são bastante altos, os capacetes são muito resistentes, como o próprio acidente do Massa demonstra, além da obrigatoriedade do uso do HANS (head and neck support: dispostivo apoiado nos ombros do piloto e atado ao capacete, cuja finalidade é evitar, na medida do possível, que, em caso de acidente, a cabeça seja desacelerada apenas pelo pescoço, enquanto o resto corpo é desacelerado, muito mais bruscamente, pelo cinto de segurança).
Entretanto, a proteção contra esse tipo de acidente nunca será de 100%. Como evitar que uma mola pulando na pista atinja a cabeça do piloto? Parafraseando Kimi Raikkönen, só com vidro a prova de balas sobre o cockpit, como em aviões de caça.


quinta-feira, 30 de julho de 2009

ARQUEOLOGIA

Recentemente comentei sobre o acidente que vitimou Roger Wiliamson.
O Renato, num trabalho de arqueologia em nossos “arquivos”, descobriu um suplemento da revista “Quatro Rodas” que era distribuído junto com a revista e que trazia as notícias das corridas de F-1 do mês.
Pois o suplemento da edição 157 de agosto de 1973 traz o depoimento de Emerson Fittipaldi sobre o GP da Holanda disputado em 29 de julho e o de Silvertone, Inglaterra, disputado em 14 de julho, dentre outras informações.
O da Inglaterra é aquele famoso onde o estreante Jody Scheckter ocasionou um verdadeiro Strike danificando sete carros e fazendo a festa para quem gosta de porradas.
Em relação ao GP da Holanda há uma entrevista com Jackie Stewart com o título “Stewart Acusa”.
Tanto tempo depois a sensação de ler a entrevista é a de que o escocês perdeu o bonde da história, ao não parar após o acidente, e tenta explicar o inexplicável. Acusa os organizadores da corrida, a CSI (Comissão Esportiva Internacional) e tudo o mais. Na maior cara de pau ele diz que a corrida não devia ser suspensa porque o March de Williamson “ocupava apenas uma parte reduzida da pista”. Ele tira o corpo fora ao ser perguntado do porque os pilotos não terem tomado a iniciativa de paralisar a corrida dizendo que não tinham condições de avaliar o que estava ocorrendo e que “aparentemente estava tudo bem, apenas um carro pegando fogo”. Quem vê as imagens, como eu mesmo vi na época ao vivo, sabe que não estava tudo bem.
Além da fumaça que fechava a visibilidade da saída da curva, havia a figura do David Purley desesperado andando de um lado para outro. Até mesmo no meio da pista, indicando algo muito mais grave que “um carro pegando fogo”.
Enfim, como eu disse, na minha opinião Stewart perdeu o bonde da história pensando apenas em vencer a corrida. Acusa até Ronnie Petterson de não diminuir a velocidade em função do acidente aumentando sua vantagem já que estava em primeiro lugar. Diz Stewart que se o Peterson que liderava andava forte todo mundo acompanhou.
Stewart já era líder entre os pilotos conhecido sim pela luta em prol de maior segurança nas pistas. Mas, neste caso pisou feio na bola. Se tivesse parado certamente seria acompanhado por seu companheiro François Cevert. Daí, todos parariam. Mas, o bonde passou e Jackie Stewart não pulou para dentro.
Vale lembrar que outro grande batalhador por mais segurança, Emerson Fittipaldi, já havia abandonado. Peterson quebrou e Stewart venceu, com Cevert em segundo.

domingo, 26 de julho de 2009

TERRA DE GIGANTES


Recentemente estivemos em Rio Quente, lá em Goiás, e devido a um infortúnio conhecemos o hospital Nossa Senhora de Aparecida em Caldas Novas.
Lá em Caldas avistamos alguns fuscas que me deixaram na maior dúvida. Principalmente porque o doente não era eu. Portanto, não estava sob o efeito de nenhum medicamento alucinógeno. Não sei se as pessoas são gigantes ou se os fuscas são anões.....

quinta-feira, 16 de julho de 2009

INTERLAGOS - 2008

No ano passado voltamos ao autódromo em outro setor.
Compramos ingressos para o setor “A”.
Porém, o esquema é o mesmo do setor “G”.
Ou chega cedo, ou pega lugar ruim. Então, pegamos uma fila agradabilíssima fora do autódromo e sentamos num lugar, na minha opinião, pior que o setor “G”. Bem em frente ao suposto telão, com a diferença que não víamos nada porque ele fica voltado para o pessoal que fica mais em frente aos boxes. Vejam a foto. Dá para ver um pedaço da reta em frente aos boxes mas, com a velocidade dos carros a gente não consegue acompanhar muito bem o que se passa.
Essas coisas associadas ao descaso que já comentei, fez com que eu decidisse não ir mais ao autódromo. A não ser que ganhe ingressos. E, num bom lugar.....
Em 2008 a situação era interessante. O mar vermelho torcendo para o Massa e euzinho torcendo para o Hamilton. Não vou discutir os méritos de um e outro. Mas, tive que me conter. No final, o Massa campeão com uma bonita festa e, de repente, aquela ducha de água fria (literalmente falando) quando descobrimos que o Hamilton tinha ultrapassado o Glock (de resto seu desafeto) na última curva. Foi como um gol aos 48 minutos do segundo tempo. Eu até fiz um filminho. Só que no aperto da situação, a chuva que começou a cair forte, na hora de filmar apertei o botão de stand-by. Daí, crente que havia filmado tudo, apertei o botão, e aí sim, comecei a filmar. Coloquei a máquina no bolso para não molhar. Ficou só o som do chororô e uma escuridão total. Coisas de amador.....
Enfim, gostaria de falar mais um pouco sobre a torcida e suas maluquices. Em 2006 começou uma briga na barraquinha de bebidas porque a cerveja estava acabando. O caminhão de socorro com mais líquido precioso não conseguia entrar na área da barraquinha e o pessoal gritava que “isso aqui é uma bagunça...”. Tudo isso faltando mais ou menos uma hora para a corrida começar. O pessoal se reveza para comprar cerveja porque se alguém levanta sem ninguém para cuidar de seu lugar pode esquecer. Tem urubu rondando o tempo todo. Havia um grupo na nossa frente e um deles, já devidamente “calibrado” levantou na hora da largada para comprar mais cerveja. Seus amigos avisaram, mas não adiantou. A cerveja é mais importante que a largada....
Fiquei impressionado com a quantidade de pessoas que bebem todas o tempo todo. A maioria nem assiste a corrida com a devida atenção. O ingresso não é barato, e não é todo fim de semana que tem F1 em Interlagos. Mesmo assim as pessoas saem do sério e perdem grande parte do espetáculo.
Mais duas fotos: uma da visão que tínhamos do nosso lugar e outra de alguém segurando a namorada para que ela pudesse ver melhor a pista.




quarta-feira, 15 de julho de 2009

E o Carbone?

Ano passado, o piloto brasileiro Fábio Carbone fez uma boa temporada na World Series by Renault, vencendo três corridas e ficando em terceiro no campeonato, correndo pela equipe pseudo-estreante Ultimate Signature. Digo "pseudo" porque ela é a junção de duas equipe que já existiam.
É divertido assitir a World Series e as boas atuações de Carbone eram um atrativo a mais para os brasileiros.
Ocorre que, ao longo deste ano, não tive notícias de por onde ele anda. No seu site oficial, a última atualização é de outubro do ano passado. Então, pergunto a quem souber: por onde anda Fábio Carbone?
Enquanto a resposta não vem, ficamos com esta bela foto do piloto em Estoril, no ano passado, tirada do site oficial da equipe Ultimate Signature.


Un grande numero di Rosberg

Desde pequeno, ouvia de meu pai uma história a respeito de uma corrida em que Rosberg, provavelmente possuído por alguma entidade, havia feito o diabo. Entre suas peripécias, estaria uma rodada de 360 graus, em que finlandês teria endireitado o carro e continuado na corrida como se nada tivesse acontecido.
Sempre tive curiosidade de ver a tal imagem. Há algum tempo atrás, um croata doidão disponibilizou para download uma quantidade absurda de seu acervo de corridas. No meia delas, estava o GP de Long Beach de 1983. Fiz o download um pouco desinteressadamente. E não é que a tal rodada havia acontecido justamente naquela corrida? Logo na primeira volta! Tudo bem que, na lembrança de meu pai, Rosberg teria ganhado o GP, mesmo tendo rodado, o que não aconteceu em Long Beach em 1983. Essa corrida, aliás, ficou na história pela vitória de John Watson e o segundo lugar de Niki Lauda, dobradinha da McLaren com os pilotos saindo das posições 22 e 23, respectivamente. Ainda hoje ninguém venceu largando tão atrás.
Rosberg foi um show a parte. Naquele tempo, o pit-stop era permitido, mas, ao contrário do que se passa hoje, nem todos paravam. Não se parava sequer para os pneus. Mas Rosberg vinha tentando utilizar a tática de andar mais leve. Na primeira corrida do ano, no Rio de Janeiro, seu carro havia pegado fogo durante o reabastecimento. Mesmo assim, Keke chegou em segundo lugar na corrida, com Nelson Piquet em primeiro e Niki Lauda em terceiro. Ocorre que, na parada, Rosberg teve seu carro empurrado para pegar no tranco no pit-lane e foi desclassificado por isso.
Na segunda corrida, em Long Beach, Rosberg parecia estar utilizando a mesma estratégia. Não deu para saber com certeza, pois o finlandês abandonou antes do pit-stop. Mas, pela maneira alucinada como dirigiu, tentando superar o pole-position Patrick Tambay a qualquer custo, pode-se inferir que uma parada para reabastecimento seria necessária.
O vídeo abaixo mostra três momentos da corrida de Rosberg que dão idéia de sua agressividade. Na largada, Keke, que partia em terceiro atrás das Ferraris de Patrick Tambay e Renè Arnoux, arrancou "nervosamente", tocando roda com Arnoux e quase ultrapassando Tambay.
Ainda na primeira volta, Rosberg tenta ultrapassar a Ferrari de Tambay, mas, aparentemente atrapalhado por um bump na freada, sua Williams roda, o piloto controla o carro, colocando-o novamente no rumo certo e prosseguindo na prova, agora atrás de seu companheiro de equipe Jacques Laffite.
Mais adiante, o ato final: após ter ultrapassado Laffite, Keke foi atrás de Tambay; depois de algumas voltas seguindo a Ferrari, Rosberg foi para o tudo ou nada, enfiando o carro do lado de dentro no cotovelo. O resultado foi desastroso: a tentativa frustrada de ultrapassagem tirou ambos os pilotos da corrida.
Rosberg errou, sim, mas a agressividade e combatividade do "velho lutador em pistas de rua" merecem aplausos.


Interlagos 2006

Após 1976 só voltei ao autódromo de Interlagos em 2006. Trinta anos depois!!!!
O Renato acabou por me convencer e por sorte presenciamos a decisão do campeonato.
Em primeiro lugar algumas impressões sobre o autódromo e o que nos oferecem em termos de acomodação. Comprei os ingressos pela internet pagando meia entrada (sou estudante!) e mesmo assim doeu no bolso. Compramos para o sábado e domingo no setor G. Pelo preço e também por estarmos no séc 21 deduzi que receberia os ingressos em casa, e que eles seriam numerados . Assim, poderíamos chegar momentos antes do evento com a garantia do lugar garantido. Quá, quá.
Estamos no Brasil. Além de ser obrigado a retirar os ingressos, no meu caso no sábado de manhã, pois moro no interior e não teria como ir antes ao autódromo apanhar os ditos fui tratado como bandido. Tive que levar uma porrada de documentos provando que eu era eu e falar com o sujeito lá na bilheteria por uma fresta no muro. Diálogo nem pensar.
Tudo bem. Vamos relevar em nome da emoção em voltar ao autódromo tanto tempo depois.
O portão que dá acesso ao setor G fica onde Judas perdeu as cuecas. No sábado ainda conseguimos entrar sem muitos problemas. Só existe uma entrada que afunila numa passarela sobre o antigo retão. Meninos, se estoura a boiada, vai ter gente sendo pisoteada porque, no final dos treinos e corrida todo mundo tem que sair por ali. Toc-toc na madeira.....
Quando conseguimos entrar no sábado o final do setor, perto do final da reta, já estava tomado. Isso por volta das oito e meia.
Sabem quem ocupou o espaço? Sim, os mesmos sulistas de 1976!!!!
Eles andam em bando, ignoram a numeração dos ingressos (ninguém fiscaliza) e ocupam os melhores lugares. Isto porque alguns deles dormem na fila. Bom, lugares ocupados e sem nada para fazer até o início dos eventos o melhor que eles fazem é se comportar como torcedores de futebol. Provocações, cantilenas sobre as mulheres acompanhadas ou não e etc. Em 2006 tinha um cara com um megafone e uma disposição de maratonista. Quando a voz falhava colocava o celular e um toque de hospício no volume mais alto. No começo a gente acha graça. Mas, experimente ficar ouvindo abobrinhas das oito da manhã até sair do autódromo após a corrida. Sim senhores. O cara saiu do autódromo berrando imbecilidades no megafone. A gente ria de nervoso....
Em 2006 o campeonato estava entre o Alonso e o Dick Vigarista (Schumacher para os íntimos).
Todo mundo, ao nosso redor, torcia para o Dick Vigarista. Eu e o Renato para o Alonso. Ah! Tinha mais um que torcia para o espanhol. Era outro espanhol. Ele chegou em má hora. A gente estava espremido e ele quis sentar na frente onde colocamos os pés. Eu disse que não dava. O cara era espanhol. Já viu, né? Pois ele armou uma briga e sentou na nossa frente com a namorada. Gritava pelo Alonso a cada volta. Até parece que o piloto ouve alguma coisa. A corrida todo mundo sabe como terminou. A gente saiu feliz da vida, apesar do sulista do megafone.
Separei duas fotos do arquivo pessoal. Numa delas, fiz questão de fotografar o asfalto que outra coisa. É o asfalto da antiga retona de Interlagos. Solo sagrado.
Na outra foto uma idéia de como a gente paga caro para ser tratado como torcedor de futebol. Os banheiros químicos ficam imprestáveis rapidamente, pois além de tudo os bebaços fazem de qualquer jeito. Saquem só a fila para a compra de bebidas na barraquinha...
Falo dos bebuns em outro post.




Que rei sou eu? (ou carros ainda são guiados por seres humanos)

Sábado, dia 11 de julho, o famoso Rei Beto, também conhecido como Roberto Carlos, fez no estádio do Maracanã um show comemorativo de seus 50 anos de carreira. Um show igualzinho àqueles do final de ano, exceto pelo público muito maior e a chuva. Não foi um show que poderia angariar novos fãs, um espetáculo capaz de atrair um novo público, mas o velho repertório, associado ao velho vestuário, aos velhos músicos, aos velhos amigos Ternurinha e Tremendão, associados a uma dose de emoção e alegria por estar fazendo o que gosta, renderam um bom resultado. Minha avó ficou felicíssima.
Não muitas horas depois, realizou-se, em outro continente, o GP da Alemanha de Fórmula-1. De volta ao velho circuito de Nurburgring, em seu novo traçado de mais de 20 anos de idade. A Fórmula-1 já não tem mais nenhum Rei, com r maiúsculo. Temos o príncipe das Astúrias, o imperador otomano, mas Rei mesmo... só o rei das estratégias, como dizem aos ventos, Ross Brawn.
Já há uns 15 anos Ross Brawn reina. É sem dúvida um sujeito extremamente competente: há um ano e meio assumiu uma Honda que não ia a lugar nenhum, fosse porque o túnel de vento estava desregulado, porque o controle de tração começava a funcionar no meio da reta, ou porque o carro fosse ridículo do ponto de vista aerodinâmico, e a transformou em Brawn GP, que fez um carro vencedor, aliás, arrasadoramente vencedor, e se tornou a equipe sensação da Fórmula-1, tendo um de seus pilotos (ainda) com a mão no campeonato.
Brawn e sua trupe estavam preocupados para o GP da Alemanha, em vista da previsão de baixa temperatura, que parece realmente favorecer os carros da Red Bull. Com isso em mente, a equipe optou por deixar os dois carros bem leves no Q3 no treino de sábado para que Button e Barrichello pudessem sair na frente do grid. Mesmo com consideráveis quilos a mais em seu carro, Mark Webber cravou a pole position. Largando na frente com o carro mais pesado, dificilmente o australiano perderia a corrida.
Um detalhe interessante, ainda com relação ao treino de sábado, foi a conversa flagrada na escuta de rádio das equipes, em que Jenson Button pedia para ir aos boxes, abortando sua primeira volta rápida no Q3, para copiar o acerto de Barrichello para a pista tedesca, àquela altura meio seca, meio molhada.
Pois bem. Button acertou o que deu e marcou o terceiro tempo, enquanto Vettel, companheiro de Webber, fez o quarto melhor tempo.
Pelo que se via nos treinos, a briga ia ser mesmo entre Red Bull e Brawn, com vantagem para o time dos energéticos.
Até agora não pude entender muito bem o que aconteceu com Webber na largada. Aquele chega para lá em Barrichello foi realmente doido. Não fez sentido.
O fato é que, com Barrichello na frente e Webber punido, esse, pela lógica, poderia ter a corrida como perdida. O ritmo forte dos carros da Red Bull era evidente, tanto que Barrichello com o carro mais leve não conseguiu abrir na primeira perna de corrida. Mas recuperar o tempo perdido em um drive thru é muito difícil.
Webber teve essa tarefa um pouco facilitada em vista da parada prematura de Barrichello para o primeiro pit-stop. Seguindo o brasileiro pelo pit-lane, Webber pôde sair a sua frente, mesmo já tendo cumprido a punição, sustentando a primeira colocação na corrida até a sua parada para reabastecimento e troca de pneus.
Mas, ainda assim, Webber tinha um longo caminho pela frente, e a vitória parecia estar nas mãos do Barrichello. Por que perdeu, então?
Ora, a resposta simples: perde quem completa determinado percurso em um tempo maior do que outro ou outros pilotos. E a única forma de se chegar em menos tempo que os demais é pisando mais. Barrichello não pisou, ou não pôde pisar, mais que os outros.
A estratégia de corrida pode ser, sim, determinante para o sucesso ou insucesso no certame. Mas nenhuma estratégia funciona se o cara não for rápido.
Então, a estratégia de 3 paradas não fez Barrichello perder a corrida. Mas é óbvio que o BGP 001 já não é o carro mais rápido do grid. Não tem ritmo para acompanhar a Red Bull, que tanto em Silverstone quanto em Nurburgring ganhou de lavada.
Talvez, mesmo com a punição a Webber, a Brawn tivesse condições de vencer a corrida. O verdadeiro erro da equipe não foi fazer Barrichello perder o primeiro posto para Webber, mas fazer carro n. 23 perder posições para a Ferrari de Massa e a Williams de Rosberg.
Essas duas posições perdidas podem ser creditas apenas na conta de Barrichello? Parece que não. O zigue-zague de Jenson Button pelas retas do circuito indicam que, efetivamente, o carro de Ross Brawn tem problemas de aquecimento de pneus em pistas frias. É claro que isso acarreta alguma vantagem quando a temperatura é alta, pois reduz o consumo de borracha, mas no frio é um tormento. Além de que, a mangueira não entrar no bocal do tanque de combustível custou preciosos segundos...
Tenho a impressão que a estratégia de Barrichello e Button, de fazer três paradas, foi concebida para tentar acompanhar as Red Bull e possivelmente surpreendê-las. Tentar vencer uma corrida é sempre uma atitude correta, todavia, muitas vezes, pode ser irreal. É muito difícil dizer, mas, quem sabe, uma estratégia um pouco mais conservadora, como a do Rei Beto no show mencionado acima, pudesse não ter tido frutos maravilhosos, mas menos desastrosos.
Como espectador, que acompanha as imagens da TV, a cronometragem oficial pelo computador e as notícias e declarações pós-corrida pela imprensa (ou, agora, pelo Twiter), fiquei com a ligeira impressão de Barrichello foi atrasado para que Button somasse um ponto a mais. Não é exagero, diante do quadro atual da temporada, acreditar que esse ponto possa decidir o título a favor de Button no futuro. Do ponto de vista da equipe, é ótimo; do ponto de vista esportivo, não gosto muito, já que, no conjunto do final de semana, Barrichello foi bem melhor que Button.
O inglês, aliás, não esteve bem na corrida, ficando para trás na largada e não conseguindo se recuperar. A partir de agora, vai ter que agir como um autêntico toureiro.

Felipe Massa, mais uma vez, fez uma corrida impecável. O brasileiro, assim como havia feito em Silverstone, aproveitou bem a estratégia de fazer uma primeira perna de corrida bastante longa. Aproveitou muito bem também o fato de ter Kers instalado em seu carro, segurando Barrichello atrás com muita eficiência. Ótima estratégia, ótima execução pelo piloto, em mais uma corrida madura do “Massa com cara de campeão”.

Mas a grande estrela do show foi Mark Webber. Australiano, 130 GPs nas costas, conquistou sua primeira vitória, superando Barrichello como piloto que mais alinhou no grid antes de vencer pela primeira vez. No caso de Barrichello foram 128 GPs.
Esse dado, que poderia depor contra o piloto, é, na verdade, prova de sua perseverança. Webber, após andar muito, muito, muito rápido em treinos com Minardi e Jaguar, mas sem alcançar grandes resultados em corridas, passou a ser chamado de “Leão de treino, cachorro de corrida”. Parecia-me injusto, já que Webber, em conjunto com seu engenheiro de corridas, conseguia fazer boas atuações, sempre marcando bem seus adversários diretos e cometendo poucos erros.
Mais do que isso, é preciso lembrar que o australiano sofreu um grave acidente no começo deste ano em uma prova de triatlo que ele mesmo organizara. Não participou da pré-temporada devido às lesões em ambas as pernas.
Deve-se levar em conta também o fato de Webber ter como companheiro de equipe o jovem e talentoso Sebastian Vettel. Apesar de o alemão atrair todas as atenções e ser considerado um dos principais talentos de sua geração, Webber tem conseguido superá-lo em algumas oportunidades ao longo desta temporada. Considero sua vitória na Alemanha ainda mais magistral que aquela de Vettel em Silverstone, pois, psicologicamente, não deve ser fácil lidar com uma punição que poderia ter-lhe tirado a possibilidade de vitória após fazer a pole-position e ter acompanhado um carro rápido e mais leve por toda a primeira parte da prova.
A explosão de Webber em choro e gritos dentro do capacete deve refletir não só a alegria de sua primeira vitória, mas a superação de dificuldades não apenas ao longo deste ano, mas de toda sua carreira. Uma vitória muito bem merecida.
Interessante notar que, em uma Fórmula-1 de pilotos robozinhos, duas reações tipicamente humanas causaram comentários diversos após o GP: o choro de Webber causou comoção; a reclamação de Barrichello, a meu ver, plenamente justificável pelo que aconteceu na corrida, foi mal vista mais uma vez.

Nunca é demais lembrar que sobre o volante repousam mãos humanas...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

PAUL TRACY

Vi o post do Renato sobre o Paul Tracy e devo dizer que o gordinho é uma figura.
Não gosto do estilo “deixa que dou o totó” dele.
Lembro que no seu início de carreira, o dono da equipe Penske, o próprio Roger Penske chamou o então novato para os boxes depois dele rodar centenas de vezes no final da retona em Long Beach.
Mas, vejam o que o glorioso Helio Castroneves fez com o Paulducho.
Morri de rir. Deu uma prensa no Tracy como uma cachorra do funk.
Se os carros fossem gente eu diria que o Castroneves deu uma barrigada no Paul, prensando o cara no muro, como a dizer “Pode ser totoso?”
O Helinho lavou minha alma e está perdoado......
Vejam o vídeo

INTERLAGOS ONTEM E HOJE

Nos últimos anos, de 2006 para cá, temos tenho ido assistir ao GP de F1 em Interlagos.
Eu e meu filho Renato. Vamos de arquibancadas populares, que de populares só tem o nome.
Mas, essas aventuras recentes ficam para outro post.
O que eu quero escrever aqui é sobre minha primeira ida até ao autódromo de Interlagos para um GP de F1.
Vocês vão perceber que quase nada mudou.
Foi em 1976 (século passado!!!).
Eu convenci meu pai a bancar a entrada mais barata que permitia assistir a corrida desde o final da reta de chegada até lá embaixo no final do retão. Lembrem-se: estou falando de Interlagos antigo. Aquele traçadão lindo que mutilaram para esse genérico de hoje em dia.
Meu irmão, cinco anos mais novo, não queria saber de F1, mas acabou arrastado para esta aventura. Não sei porque eu o obriguei a pagar esse mico....
Naquele tempo não tinha essa de papai levando na maior mordomia não.
Pegamos um ônibus, de madrugada, no centro velho de Sampa e lá fomos nós rumo ao desconhecido.
Estranhei de cara o ônibus lotado antes mesmo do sol nascer. Era um presságio de que as coisas iam desandar.
Nas proximidades de Interlagos o caos que ainda perdura em tempos de corrida de F1. Uma multidão de peregrinos em direção à Meca, ou seja os portões de entrada. O ônibus literalmente largou a gente nas proximidades e fomos a pé junto com a manada procurar o portão de acesso. Polícia, gente vendendo ingresso fajuto, gente querendo comprar seu ingresso, gente vendendo de tudo, aquela gritaria. Tudo como hoje.
Conseguimos entrar e aí veio a grande decepção.
Naquela época era possível acampar dentro do autódromo na área do retão.
Os caras compravam ingresso, entravam com a tralha toda e acampavam nos melhores lugares.
Bom, depois de uma adorável caminhada em meio à turba já para lá de Bagdá (e tome cerveja....) consegui chegar no alambrado mais ou menos no meio do retão.
Alambrado?
Que nada. Aqueles que acampavam simplesmente tapavam tudo com papelão.
Quer assistir a estréia do Emersão no Copersúcar?
Pague.....
Isso mesmo. Era preciso comprar um ingresso dentro do ingresso.
Não acreditei. Comecei a arrancar uns pedaços de papelão e fui obrigado a bater em retirada ouvindo elogios à minha santa mãezinha. Só não apanhei porque meu irmão, sempre com olhos arregalados, era pequeno e relevaram o maluco que não entendia nada de capitalismo selvagem.
E, sabem de onde era aquele povo?
Sim senhores, Lá do sul. Como hoje. Se você for assistir a F1 no setor G vai encontrar um monte de gaúcho brigando pelo Grêmio e Internacional. Um saco.
Pois, tenho certeza que esses “invasores” de hoje são descendentes, quando não os próprios, invasores de ontem.
Voltamos para a área do final da reta de chegada e o sol já batia feio.
Uma multidão se espremia tentando ver qualquer coisa que lembrasse o santo asfalto de (já) tantas glórias.
Então, por volta das nove da manhã, fez-se o milagre da multiplicação dos sons.
Os motores foram ligados para o warm up matinal.
Como na savana quando ruge o leão, a turba ficou em respeitoso silêncio. Meninos, nada se compara a um ronco de F1. Só indo lá para ouvir. Ele entra não pelo ouvido, mas pelo estômago.
As Ferraris tinham motor de 12 cilindros e um grito agudo de doer na alma. Os iniciados identificavam as Ferraris e alguns carros pelos sons diferenciados.
Em alguns minutos fiquei com dor de cabeça porque nem pensei protetor de ouvidos.
Para completar, meu irmão começou a reclamar de dor de cabeça e eu já de saco cheio resolvi ir embora. O autódromo enchia cada vez mais e era impossível encontrar um lugar decente.
Não é que pegamos o ônibus e chegamos em casa a tempo de ver o Lauda ganhar?
E, minhas previsões sobre o Copersúcar se confirmaram: o Emersão jogou a carreira fora ao abraçar a causa de uma equipe dita brasileira. Para completar nesta corrida ficou atrás (em 13º) do Ingo “Totó” Hoffman (11º).

13 de julho

Dia Internacional do Rock.

Para não passar em branco, eis aí a encarnação do rock and roll. Fiquei pensando em que música colocar. Como pensei em várias e não conseguia escolher nenhuma, digitei "rock and roll" no Youtube. Eis o primeiro resultado que aparece. Uma justa primeira colocação.


Desperdício

Depois de alguns dias "fora do ar" por razões não muito interessantes, vamos tentar colocar a casa em dia, começando pela Fórmula Indy.
No final de semana passado (5/07), a rede Bandeirantes se propôs a transmitir a etapa de Watkins Glen da referida categoria. Não estava em casa, mas fiquei empolgado, afinal Glen é um circuito interessante, tradicional, que recebeu a Fórmula-1 por muito anos no passado.
Enfiei-me num bar mequetrefe para assistir. E achei estranho o fato de antes do início da corrida a emissora fazer uma compilação de acidentes da categoria, inclusive fatais. Um jeito um pouco mórbido de atrair a audiência.
A corrida até que estava boa, sem grandes pegas, mas tudo bem. A rodada do Paul Tracy me deixou aliviado: não levou ninguém com ele e, com o canadense fora da pista, os outros pilotos corriam menos riscos.
Mas, não é que quando a prova se aproximava de seu momento decisivo o glorioso Teo José anuncia: "vamos interromper a transmissão da Fórmula-Indy para acompanhar o campeonato brasileiro. Do la-de-lá da transmissão está Luciano do Vale". Poxa, fiquei decepcionado. Uma transmissão pela metade é um desserviço ao espectador. Talvez, no final das contas, as pessoas estivessem ali naquele bar só esperando para começar o futebol mesmo...
Deter os direitos de transmissão sem transmitir me parece um grande desperdício. Mas comércio é comércio.
O destaque fica para a vitória de Justin Wilson, correndo pela minúscula equipe Dale Coyne. Wilson teve uma passagem pela Fórmula-1, em 2003, correndo pela equipe Minardi e substituindo Antonio Pizzonia na Jaguar nas últimas 5 corridas. O inglês, contudo, não teve continuidade na categoria, migrando para os Estados Unidos a partir de 2004. Já venceu por lá 5 corridas, somando Champ Car e Indy, sendo a primeira no GP de Toronto de 2005.

Estou tão atrasado, todavia, que já houve outro final de semana de corrida na Indy, justamente em Toronto, com vitória de Dario Franchitti, que assumiu a liderança do certame, seguido por Scott Dixon, Ryan Briscoe e Hélio Castroneves; Wilson está na nona colocação.

domingo, 5 de julho de 2009

HERÓIS

Todo mundo sabe que a F1 vive muito de aparência. E, certa vez (se não me engano foi o Clay Regazzoni) um piloto disse que a hipocrisia é tão grande que, em caso de morte de um piloto, surgem candidatos ao posto do infeliz antes mesmo de se fechar o caixão.
Por outro lado, Jackie Stewart sempre gostou de posar de paladino da segurança. Realmente fez muito, mas sempre com a ajuda de outros pilotos.
Porém, ele deu uma tremenda pisada de bola numa corrida em 1973 quando já se falava em aprimoramento da segurança em matéria de corridas de F1. Também, para mim, surgiu o único herói da F1. Um piloto com caráter único e com uma reação exemplar diante do ocorrido.
Sim, estou falando de Zandvoort em 1973, Roger Willianson e David Purley, o herói da história da F1.
Antes de escrever procurei o vídeo do acidente no youtube nesta máquina infernal que é a internet.
Tanto tempo depois as lembranças das imagens ainda são fortes em minhas lembranças.
A primeira imagem que surgiu na TV era do David Purley correndo entre as chamas para chegar até ao carro do Willianson. Pensei num primeiro momento que ele corria das chamas do próprio carro. Só depois percebi que ele abandonara seu carro para ajudar no socorro. Hoje temos imagens do carro de Roger Willianson se arrastando pela pista. Bateu de um lado e foi parar no outro. Aparentemente ele se partiu em dois e se arrastou de rodas para cima. Daí para a frente todos tentavam adivinhar o que acontecia. Nem os locutores sabiam direito o que se passava. Seria possível o piloto estar dentro do carro?
Minha mãe, passando pela sala, disse que não acreditava.
Mas, a medida que o tempo passava e o desespero de Purley aumentava, todos acreditaram que o pesadelo era real.
Mas, o que ficou gravado em minha mente é o fato da corrida não ser interrompida. Purley, mais tarde, disse que não se conformava com o fato dos fiscais não o ajudarem a desvirar o carro, uma vez que Willianson tentava se safar, mas estava preso pelo cinto. O que vemos são os bandeirinhas (amadores certamente) com medo do fogo, que no começo se restringia ao óleo do motor. Depois, houve o incêndio do tanque. Purley, quando percebeu que nada podia ser feito para salvar Willianson, chegou a ficar no meio da pista, tentando sensibilizar os pilotos a interromper a corrida.
As cenas finais são igualmente chocantes. O carro desvirado, o caminhão de bombeiros, a pista suja de espuma química e os outros pilotos passando como se nada ocorresse. Se não me engano Emerson Fittipaldi já havia abandonado por quebra do carro, mas a Lótus nº 2 de Ronnie Petterson é vista passando pelo acidente.
Para mim, David Purley mostrou que acima deste esporte cheio de interesses escusos houve alguém de caráter. Admiro um monte de pilotos, mas, o maior deles foi David Purley.
Agora as ironias.
Jackie Stewart foi acusado de aproveitar-se da bandeira amarela para chegar ao primeiro lugar. Ele venceu com François Cevert, seu companheiro de equipe e herdeiro, em segundo. E, ele Stewart já lutava pela segurança nas pistas......
Peterson sofreu, em 1978, um acidente horrível na largada em Monza e faleceu pelas conseqüências.
Ainda em 1973 Cevert morreu nos treinos em Watkins Glen. Stewart então decidiu abandonar as pistas....
David Purley morreu num acidente aéreo em 1985.
Os pilotos na época não conseguiram explicar convincentemente porque não pararam por conta própria, uma vez que a direção de prova ignorou o acidente.
Uns idiotas.