quinta-feira, 30 de julho de 2009

ARQUEOLOGIA

Recentemente comentei sobre o acidente que vitimou Roger Wiliamson.
O Renato, num trabalho de arqueologia em nossos “arquivos”, descobriu um suplemento da revista “Quatro Rodas” que era distribuído junto com a revista e que trazia as notícias das corridas de F-1 do mês.
Pois o suplemento da edição 157 de agosto de 1973 traz o depoimento de Emerson Fittipaldi sobre o GP da Holanda disputado em 29 de julho e o de Silvertone, Inglaterra, disputado em 14 de julho, dentre outras informações.
O da Inglaterra é aquele famoso onde o estreante Jody Scheckter ocasionou um verdadeiro Strike danificando sete carros e fazendo a festa para quem gosta de porradas.
Em relação ao GP da Holanda há uma entrevista com Jackie Stewart com o título “Stewart Acusa”.
Tanto tempo depois a sensação de ler a entrevista é a de que o escocês perdeu o bonde da história, ao não parar após o acidente, e tenta explicar o inexplicável. Acusa os organizadores da corrida, a CSI (Comissão Esportiva Internacional) e tudo o mais. Na maior cara de pau ele diz que a corrida não devia ser suspensa porque o March de Williamson “ocupava apenas uma parte reduzida da pista”. Ele tira o corpo fora ao ser perguntado do porque os pilotos não terem tomado a iniciativa de paralisar a corrida dizendo que não tinham condições de avaliar o que estava ocorrendo e que “aparentemente estava tudo bem, apenas um carro pegando fogo”. Quem vê as imagens, como eu mesmo vi na época ao vivo, sabe que não estava tudo bem.
Além da fumaça que fechava a visibilidade da saída da curva, havia a figura do David Purley desesperado andando de um lado para outro. Até mesmo no meio da pista, indicando algo muito mais grave que “um carro pegando fogo”.
Enfim, como eu disse, na minha opinião Stewart perdeu o bonde da história pensando apenas em vencer a corrida. Acusa até Ronnie Petterson de não diminuir a velocidade em função do acidente aumentando sua vantagem já que estava em primeiro lugar. Diz Stewart que se o Peterson que liderava andava forte todo mundo acompanhou.
Stewart já era líder entre os pilotos conhecido sim pela luta em prol de maior segurança nas pistas. Mas, neste caso pisou feio na bola. Se tivesse parado certamente seria acompanhado por seu companheiro François Cevert. Daí, todos parariam. Mas, o bonde passou e Jackie Stewart não pulou para dentro.
Vale lembrar que outro grande batalhador por mais segurança, Emerson Fittipaldi, já havia abandonado. Peterson quebrou e Stewart venceu, com Cevert em segundo.

domingo, 26 de julho de 2009

TERRA DE GIGANTES


Recentemente estivemos em Rio Quente, lá em Goiás, e devido a um infortúnio conhecemos o hospital Nossa Senhora de Aparecida em Caldas Novas.
Lá em Caldas avistamos alguns fuscas que me deixaram na maior dúvida. Principalmente porque o doente não era eu. Portanto, não estava sob o efeito de nenhum medicamento alucinógeno. Não sei se as pessoas são gigantes ou se os fuscas são anões.....

quinta-feira, 16 de julho de 2009

INTERLAGOS - 2008

No ano passado voltamos ao autódromo em outro setor.
Compramos ingressos para o setor “A”.
Porém, o esquema é o mesmo do setor “G”.
Ou chega cedo, ou pega lugar ruim. Então, pegamos uma fila agradabilíssima fora do autódromo e sentamos num lugar, na minha opinião, pior que o setor “G”. Bem em frente ao suposto telão, com a diferença que não víamos nada porque ele fica voltado para o pessoal que fica mais em frente aos boxes. Vejam a foto. Dá para ver um pedaço da reta em frente aos boxes mas, com a velocidade dos carros a gente não consegue acompanhar muito bem o que se passa.
Essas coisas associadas ao descaso que já comentei, fez com que eu decidisse não ir mais ao autódromo. A não ser que ganhe ingressos. E, num bom lugar.....
Em 2008 a situação era interessante. O mar vermelho torcendo para o Massa e euzinho torcendo para o Hamilton. Não vou discutir os méritos de um e outro. Mas, tive que me conter. No final, o Massa campeão com uma bonita festa e, de repente, aquela ducha de água fria (literalmente falando) quando descobrimos que o Hamilton tinha ultrapassado o Glock (de resto seu desafeto) na última curva. Foi como um gol aos 48 minutos do segundo tempo. Eu até fiz um filminho. Só que no aperto da situação, a chuva que começou a cair forte, na hora de filmar apertei o botão de stand-by. Daí, crente que havia filmado tudo, apertei o botão, e aí sim, comecei a filmar. Coloquei a máquina no bolso para não molhar. Ficou só o som do chororô e uma escuridão total. Coisas de amador.....
Enfim, gostaria de falar mais um pouco sobre a torcida e suas maluquices. Em 2006 começou uma briga na barraquinha de bebidas porque a cerveja estava acabando. O caminhão de socorro com mais líquido precioso não conseguia entrar na área da barraquinha e o pessoal gritava que “isso aqui é uma bagunça...”. Tudo isso faltando mais ou menos uma hora para a corrida começar. O pessoal se reveza para comprar cerveja porque se alguém levanta sem ninguém para cuidar de seu lugar pode esquecer. Tem urubu rondando o tempo todo. Havia um grupo na nossa frente e um deles, já devidamente “calibrado” levantou na hora da largada para comprar mais cerveja. Seus amigos avisaram, mas não adiantou. A cerveja é mais importante que a largada....
Fiquei impressionado com a quantidade de pessoas que bebem todas o tempo todo. A maioria nem assiste a corrida com a devida atenção. O ingresso não é barato, e não é todo fim de semana que tem F1 em Interlagos. Mesmo assim as pessoas saem do sério e perdem grande parte do espetáculo.
Mais duas fotos: uma da visão que tínhamos do nosso lugar e outra de alguém segurando a namorada para que ela pudesse ver melhor a pista.




quarta-feira, 15 de julho de 2009

E o Carbone?

Ano passado, o piloto brasileiro Fábio Carbone fez uma boa temporada na World Series by Renault, vencendo três corridas e ficando em terceiro no campeonato, correndo pela equipe pseudo-estreante Ultimate Signature. Digo "pseudo" porque ela é a junção de duas equipe que já existiam.
É divertido assitir a World Series e as boas atuações de Carbone eram um atrativo a mais para os brasileiros.
Ocorre que, ao longo deste ano, não tive notícias de por onde ele anda. No seu site oficial, a última atualização é de outubro do ano passado. Então, pergunto a quem souber: por onde anda Fábio Carbone?
Enquanto a resposta não vem, ficamos com esta bela foto do piloto em Estoril, no ano passado, tirada do site oficial da equipe Ultimate Signature.


Un grande numero di Rosberg

Desde pequeno, ouvia de meu pai uma história a respeito de uma corrida em que Rosberg, provavelmente possuído por alguma entidade, havia feito o diabo. Entre suas peripécias, estaria uma rodada de 360 graus, em que finlandês teria endireitado o carro e continuado na corrida como se nada tivesse acontecido.
Sempre tive curiosidade de ver a tal imagem. Há algum tempo atrás, um croata doidão disponibilizou para download uma quantidade absurda de seu acervo de corridas. No meia delas, estava o GP de Long Beach de 1983. Fiz o download um pouco desinteressadamente. E não é que a tal rodada havia acontecido justamente naquela corrida? Logo na primeira volta! Tudo bem que, na lembrança de meu pai, Rosberg teria ganhado o GP, mesmo tendo rodado, o que não aconteceu em Long Beach em 1983. Essa corrida, aliás, ficou na história pela vitória de John Watson e o segundo lugar de Niki Lauda, dobradinha da McLaren com os pilotos saindo das posições 22 e 23, respectivamente. Ainda hoje ninguém venceu largando tão atrás.
Rosberg foi um show a parte. Naquele tempo, o pit-stop era permitido, mas, ao contrário do que se passa hoje, nem todos paravam. Não se parava sequer para os pneus. Mas Rosberg vinha tentando utilizar a tática de andar mais leve. Na primeira corrida do ano, no Rio de Janeiro, seu carro havia pegado fogo durante o reabastecimento. Mesmo assim, Keke chegou em segundo lugar na corrida, com Nelson Piquet em primeiro e Niki Lauda em terceiro. Ocorre que, na parada, Rosberg teve seu carro empurrado para pegar no tranco no pit-lane e foi desclassificado por isso.
Na segunda corrida, em Long Beach, Rosberg parecia estar utilizando a mesma estratégia. Não deu para saber com certeza, pois o finlandês abandonou antes do pit-stop. Mas, pela maneira alucinada como dirigiu, tentando superar o pole-position Patrick Tambay a qualquer custo, pode-se inferir que uma parada para reabastecimento seria necessária.
O vídeo abaixo mostra três momentos da corrida de Rosberg que dão idéia de sua agressividade. Na largada, Keke, que partia em terceiro atrás das Ferraris de Patrick Tambay e Renè Arnoux, arrancou "nervosamente", tocando roda com Arnoux e quase ultrapassando Tambay.
Ainda na primeira volta, Rosberg tenta ultrapassar a Ferrari de Tambay, mas, aparentemente atrapalhado por um bump na freada, sua Williams roda, o piloto controla o carro, colocando-o novamente no rumo certo e prosseguindo na prova, agora atrás de seu companheiro de equipe Jacques Laffite.
Mais adiante, o ato final: após ter ultrapassado Laffite, Keke foi atrás de Tambay; depois de algumas voltas seguindo a Ferrari, Rosberg foi para o tudo ou nada, enfiando o carro do lado de dentro no cotovelo. O resultado foi desastroso: a tentativa frustrada de ultrapassagem tirou ambos os pilotos da corrida.
Rosberg errou, sim, mas a agressividade e combatividade do "velho lutador em pistas de rua" merecem aplausos.


Interlagos 2006

Após 1976 só voltei ao autódromo de Interlagos em 2006. Trinta anos depois!!!!
O Renato acabou por me convencer e por sorte presenciamos a decisão do campeonato.
Em primeiro lugar algumas impressões sobre o autódromo e o que nos oferecem em termos de acomodação. Comprei os ingressos pela internet pagando meia entrada (sou estudante!) e mesmo assim doeu no bolso. Compramos para o sábado e domingo no setor G. Pelo preço e também por estarmos no séc 21 deduzi que receberia os ingressos em casa, e que eles seriam numerados . Assim, poderíamos chegar momentos antes do evento com a garantia do lugar garantido. Quá, quá.
Estamos no Brasil. Além de ser obrigado a retirar os ingressos, no meu caso no sábado de manhã, pois moro no interior e não teria como ir antes ao autódromo apanhar os ditos fui tratado como bandido. Tive que levar uma porrada de documentos provando que eu era eu e falar com o sujeito lá na bilheteria por uma fresta no muro. Diálogo nem pensar.
Tudo bem. Vamos relevar em nome da emoção em voltar ao autódromo tanto tempo depois.
O portão que dá acesso ao setor G fica onde Judas perdeu as cuecas. No sábado ainda conseguimos entrar sem muitos problemas. Só existe uma entrada que afunila numa passarela sobre o antigo retão. Meninos, se estoura a boiada, vai ter gente sendo pisoteada porque, no final dos treinos e corrida todo mundo tem que sair por ali. Toc-toc na madeira.....
Quando conseguimos entrar no sábado o final do setor, perto do final da reta, já estava tomado. Isso por volta das oito e meia.
Sabem quem ocupou o espaço? Sim, os mesmos sulistas de 1976!!!!
Eles andam em bando, ignoram a numeração dos ingressos (ninguém fiscaliza) e ocupam os melhores lugares. Isto porque alguns deles dormem na fila. Bom, lugares ocupados e sem nada para fazer até o início dos eventos o melhor que eles fazem é se comportar como torcedores de futebol. Provocações, cantilenas sobre as mulheres acompanhadas ou não e etc. Em 2006 tinha um cara com um megafone e uma disposição de maratonista. Quando a voz falhava colocava o celular e um toque de hospício no volume mais alto. No começo a gente acha graça. Mas, experimente ficar ouvindo abobrinhas das oito da manhã até sair do autódromo após a corrida. Sim senhores. O cara saiu do autódromo berrando imbecilidades no megafone. A gente ria de nervoso....
Em 2006 o campeonato estava entre o Alonso e o Dick Vigarista (Schumacher para os íntimos).
Todo mundo, ao nosso redor, torcia para o Dick Vigarista. Eu e o Renato para o Alonso. Ah! Tinha mais um que torcia para o espanhol. Era outro espanhol. Ele chegou em má hora. A gente estava espremido e ele quis sentar na frente onde colocamos os pés. Eu disse que não dava. O cara era espanhol. Já viu, né? Pois ele armou uma briga e sentou na nossa frente com a namorada. Gritava pelo Alonso a cada volta. Até parece que o piloto ouve alguma coisa. A corrida todo mundo sabe como terminou. A gente saiu feliz da vida, apesar do sulista do megafone.
Separei duas fotos do arquivo pessoal. Numa delas, fiz questão de fotografar o asfalto que outra coisa. É o asfalto da antiga retona de Interlagos. Solo sagrado.
Na outra foto uma idéia de como a gente paga caro para ser tratado como torcedor de futebol. Os banheiros químicos ficam imprestáveis rapidamente, pois além de tudo os bebaços fazem de qualquer jeito. Saquem só a fila para a compra de bebidas na barraquinha...
Falo dos bebuns em outro post.




Que rei sou eu? (ou carros ainda são guiados por seres humanos)

Sábado, dia 11 de julho, o famoso Rei Beto, também conhecido como Roberto Carlos, fez no estádio do Maracanã um show comemorativo de seus 50 anos de carreira. Um show igualzinho àqueles do final de ano, exceto pelo público muito maior e a chuva. Não foi um show que poderia angariar novos fãs, um espetáculo capaz de atrair um novo público, mas o velho repertório, associado ao velho vestuário, aos velhos músicos, aos velhos amigos Ternurinha e Tremendão, associados a uma dose de emoção e alegria por estar fazendo o que gosta, renderam um bom resultado. Minha avó ficou felicíssima.
Não muitas horas depois, realizou-se, em outro continente, o GP da Alemanha de Fórmula-1. De volta ao velho circuito de Nurburgring, em seu novo traçado de mais de 20 anos de idade. A Fórmula-1 já não tem mais nenhum Rei, com r maiúsculo. Temos o príncipe das Astúrias, o imperador otomano, mas Rei mesmo... só o rei das estratégias, como dizem aos ventos, Ross Brawn.
Já há uns 15 anos Ross Brawn reina. É sem dúvida um sujeito extremamente competente: há um ano e meio assumiu uma Honda que não ia a lugar nenhum, fosse porque o túnel de vento estava desregulado, porque o controle de tração começava a funcionar no meio da reta, ou porque o carro fosse ridículo do ponto de vista aerodinâmico, e a transformou em Brawn GP, que fez um carro vencedor, aliás, arrasadoramente vencedor, e se tornou a equipe sensação da Fórmula-1, tendo um de seus pilotos (ainda) com a mão no campeonato.
Brawn e sua trupe estavam preocupados para o GP da Alemanha, em vista da previsão de baixa temperatura, que parece realmente favorecer os carros da Red Bull. Com isso em mente, a equipe optou por deixar os dois carros bem leves no Q3 no treino de sábado para que Button e Barrichello pudessem sair na frente do grid. Mesmo com consideráveis quilos a mais em seu carro, Mark Webber cravou a pole position. Largando na frente com o carro mais pesado, dificilmente o australiano perderia a corrida.
Um detalhe interessante, ainda com relação ao treino de sábado, foi a conversa flagrada na escuta de rádio das equipes, em que Jenson Button pedia para ir aos boxes, abortando sua primeira volta rápida no Q3, para copiar o acerto de Barrichello para a pista tedesca, àquela altura meio seca, meio molhada.
Pois bem. Button acertou o que deu e marcou o terceiro tempo, enquanto Vettel, companheiro de Webber, fez o quarto melhor tempo.
Pelo que se via nos treinos, a briga ia ser mesmo entre Red Bull e Brawn, com vantagem para o time dos energéticos.
Até agora não pude entender muito bem o que aconteceu com Webber na largada. Aquele chega para lá em Barrichello foi realmente doido. Não fez sentido.
O fato é que, com Barrichello na frente e Webber punido, esse, pela lógica, poderia ter a corrida como perdida. O ritmo forte dos carros da Red Bull era evidente, tanto que Barrichello com o carro mais leve não conseguiu abrir na primeira perna de corrida. Mas recuperar o tempo perdido em um drive thru é muito difícil.
Webber teve essa tarefa um pouco facilitada em vista da parada prematura de Barrichello para o primeiro pit-stop. Seguindo o brasileiro pelo pit-lane, Webber pôde sair a sua frente, mesmo já tendo cumprido a punição, sustentando a primeira colocação na corrida até a sua parada para reabastecimento e troca de pneus.
Mas, ainda assim, Webber tinha um longo caminho pela frente, e a vitória parecia estar nas mãos do Barrichello. Por que perdeu, então?
Ora, a resposta simples: perde quem completa determinado percurso em um tempo maior do que outro ou outros pilotos. E a única forma de se chegar em menos tempo que os demais é pisando mais. Barrichello não pisou, ou não pôde pisar, mais que os outros.
A estratégia de corrida pode ser, sim, determinante para o sucesso ou insucesso no certame. Mas nenhuma estratégia funciona se o cara não for rápido.
Então, a estratégia de 3 paradas não fez Barrichello perder a corrida. Mas é óbvio que o BGP 001 já não é o carro mais rápido do grid. Não tem ritmo para acompanhar a Red Bull, que tanto em Silverstone quanto em Nurburgring ganhou de lavada.
Talvez, mesmo com a punição a Webber, a Brawn tivesse condições de vencer a corrida. O verdadeiro erro da equipe não foi fazer Barrichello perder o primeiro posto para Webber, mas fazer carro n. 23 perder posições para a Ferrari de Massa e a Williams de Rosberg.
Essas duas posições perdidas podem ser creditas apenas na conta de Barrichello? Parece que não. O zigue-zague de Jenson Button pelas retas do circuito indicam que, efetivamente, o carro de Ross Brawn tem problemas de aquecimento de pneus em pistas frias. É claro que isso acarreta alguma vantagem quando a temperatura é alta, pois reduz o consumo de borracha, mas no frio é um tormento. Além de que, a mangueira não entrar no bocal do tanque de combustível custou preciosos segundos...
Tenho a impressão que a estratégia de Barrichello e Button, de fazer três paradas, foi concebida para tentar acompanhar as Red Bull e possivelmente surpreendê-las. Tentar vencer uma corrida é sempre uma atitude correta, todavia, muitas vezes, pode ser irreal. É muito difícil dizer, mas, quem sabe, uma estratégia um pouco mais conservadora, como a do Rei Beto no show mencionado acima, pudesse não ter tido frutos maravilhosos, mas menos desastrosos.
Como espectador, que acompanha as imagens da TV, a cronometragem oficial pelo computador e as notícias e declarações pós-corrida pela imprensa (ou, agora, pelo Twiter), fiquei com a ligeira impressão de Barrichello foi atrasado para que Button somasse um ponto a mais. Não é exagero, diante do quadro atual da temporada, acreditar que esse ponto possa decidir o título a favor de Button no futuro. Do ponto de vista da equipe, é ótimo; do ponto de vista esportivo, não gosto muito, já que, no conjunto do final de semana, Barrichello foi bem melhor que Button.
O inglês, aliás, não esteve bem na corrida, ficando para trás na largada e não conseguindo se recuperar. A partir de agora, vai ter que agir como um autêntico toureiro.

Felipe Massa, mais uma vez, fez uma corrida impecável. O brasileiro, assim como havia feito em Silverstone, aproveitou bem a estratégia de fazer uma primeira perna de corrida bastante longa. Aproveitou muito bem também o fato de ter Kers instalado em seu carro, segurando Barrichello atrás com muita eficiência. Ótima estratégia, ótima execução pelo piloto, em mais uma corrida madura do “Massa com cara de campeão”.

Mas a grande estrela do show foi Mark Webber. Australiano, 130 GPs nas costas, conquistou sua primeira vitória, superando Barrichello como piloto que mais alinhou no grid antes de vencer pela primeira vez. No caso de Barrichello foram 128 GPs.
Esse dado, que poderia depor contra o piloto, é, na verdade, prova de sua perseverança. Webber, após andar muito, muito, muito rápido em treinos com Minardi e Jaguar, mas sem alcançar grandes resultados em corridas, passou a ser chamado de “Leão de treino, cachorro de corrida”. Parecia-me injusto, já que Webber, em conjunto com seu engenheiro de corridas, conseguia fazer boas atuações, sempre marcando bem seus adversários diretos e cometendo poucos erros.
Mais do que isso, é preciso lembrar que o australiano sofreu um grave acidente no começo deste ano em uma prova de triatlo que ele mesmo organizara. Não participou da pré-temporada devido às lesões em ambas as pernas.
Deve-se levar em conta também o fato de Webber ter como companheiro de equipe o jovem e talentoso Sebastian Vettel. Apesar de o alemão atrair todas as atenções e ser considerado um dos principais talentos de sua geração, Webber tem conseguido superá-lo em algumas oportunidades ao longo desta temporada. Considero sua vitória na Alemanha ainda mais magistral que aquela de Vettel em Silverstone, pois, psicologicamente, não deve ser fácil lidar com uma punição que poderia ter-lhe tirado a possibilidade de vitória após fazer a pole-position e ter acompanhado um carro rápido e mais leve por toda a primeira parte da prova.
A explosão de Webber em choro e gritos dentro do capacete deve refletir não só a alegria de sua primeira vitória, mas a superação de dificuldades não apenas ao longo deste ano, mas de toda sua carreira. Uma vitória muito bem merecida.
Interessante notar que, em uma Fórmula-1 de pilotos robozinhos, duas reações tipicamente humanas causaram comentários diversos após o GP: o choro de Webber causou comoção; a reclamação de Barrichello, a meu ver, plenamente justificável pelo que aconteceu na corrida, foi mal vista mais uma vez.

Nunca é demais lembrar que sobre o volante repousam mãos humanas...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

PAUL TRACY

Vi o post do Renato sobre o Paul Tracy e devo dizer que o gordinho é uma figura.
Não gosto do estilo “deixa que dou o totó” dele.
Lembro que no seu início de carreira, o dono da equipe Penske, o próprio Roger Penske chamou o então novato para os boxes depois dele rodar centenas de vezes no final da retona em Long Beach.
Mas, vejam o que o glorioso Helio Castroneves fez com o Paulducho.
Morri de rir. Deu uma prensa no Tracy como uma cachorra do funk.
Se os carros fossem gente eu diria que o Castroneves deu uma barrigada no Paul, prensando o cara no muro, como a dizer “Pode ser totoso?”
O Helinho lavou minha alma e está perdoado......
Vejam o vídeo

INTERLAGOS ONTEM E HOJE

Nos últimos anos, de 2006 para cá, temos tenho ido assistir ao GP de F1 em Interlagos.
Eu e meu filho Renato. Vamos de arquibancadas populares, que de populares só tem o nome.
Mas, essas aventuras recentes ficam para outro post.
O que eu quero escrever aqui é sobre minha primeira ida até ao autódromo de Interlagos para um GP de F1.
Vocês vão perceber que quase nada mudou.
Foi em 1976 (século passado!!!).
Eu convenci meu pai a bancar a entrada mais barata que permitia assistir a corrida desde o final da reta de chegada até lá embaixo no final do retão. Lembrem-se: estou falando de Interlagos antigo. Aquele traçadão lindo que mutilaram para esse genérico de hoje em dia.
Meu irmão, cinco anos mais novo, não queria saber de F1, mas acabou arrastado para esta aventura. Não sei porque eu o obriguei a pagar esse mico....
Naquele tempo não tinha essa de papai levando na maior mordomia não.
Pegamos um ônibus, de madrugada, no centro velho de Sampa e lá fomos nós rumo ao desconhecido.
Estranhei de cara o ônibus lotado antes mesmo do sol nascer. Era um presságio de que as coisas iam desandar.
Nas proximidades de Interlagos o caos que ainda perdura em tempos de corrida de F1. Uma multidão de peregrinos em direção à Meca, ou seja os portões de entrada. O ônibus literalmente largou a gente nas proximidades e fomos a pé junto com a manada procurar o portão de acesso. Polícia, gente vendendo ingresso fajuto, gente querendo comprar seu ingresso, gente vendendo de tudo, aquela gritaria. Tudo como hoje.
Conseguimos entrar e aí veio a grande decepção.
Naquela época era possível acampar dentro do autódromo na área do retão.
Os caras compravam ingresso, entravam com a tralha toda e acampavam nos melhores lugares.
Bom, depois de uma adorável caminhada em meio à turba já para lá de Bagdá (e tome cerveja....) consegui chegar no alambrado mais ou menos no meio do retão.
Alambrado?
Que nada. Aqueles que acampavam simplesmente tapavam tudo com papelão.
Quer assistir a estréia do Emersão no Copersúcar?
Pague.....
Isso mesmo. Era preciso comprar um ingresso dentro do ingresso.
Não acreditei. Comecei a arrancar uns pedaços de papelão e fui obrigado a bater em retirada ouvindo elogios à minha santa mãezinha. Só não apanhei porque meu irmão, sempre com olhos arregalados, era pequeno e relevaram o maluco que não entendia nada de capitalismo selvagem.
E, sabem de onde era aquele povo?
Sim senhores, Lá do sul. Como hoje. Se você for assistir a F1 no setor G vai encontrar um monte de gaúcho brigando pelo Grêmio e Internacional. Um saco.
Pois, tenho certeza que esses “invasores” de hoje são descendentes, quando não os próprios, invasores de ontem.
Voltamos para a área do final da reta de chegada e o sol já batia feio.
Uma multidão se espremia tentando ver qualquer coisa que lembrasse o santo asfalto de (já) tantas glórias.
Então, por volta das nove da manhã, fez-se o milagre da multiplicação dos sons.
Os motores foram ligados para o warm up matinal.
Como na savana quando ruge o leão, a turba ficou em respeitoso silêncio. Meninos, nada se compara a um ronco de F1. Só indo lá para ouvir. Ele entra não pelo ouvido, mas pelo estômago.
As Ferraris tinham motor de 12 cilindros e um grito agudo de doer na alma. Os iniciados identificavam as Ferraris e alguns carros pelos sons diferenciados.
Em alguns minutos fiquei com dor de cabeça porque nem pensei protetor de ouvidos.
Para completar, meu irmão começou a reclamar de dor de cabeça e eu já de saco cheio resolvi ir embora. O autódromo enchia cada vez mais e era impossível encontrar um lugar decente.
Não é que pegamos o ônibus e chegamos em casa a tempo de ver o Lauda ganhar?
E, minhas previsões sobre o Copersúcar se confirmaram: o Emersão jogou a carreira fora ao abraçar a causa de uma equipe dita brasileira. Para completar nesta corrida ficou atrás (em 13º) do Ingo “Totó” Hoffman (11º).

13 de julho

Dia Internacional do Rock.

Para não passar em branco, eis aí a encarnação do rock and roll. Fiquei pensando em que música colocar. Como pensei em várias e não conseguia escolher nenhuma, digitei "rock and roll" no Youtube. Eis o primeiro resultado que aparece. Uma justa primeira colocação.


Desperdício

Depois de alguns dias "fora do ar" por razões não muito interessantes, vamos tentar colocar a casa em dia, começando pela Fórmula Indy.
No final de semana passado (5/07), a rede Bandeirantes se propôs a transmitir a etapa de Watkins Glen da referida categoria. Não estava em casa, mas fiquei empolgado, afinal Glen é um circuito interessante, tradicional, que recebeu a Fórmula-1 por muito anos no passado.
Enfiei-me num bar mequetrefe para assistir. E achei estranho o fato de antes do início da corrida a emissora fazer uma compilação de acidentes da categoria, inclusive fatais. Um jeito um pouco mórbido de atrair a audiência.
A corrida até que estava boa, sem grandes pegas, mas tudo bem. A rodada do Paul Tracy me deixou aliviado: não levou ninguém com ele e, com o canadense fora da pista, os outros pilotos corriam menos riscos.
Mas, não é que quando a prova se aproximava de seu momento decisivo o glorioso Teo José anuncia: "vamos interromper a transmissão da Fórmula-Indy para acompanhar o campeonato brasileiro. Do la-de-lá da transmissão está Luciano do Vale". Poxa, fiquei decepcionado. Uma transmissão pela metade é um desserviço ao espectador. Talvez, no final das contas, as pessoas estivessem ali naquele bar só esperando para começar o futebol mesmo...
Deter os direitos de transmissão sem transmitir me parece um grande desperdício. Mas comércio é comércio.
O destaque fica para a vitória de Justin Wilson, correndo pela minúscula equipe Dale Coyne. Wilson teve uma passagem pela Fórmula-1, em 2003, correndo pela equipe Minardi e substituindo Antonio Pizzonia na Jaguar nas últimas 5 corridas. O inglês, contudo, não teve continuidade na categoria, migrando para os Estados Unidos a partir de 2004. Já venceu por lá 5 corridas, somando Champ Car e Indy, sendo a primeira no GP de Toronto de 2005.

Estou tão atrasado, todavia, que já houve outro final de semana de corrida na Indy, justamente em Toronto, com vitória de Dario Franchitti, que assumiu a liderança do certame, seguido por Scott Dixon, Ryan Briscoe e Hélio Castroneves; Wilson está na nona colocação.

domingo, 5 de julho de 2009

HERÓIS

Todo mundo sabe que a F1 vive muito de aparência. E, certa vez (se não me engano foi o Clay Regazzoni) um piloto disse que a hipocrisia é tão grande que, em caso de morte de um piloto, surgem candidatos ao posto do infeliz antes mesmo de se fechar o caixão.
Por outro lado, Jackie Stewart sempre gostou de posar de paladino da segurança. Realmente fez muito, mas sempre com a ajuda de outros pilotos.
Porém, ele deu uma tremenda pisada de bola numa corrida em 1973 quando já se falava em aprimoramento da segurança em matéria de corridas de F1. Também, para mim, surgiu o único herói da F1. Um piloto com caráter único e com uma reação exemplar diante do ocorrido.
Sim, estou falando de Zandvoort em 1973, Roger Willianson e David Purley, o herói da história da F1.
Antes de escrever procurei o vídeo do acidente no youtube nesta máquina infernal que é a internet.
Tanto tempo depois as lembranças das imagens ainda são fortes em minhas lembranças.
A primeira imagem que surgiu na TV era do David Purley correndo entre as chamas para chegar até ao carro do Willianson. Pensei num primeiro momento que ele corria das chamas do próprio carro. Só depois percebi que ele abandonara seu carro para ajudar no socorro. Hoje temos imagens do carro de Roger Willianson se arrastando pela pista. Bateu de um lado e foi parar no outro. Aparentemente ele se partiu em dois e se arrastou de rodas para cima. Daí para a frente todos tentavam adivinhar o que acontecia. Nem os locutores sabiam direito o que se passava. Seria possível o piloto estar dentro do carro?
Minha mãe, passando pela sala, disse que não acreditava.
Mas, a medida que o tempo passava e o desespero de Purley aumentava, todos acreditaram que o pesadelo era real.
Mas, o que ficou gravado em minha mente é o fato da corrida não ser interrompida. Purley, mais tarde, disse que não se conformava com o fato dos fiscais não o ajudarem a desvirar o carro, uma vez que Willianson tentava se safar, mas estava preso pelo cinto. O que vemos são os bandeirinhas (amadores certamente) com medo do fogo, que no começo se restringia ao óleo do motor. Depois, houve o incêndio do tanque. Purley, quando percebeu que nada podia ser feito para salvar Willianson, chegou a ficar no meio da pista, tentando sensibilizar os pilotos a interromper a corrida.
As cenas finais são igualmente chocantes. O carro desvirado, o caminhão de bombeiros, a pista suja de espuma química e os outros pilotos passando como se nada ocorresse. Se não me engano Emerson Fittipaldi já havia abandonado por quebra do carro, mas a Lótus nº 2 de Ronnie Petterson é vista passando pelo acidente.
Para mim, David Purley mostrou que acima deste esporte cheio de interesses escusos houve alguém de caráter. Admiro um monte de pilotos, mas, o maior deles foi David Purley.
Agora as ironias.
Jackie Stewart foi acusado de aproveitar-se da bandeira amarela para chegar ao primeiro lugar. Ele venceu com François Cevert, seu companheiro de equipe e herdeiro, em segundo. E, ele Stewart já lutava pela segurança nas pistas......
Peterson sofreu, em 1978, um acidente horrível na largada em Monza e faleceu pelas conseqüências.
Ainda em 1973 Cevert morreu nos treinos em Watkins Glen. Stewart então decidiu abandonar as pistas....
David Purley morreu num acidente aéreo em 1985.
Os pilotos na época não conseguiram explicar convincentemente porque não pararam por conta própria, uma vez que a direção de prova ignorou o acidente.
Uns idiotas.

sábado, 27 de junho de 2009

O INÍCIO

Vou escrever baseado na memória e não recorrer às ferramentas atuais disponíveis na internet que tiram um pouco (ou toda) a graça das nossas lembranças. Mais tarde comento sobre elas.
Recordo que já em 72 algumas corridas do mundial passavam na TV.
Não todas.
Mas, assisti emocionado a vitória do Emersão em Monza neste mesmo ano.
Como o Jackie Stewart queimou a largada o campeonato estava praticamente ganho. Se não me engano, mesmo com a vitória de Stwart, bastava um quarto lugar do Emersão que o título era “nosso”.
Mas, o Emerson assumiu a ponta e não largou mais. Nas voltas finais o pai dele (o velho barão) que transmitia a F1 para a rádio Jovem Pan, não conseguiu continuar a transmissão pela emoção que sentia, e passou para o comentarista a função de terminar. Foi lindo ver o carro (na minha opinião) mais bonito de todos os tempos cruzar a linha com um brasileiro sendo campeão de F1. Valer dizer que eu assistia a corrida pela TV, mas ouvia a narração pela Jovem Pan. O Wilsão,o tal velho barão, sabia tudo de automobilismo e tinha trânsito pelo ambiente da F1. Então, suas transmissões eram ricas em informações.
As transmissões pela TV eram bem diferentes.
Vários pontos cegos dos circuitos, uma atenção excessiva para quem liderava, perdendo pegas lá atrás e quase nada de som ambiente. Em Nurburgring então nem se fala.
Para encerrar, e por falar em pais. O véio Mero, meu pai Homero, não entendia e não gostava da F1.
Então, vivia me atazanando. Eu, todo esquentadinho, comprava briga. Houve uma época em que o Emersão tornou-se meio burocrático e, além disso, seu carro não ajudava e ele vivia quebrando. Acho que a Lótus em 1973 e a McLaren de 1975. Eu ficava sozinho em frente à TV xingando o Emersão. Meu pai pegava o gancho. Passava pela sala e repetia à exaustão e com voz empostada: “o Fintinpaldi já quebrou?”
Era assim que ele chamava o Emerson Fittipaldi. Imaginem eu, puto da vida, com o “Fintinpaldi” e ainda agüentar o véio Mero tripudiando........
Depois eu volto

Não é fácil, não é fácil

Acabo de ler no Grande Prêmio uma breve entrevista com a piloto brasileira Bia Figueiredo, que compete nos Estados Unidos, na categoria Indy Lights.
Ana Beatriz, como é mais conhecida nos EUA, sofreu um forte acidente em Indianápolis, há um mês atrás. Nada de muito grave com a piloto, que teve um corte no queixo e levou alguns pontos por isso. Mas seu carro teve diagnóstico mais sério: perda total, o que inviabilizou sua participação na corrida de Milwaukee.
Uma vez que o carro não poderia ser consertado, ela teve de correr para o Brasil com seu empresário para levantar fundos para um novo carro. Isso ocorre porque a responsabilidade por batidas e danos no carro correm por conta da piloto, como ela relata na entrevista.
Depois da etapa de Milwaukee Ana Beatriz voltou a competir em Iowa, vencendo com o carro novo. Acho que toda esse contexto depois da batida em Indianápolis valorizam muito o triunfo em Iowa. Devia haver muita pressão sobre ela, que mesmo assim se saiu muito bem. Vamos esperar que essa vitória possa colocá-la, definitivamente, na briga pelo campeonato.
Deixo aqui o link para o vídeo da batida e vai, abaixo, o vídeo da vitória em Iowa, para preferir os triunfos às pancadas.


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Fangio

Dia 24 de junho, anteontem, portanto, completaria 98 anos o multicampeão de Fórmula-1 Juan Manoel Fangio.
Como é cediço, Fangio estabeleceu, na década de 1950, a marca de cinco títulos mundiais, que só foi superada, mais de 50 anos depois, por Michael Schumacher. Apresentações de Fangio são dispensáveis; foi, certamente, um dos maiores, senão o maior, gênio do esporte. Logo abaixo, a prova disso. Não tenho certeza quanto ao carro nem quanto à pista, mas parece ser Fangio pilotando uma Maserati em Fiorano. Seja onde for, dá para ver que a vida não era fácil: asfalto detonado, mato para tudo quanto era lado e eu já tive uma bicicleta cuja espessura do pneu era o dobro dos dianteiros deste carro.
Mas nem tudo são espinhos: os pneus estreitos não possibilitavam que se fizesse curvas rápidas como se fazem atualmente, de modo que as forças laterais que empurravam o piloto eram bem menores das que operam hoje. Lembro de uma entrevista de Stirling Moss em que ele relatava que tais forças não passavam de 1.9G, se não estou enganado. Se estiver, me corrijam.
Como essas forças laterais sendo menores, o preparo físico exigido para o piloto era, igualmente, menor. Daí, Fangio, assim como outros pilotos da época, ser um pouco mais corpulento, sem sofrer perda de desempenho com isso.
Aí vai o vídeo.

terça-feira, 23 de junho de 2009

LEMBRANÇAS

Com relação ao “click”.

Estava em casa, em sampa e ouço pela TV que um tal de Emerson Fittipaldi havia vencido uma corrida de F-1 em Watkins Glen, nos Estados Unidos em 1970.

Sabia que o Emersão corria na Europa, que era respeitado como piloto e que já pilotava por uma das maiores equipes da F1, a Lótus. Mas, como as imagens de corridas de F1 eram raras eu não o acompanhava de perto.

Daí vem a notícia de sua vitória. Imagens nem pensar. A TV ainda era movida a lenha e preto e branco. Ou branco e preto, como queiram. Algumas notícias vinham acompanhadas de imagens gravadas, mas não era o caso. O companheiro dele Jochen Rindt, que seria o campeão póstumo naquele ano (primeiro e único, até agora), havia morrido e ele assumira o posto de piloto número um.

No outro dia, no jornal impresso, mais notícias e à noite imagens da corrida.

Então, eu comecei a me interessar verdadeiramente pela F1.

E, o Brasil também. Aliás, o Emersão era uma figura: cabelos compridos (como tinha que ser na época), costeletas enormes, sorriso simpático e o apelido de rato. Tudo bem, ele lembrava um ratinho mesmo.....

O Emersão foi o cicerone dos fãs da F1. Dava intermináveis entrevistas explicando que os motores dos carros não eram equipados com carburador. Também não tinham velocímetro!!!

Como pode?

Os caras correndo tudo aquilo e sem saber a quanto?

Fora pneu sem câmara e carecas. Uma loucura.

Mas, era assim.

Daqui a pouco a gente continua...

domingo, 21 de junho de 2009

"Like a flash you could miss him going by"


Ainda em clima de George Harrison, autor do gracioso verso que dá nome ao post, vamos à fantástica vitória de Vettel hoje em Silverstone.
Aliás, não há verso melhor para ilustrar o que houve na GP inglês. Vettel passou voando pela antiga base aérea, e quase não nos deu oportunidade de apreciar sua atuação.
Não há muito o que dizer. Por estar mais leve, pensei que Barrichello pudesse largar melhor ou pelo menos apertar no começo da corrida, pelo menos para dar uma emoção. Mas o conjunto Vettel-Red Bull estava absolutamente imbatível, abrindo um 1 segundo por volta na primeira parte da corrida. É demais para quem estava mais pesado. Seria demais ainda que estivesse mais leve! E aqueles três décimo e pouco da qualificação ficam ainda mais impressionantes considerando o quão mais pesado que ele estava em relação aos outros.
No ritmo em que estavam andando os Touros Vermelhos, já era até esperada a dobradinha. Não se pode colocar a culpa da perda da segunda colocação em Barrichello, que fez uma corrida bastante boa, guardando sempre uma distância razoável em relação ao Button.
O líder do campeonato fez uma corrida discreta, mas parece que seu equipamento não oferecia possibilidades de chegar muito mais a frente. No meio da corrida reclamou que o carro saía de traseira nas curvas lentas, de frente nas curvas rápidas e que batia muito no chão na Copse.
Destaque também para Felipe Massa, saindo de décimo primeiro para chegar em quarto, com uma corrida sólida e madura, aproveitando de maneira perfeita a longa primeira perna de corrida. Desde o ano passado, vem consolidando a imagem de ótimo piloto, e acho que esta temporada andando com um carro "meia-boca" vai ser bastante útil para que ele possa se desenvolver ainda mais.

Para encerrar: alguém entendeu a batida entre Bourdais e Kovalainen? Será que a hipótese do sócio oficial de que o pneu do finlandês já estava furado procede?

Ah, e parece que o tio Bernie já está fazendo a sutura no ferimento aberto pelo racha (poético, não?).

sexta-feira, 19 de junho de 2009

It's the end of the world as we know it (and I don't feel that fine)


Quando criança, brincar de "vamos ver quem chega primeiro", "vamos ver quem corre mais rápido", é algo absolutamente corriqueiro.
Os meninos e meninas crescem, e muitas vezes não mudam de brincadeira: mudam apenas o brinquedo.
Quer dizer, se na infância contávamos apenas com nossas pernas para irmos o mais rápido que podíamos, conforme crescemos, passamos a contar com carrinhos de rolemã, autoramas, bicicletas, às vezes só com as mesmas pernas, só que maiores.
Alguns passam a não mais simplesmente brincar, mas fazem de sua vida um sem número de "vamos ver quem chega primeiro", sendo remunerados para tanto. O brinquedo, nesse caso, passa a ser muito mais caro que as rodinhas e a madeira do rolemã, e há necessidade de uma cadeia intrincada de investimentos para que se proporcione à criança crescida a possibilidade de brincar.
Pois bem. Muitas das crianças crescidas, por sua vez, não vão brincar desse jeito mais caro, e contentam-se em assistir a brincadeira dos outros. É o que acontece com quem acompanha as mais diversas categorias do automobilismo, entre elas a Fórmula-1.
Os carros são absurdamente caros, os pilotos recebem milhões, cada equipe conta com fábrica própria e um exército de técnicos, mecânicos, engenheiros, faxineiros, profissionais de todas as espécies. Além, é claro, de orçamentos astronômicos, captados de tudo quanto é lugar, para fazer funcionar tudo essa estrutura.
É claro também que, na lógica do modo de produção capitalista, ninguém põe dinheiro em nada, se não for para receber mais dinheiro de volta. Não deixa de ser assim nessa brincadeira de ver quem chega primeiro.
Na briga entre FOTA x FIA, que me parece mais propriamente uma briga entre FOTA e Max Mosley, não sei quem tem razão. Acho que ambos os lados têm suas razões, ambas sustentáveis. Todavia, uma coisa é certa: há muito tempo a preocupação principal da Fórmula-1 deixou de ser o esporte e passou a ser o negócio. Como bem disse o próprio Max Mosley, uma categoria que conta com participantes para quem o esporte não é um fim, mas um meio para lucrar mais com seus negócios principais, é, certamente, uma categoria instável.
Eu não sei como será o novo campeonato paralelo. Não sei se vai prestar, se vai ter grid cheio, aliás, até as eleições para a presidência da FIA, não podemos dizer nem se ela vai existir. Mas uma coisa é certa: a Ferrari mandou na Fórmula-1 pelo menos ao longo dos últimos 11 anos; perderam o trono e racharam para criar uma nova categoria. Quem se arrisca a dizer como será o regulamento técnico dela, hein? Motores e câmbio padrão, fornecidos pelo italianos, centralinas padrão desenvolvidas pela McLaren... enfim...
Não acho que seja o fim da Fórmula-1. Pergunto: quantas das equipes que abandonaram o barco na última quinta-feira estavam no grid da primeira corrida, em Silverstone, em 1950? Nenhuma delas. A Ferrari só entraria no GP seguinte, em Mônaco. Oras, se criaram uma categoria sem a Ferrari, pode-se, do mesmo modo, continuar a mesma categoria sem a Ferrari.
É claro que não é a mesma situação, o peso da tradição e da história agora falam bastante alto. Além, obviamente, dos investimentos e lucros que a presença da Ferrari traz à Fórmula-1. O problema é que a Ferrari levou quase todo mundo consigo, deixando a Fórmula-1 desacreditada e praticamente sem possibilidades de preencher o grid para o ano que vem. Há notícias de que muitas das equipes que se alistaram para 2010 já estão revendo suas posições e cancelando as respectivas inscrições, em vista da instabilidade atual da categoria.
Creio que os diregentes, mais do que esquecer do esporte em si, privilegiando o negócio, esqueceram-se também daqueles que são a verdadeira razão da existência da categoria, que são seus amantes. Não existiria Fórmula-1 sem audiência, sem pessoas que consomem Fórmula-1, que vão aos autódromos mesmo desembolsando uma grana razoável não recebendo em contrapartida as acamodações proporcionais ao preço, no caso do Brasil.
Seja como for, não sei se faz tanta diferença assim existir ou não Fórmula-1 ou qualquer outra coisa semelhante. Afinal de contas, nós só assistimos para ver quem completa 305 km em menos tempo, como fazemos desde crianças, e esse princípio absoluto do automobilismo - percorrer certa distância, seja ela qual for, no menor tempo possível - é algo completamente imutável.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

24 horas de Le Mans

Ocorreram no último final de semana as tradicionais 24 horas de Le Mans. Tantos anos acompanhando automobilismo e foi a primeira vez que pude ver essa magnífica corrida ao vivo. Isso graças ao canal Speed, que transmitiu trechos de mais ou menos três horas e meia da prova em certos interlavos de tempo.
Destaques: dobradinha da Peugeot, com o modelo 908. O trio vencedor foi formado por Marc Genè, Alexander Wurz e David Brabham, todos nomes conhecidos na Formula-1, especialmente o sobrenome de David. O trio que ficou com o segundo lugar foi composto por Sebastien Bourdais, Stephanè Sarrazin e Franck Montagny; Bourdais, como se sabe, é piloto da Toro Rosso na F-1, e os outros dois também tiveram passagens pela categoria.
Dentre os brasileiros, a equipe de Bruno Senna teve problemas desde as primeiras horas da corrida, devido a um acidente sofrido pelo piloto Stephné Ortelli, que danificou bastante o bólido. A equipe de Senna abandonou a competição durante a madrugada.
Já Jaime Melo Jr., da equipe Risi Competizione, conquistou pela segunda vez as 24 horas, ao lado de Mika Salo e Piere Kaffer. Jaime e seus companheiros competiam na categoria GT2, com a Ferrari F430GT.
O piloto já venceu o campeonato FIA GT (2006) e a American Le Mans Series (2007), ambas na GT2, além, é claro, das duas conquitas em Le Mans. Com um currículo tão expressivo, é uma pena não ouvirmos falar mais sobre ele aqui no Brasil. Talvez seja mais rentável falar mal do Barrichello a falar bem do Jaime Melo.
Para finalizar, devo destacar a minha participação nas 24 horas (?!?!). Bobagens à parte, durante a transmissão da prova pelo Speed, enviei um e-mail para os narradores Sérgio Lago e Roberto Figueroa, que foi lido ao vivo, o que me deixou muito feliz. Fiz uma pergunta questionando se haveria alguma espécie de revezamento para que eles pudessem dormir, ou se, simplesmente, não dormiriam. A pergunta até que se fazia pertinente, já que eles estavam narrando a Le Mans, logo em seguida narrariam a Nationwide Series da Nascar, já emendando com o trecho final das 24 horas, tudo isso fora o que eles já haviam narrado durante o dia (por exemplo, as primeiras três horas de Le Mans) e o que ainda narrariam no dia seguinta, também ao vivo. Haja fôlego, voz e espírito esportivo para aguentar com bom humor! A resposta foi simpática, como sempre.
Ficam aqui, então, meus cumprimentos ao Sérgio Lago e ao Roberto Figueroa, sempre presentes na American Le Mans, e que fizeram algo que eu considerava impossível até algum tempo atrás: tornar a Nascar interessante.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Here comes the (Emer) son

Estava ouvindo algumas músicas dos Beatles ontem e, no meio delas, estava a belíssima Here comes the sun, escrita por George Harrison para o álbum Abbey Road. Lembrei-me, então, deste vídeo que vai aí abaixo, em que George Harrison faz uma homenagem a seu amigo Emerson Fittipaldi, que havia acabado de se recuperar de um gravíssimo acidente nas 500 milhas de Michigan, em 1996. Antes da música, uma olhada no acidente:



A qualidade do vídeo da reportagem acima não está muito boa, mas achei interessante colocar porque tem a entrevista do Emerson saindo do hospital. Como se pode ver, Emerson teve fratura na coluna e um pulmão perfurado. Após esse acidente, ele decidiu encerrar sua carreira como piloto. Fittipaldi contava, na época do acidente, 49 anos de idade, com dois títulos na F-1 (1972 e 1974), 1 título na F-Indy (1989) e duas vitórias nas 500 milhas de Indianápolis (1989 e 1993). É mole ou quer mais?
As 500 milhas de Michigan de 1996 aconteciam logo após o racha entre Cart e IRL. Tinham a intenção de ser uma espécie "substituto", para a Cart, das 500 milhas de Indianápolis, que, na divisão, ficaram com a IRL.
O acidente de Emerson ocorreu logo nas primeiras voltas do GP, e teve uma pequena colaboração de Greg Moore, que, aliás, morreria em um acidente no California Speedway, em 1999.
Esta musiquinha cantada por Harrison foi gravada para um programa do SBT em homenagem a Emerson. O nome do programa era "Gente que brilha", e foi ao ar logo alguns meses depois da recuperação de Fittipaldi.
George Harrison, grande guitarrista dos Beatles, foi grande amigo de Emerson, era apaixonado por automobilismo e presença freqüente nos grandes prêmios de F-1 na Inglaterra. Sua paixão pelas corridas foi expressada em uma bonita canção chamada "Faster", que pode ser vista e ouvida aqui. O clipe mostra belas imagens de corridas da década de 1970 - e reparem que o motorista do carro em que está o George Harrison é o próprio Jackie Stewart.
Para encurtar o papo, aí vai o vídeo. Eu fico emocionado de assistir: bela música, bela homenagem, no contexto de uma bonita amizade entre dois de meus heróis.


terça-feira, 9 de junho de 2009

De novo, de novo...

Mais uma vez, começou a falação a respeito das atuações de Rubens Barrichello na Formula-1. Talvez tenha sido a pior corrida de sua carreira, mas os comentários maldosos irritam. Aliás, é tudo o que se lê sobre automobilismo: Rubens isso, Rubens aquilo; Mosley vai, equipes vêm, equipes vão, Mosley vai... enfim, está chato acompanhar F-1 pós-corridas (com hífen mesmo, para ficar parcial).
O GP da Turquia foi estranho; acho que nunca considerei a possibilidade de voltar a dormir após a primeira volta! Barrichello lá atrás, Vettel colaborando, eu já imaginei que ia acabar naquela ordem mesmo. Mas continuei assistindo e fui vendo a corrida de "recuperação" do Barrichello e imaginei que viria um acidente em breve. Ainda bem que não aconteceu.
Destaco, novamente, a corrida de Webber, desbancando o talentoso Vettel para chegar em segundo; se não fosse o Button ele venceria... 
Button não está perdoando. Rápido, seguro, sem erros. Vai ser campeão, com muitas corridas de antecipação. Não há nada que Rubens possa fazer, pois ainda que houvesse chance, já não iriam deixa-lo reagir. Agora, já entra o interesse da equipe, o que é justo diante da vantagem que o inglês conseguiu abrir.
Eu não gosto de teorias da conspiração, mas um certo André, que comentou este post do Ivan Capelli, parece-me ter ido ao ponto. Aliás, daquele pessoal todo do Grande Prêmio, o que mais gosto é o Capelli, porque é o único que se parece, em suas opiniões, com um jornalista.
Reproduzo o comentário do tal André:

"Capelli,

sua análise está muito bem escrita. Muito melhor do que os textos de muitos pseudo-jornalistas por aí.

Acho o Barrichello um ótimo piloto, mas tenho certeza que lhe falta a força mental para ser campeão.

O RB foi mais rápido que o Button em todos os treinos até a definição da pole na Australia. Aí teve aquela falha na largada (que atribuo ao carro, ele cansou de demonstrar que pode largar bem, como na Espanha e em Monaco) e sei que passa pela cabeça dele que a imprensa eo Brasil vão falar que ele chegou em 2o e tal. Aí desanda a fazer bobagens.

Na Austrália deu sorte e herdou o 2o lugar. Aí foi para a Malasia seco pra descontar e ganhou de presente da equipe a perda de 5 posições no grid por causa da troca do câmbio. Button pole de novo. Ou seja, a cabecinha dele já começou a largar fumaça. Foi uma prova em que a equipe errou duas vezes na estratégia com ele, que podia até ter vencido se tivesse colocado intermediários, e não secos, na primeira troca. Teve que voltar para os boxes em 1 ou 2 voltas, se não me engano.

Ou seja, tomou 2 a 0 com uma certa razão pra se queixar. Aí ele se estrepou de vez. Faz como aquele time que parte pra cima de qualquer jeito e vai levando gol em contra-ataque.

Para concluir, é preciso dar a ele o valor que o próprio Ross Brawn dá. Na Espanha, em Mônaco e até na Turquia, é ele que vai acertando o carro. Na noite de 6a o pessoal pega as informações da telemetria, põe no carro do Button e o inglês dispara.

Isso mina as forças mentais do Barrichello. Tão perto e tão longe do título.

Schumacher foi um tremendo piloto. Os números provam: é o melhor da história. E ele, como ninguém, soube minar o Rubinho (no diminutivo mesmo). O ocorrido na Austria, a prova em que o RB ficou com o carro no cavalete no grid, a falta de gasolina no GP Brasil quando ele ia abrir 8 pontos de vantagem em cima do alemão.

É fácil aniquilar o Rubens: basta alimentar aquela nuvenzinha preta em cima da cabeça dele.

Uma troca de estratégia na Espanha, um jogo de pneus com 2 libras a menos, uma embreagem que dá pau quando ele declara que largando no lado limpo da pista pode passar quem está em segundo. Podem ser coincidências, mas na F1 e no mundo corporativo há várias maneiras de se atingir um objetivo.

O objetivo do Ross Brawn é ganhar os dois títulos e ele está bem a frente dos demais competidores em ambos os campeonatos".


O início

Uma das questões interessantes que intrigam a humanidade é aquela que determina, o inicio da simpatia, ou antipatia, por determinada coisa, evento, ou mesmo pessoas. Ou seja, o que nos leva a gostar de futebol, do basquete e coisas do gênero? Em relação ao futebol lembro quando comecei a gostar e acompanhar. Foi lá em Curitiba em 1964 (péssimo ano para a democracia). Eu estava tomando banho de bacia (não tínhamos chuveiro) e do rádio vinha a narração do eterno Fiori Giglioti. O jogo era Santos e Botafogo de Ribeirão Preto. Pois o locutor gritou gol onze vezes e oito vezes um tal Pelé marcou. O Botafogo da cidade onde nasci não marcou nada. Pronto: eu passei a admirar o futebol, o Santos, e Pelé. Mas, e o automobilismo?
Meu pai nunca se interessou por essa categoria, pelo contrário. Sou o mais velho dos irmãos e não fui influenciado por eles. Buscando na memória lembro-me das revistas que traziam fotos de Ferrari, Ford GT, Porsche e por aí vai, do mundial de Marcas, que era, na época, mais importante que a F-1. Aqueles carros coloridos e com jeitão de aviões caças despertavam minha curiosidade. Na televisão, preto e branco (meninos eu vi!) tínhamos vídeos esparsos e atrasados de corridas na Europa e Estados Unidos.
Eu adorava um programa, não sei em que canal, que mostrava corridas antigas, já para a época, em Indianápolis. Lógico que com destaques para as porradas principalmente aquelas imensas envolvendo trocentos carros. A F-1 estava presente com o Jim Clark (o verdadeiro escocês voador) e um ou outro piloto. Lembro de ter visto uma foto do Graham Hill (o pai do Damon) dentro do carro em Mônaco com uma taça de champã na mão. Parece que depois de um treino...
Então, um acontecimento proporcionou um “click” e eu comecei a procurar tudo e mais um pouco sobre a F-1. 
Depois eu conto..... 

sábado, 6 de junho de 2009

Novo autor

O Formula-1 Literária conta agora com um novo colaborador, que por coincidência é meu pai. Vai ser bom para movimentar isso aqui, já que eu ando muito devagar com as postagens.

sábado, 23 de maio de 2009

Bueno...

O Grande Prêmio estreiou recentemente uma coluna, de cunho satírico, para criticar a transmissão da emissora oficial da Formula 1 para o Brasil.
Não tenho muito o que dizer sobre o texto em si. Não sou crítico literário.
Acho que as transmissões poderiam ser melhores, ter mais tempo de reportagens antes da largada e etc. Mas isso é questão administrativa da emissora. Talvez não compense em termos de audiência, já que, no horário brasileiro, a maioria das corridas passa de manhãzinha. Será que as pessoas acordariam para ver as reportagens? Bom, eu provavelmente acordaria, mas acho que a maior parte do público, não.
A presença do Luciano Burti melhorou bastante os comentários, já que ele é também piloto e entende bastante. Mas, talvez, o problema seja a postura um pouco autoritária do narrador oficial, que está sempre querendo que todos concordem com ele.
De qualquer forma, talvez haja esperança! As transmissões já foram melhores. Separei um pedaço das reportagens pré-corrida do GP do Japão de 1991. Claro que era uma corrida especial, mas fiquei espantado. Reginaldo Leme conversou com todo mundo - todo mundo mesmo - para saber quem eles esperavam da corrida e da decisão do campeonato. Interessante o repórter conversando com o Prost em francês e com o Patrese em italiano. Destaque também para a simpatia do jovem Michael Schumacher, afirmando que não esperava nada da disputa pelo título ("I hope nothing") e que gostaria de vencer a primeira corrida de sua carreira naquele final de semana. Petulância de campeão?
Já que eu estava com a mão no programa de edição, separei também a última volta, a chegada dos pilotos ao parking fechado e o pódium. Mas isso vai ficar para depois.
Aí vai o vídeo das entrevistas.


sexta-feira, 15 de maio de 2009

Não ouça no carro

Sem querer imitar o Flávio Gomes, mas já imitando, aí vai um momento "Rádio Blog", como ele chama lá. Mas é só porque tem muito que ver com correr de carros. 
Embora a música seja um mau exemplo, é divertida e "inspiradora". Chama-se "Steel Tormentor", se não me engano do álbum "The time of the oath", da banda Helloween.
Só não pode ouvir no carro, para evitar besteiras... 


quinta-feira, 14 de maio de 2009

Sessenta e nove anos

O autódromo José Carlos Pace, vulgo autódromo de Interlagos, completou nesta semana (12 de maio) sessenta e nove anos de existência. 
A história do autódromo pode ser lida neste link.
Segue um resumo da corrida de 1975, vencida pelo piloto que dá nome ao autódromo. A narração é de Luciano do Vale, ainda na extinta TV Tupi.