sexta-feira, 8 de maio de 2020

GOLEIRO DUPLO

Já falei de um lugar que a rapaziada da Química frequentou em algumas ocasiões.
Uma tapera à beira de um rio perto de São Carlos. Tem este post.

Dentre várias histórias (muitas tenebrosas) algumas são engraçadas.
Numa destas visitas resolvemos, logo que chegamos, jogar futebol num campinho do lado da "casa".
Problema: poucos jogadores. Sabemos que goleiro sempre foi problema no joguinho de futebol entre amigos. Ninguém está disposto.
Mas, nesta ocasião tínhamos um goleiro. Um dos nossos colegas, faixa preta de karatê, resolveu que seria o melhor goleiro da Filô depois de frangar várias vezes em uma partida de futebol de salão. Empenhou-se ao máximo e conseguiu ser um bom goleiro. Precisam vê-lo pulando atrás da bola. Parecia uma perereca ensandecida.

Mas, faltava o outro goleiro. 
Tudo se resolveu quando do aquecimento da galera. Como já havia escrito, levávamos quantidades astronômicas de cerveja. Além de cachaça (que nunca curti), limão e gelo.
O aquecimento consistia em beber. Simples.
Nosso goleiro oficial resolveu fazer caipirinha. E, o rapaz quando se dedicava a fazer algo, tinha que ser perfeito. 
Resultou que, todo mundo no campinho, devidamente aquecido e o goleiro experimentando a caipirinha. Foram várias experimentações e descartes até ficar bêbado, quero dizer, ficar satisfeito com o resultado.
Veio, trôpego para o campo e descobriu que ninguém queria jogar no outro gol.
Não deu outra. Com aquela voz característica de quem já estava para lá de Bagdá disse que jogaria nos dois gols.
Como assim?

Simples: ele começaria o jogo e correria para o outro gol. Defenderia, passaria a bola para o companheiro deste lado, correria para o gol do outro lado, começando tudo de novo.
E, assim foi. Lógico. O jogo acabou quando o goleiro duplo ficou sem fôlego (caipirinha).

Porém, ninguém reclamou. Fomos bebemorar felizes da vida.
Em tempo. Ninguém, depois de passado a bebedeira, lembrava o resultado do jogo


 
 

quarta-feira, 6 de maio de 2020

SALSICHA INCENDIÁRIA

Não. Não se trata de um embutido cheio de pimenta a nos surpreender na primeira mordida.
Trata-se de um acontecimento ocorrido lááá em Curitiba quando este que vos tecla morava na gloriosa rua Emílio de Menezes.

Ela está aqui em 2011


Minha casa ficava nesta construção verde. A esquina era um terreno baldio. A Emílio era de terra. Havia, defronte minha casa, um esgoto a céu aberto. Muuitos sapos.
A vilinha onde moravam os mais variados clãs não existe mais. Tenho uma foto de uma das casas quando de uma visita, creio que em 2005.
Foi engraçado. Íamos para o sul, os Onofris, e paramos em Curitiba. Nunca havia visitado as paragens de tantas lembranças. E pirei na batatinha. 
Resumindo: lembro de sair feito louco contando que "aqui era a casa do Adolfo", "aqui era uma construção que nunca acabava", "aqui tudo era mato", até que o chefe do blog me encontrou uns quatro quarteirões distante.

Me perdi. 
Ah, me achei.
Em Curitiba faz um frio da peste. No inverno nem se fala. 
Nas noites de inverno dona Alzira, a gloriosa, me enrolava em dois cobertores. Sim, dois.
Ficava parecendo uma salsicha.
Para evitar os ataques de pernilongos, uma vez que os sapos não davam conta da demanda, ela acendia aqueles espirais de veneno.
exatamente como este
E, vão dormir com o ambiente cheio de fumaça e enrolado feito a tal salsicha.

Uma bela noite, no entanto, acordei com mais fumaça que o normal. A ponta de um dos cobertores caiu sobre o espiral, colocado muito perto da cama (né dona Alzira?) e pegou foto. Sim. Fogo numa casa de madeira. Lembram deste post?

Quando percebi que a coisa não estava para brincadeira chamei mami.
Papi, porém, foi quem respondeu. Véio Mero levantava por volta de quatro de la matina para ir trabalhar na fábrica de pão. Portanto, estava puto com o chorão chorando por causa da fumacinha do espiral. Berrou para que eu não enchesse o saco. Algo carinhoso assim.
Eu não conseguia me livrar dos cobertores. Verdade. Ficava tão apertado que só pela manhã com a ajuda de dona Alzira conseguia me livrar das amarras. Nem sei como conseguia dormir. 

Sei que, ao perceber as chamas crescendo para cima da cama, berrei feito um bezerro desmamado.
Lembro de abrirem a porta e a luz da lâmpada do corredor lutando para vencer a fumaça. 
Vários cof cof depois os cobertores em chamas foram parar no gramado dos fundos da casa.
Véio Mero ficou com aquela cara de bunda por não acreditar no pimpolho.
Dona Alzira sem entender como uma brasa (mora, diria Reibeto) provocou um fogaréu daqueles.
Enfim, lembro que fiquei sem meus cobertores preferidos. Foi o final feliz, no entanto, da salsicha incendiária.  E, nunca mais dormi feito salsicha.

terça-feira, 5 de maio de 2020

GENTE COMO A GENTE


Bons tempos em que os pilotos faziam xixi com a porta aberta. Se bem que Piquet, na primeira foto, não conseguiu chegar a tempo pois já borrou o macacão e está tentando "lavar" seus companheiros. 




 Alesi e Prost num momento "aliviador".




segunda-feira, 4 de maio de 2020

DO FUNDO DA GAVETA

Brincadeira. Do fundo da infernal internet.

A primeira foto é de uma Lotus 78 toda vermelha no GP do Japão em Fuji no ano de 1977. O outro carro estava com as cores tradicionais preto e dourado. O patrocinador master da Lotus, a JPS (John Player Special) marca de cigarros, resolveu pintar o carro nas cores da subsidiária Imperial mais popular por lá.
O piloto é o sueco Gunnar Nilson.





O carro abaixo é facilmente reconhecível pelo brasão: Alfa Romeo 177. O piloto mais ainda. Niki Lauda.
O ano é 1978 e o carro estava sendo testado em agosto no circuito de Paul Ricard, França. Não me perguntem o porquê do austríaco, contratado pela Brabham, testar este carro. Não encontrei explicações. Talvez o "empréstimo" se concretizou porque a Brabham usava motores Alfa.
Lauda disputou a temporada correndo com Brabham ficando em quarto lugar no geral.
A Alfa 177 só estreou na F-1 em 1979 disputando três corridas e falhando em todas. Os pilotos eram do ramo: Vittorio Brambilla e Bruno Giacomelli.






Uma melhor foto do carro. Sim, era feio pácarai.






domingo, 3 de maio de 2020

DO FUNDO DO BAÚ

Não é bem do fundo do baú mas, tá valendo.
Do fundo da infernal internert.



Vejam que legal. Não consegui descobrir qual GP de 1978.
A Mclaren na frente é pilotada por Nelson Piquet no primeiro ano de sua carreira. É uma M-23
Bruno Giacomelli vem com Mclaren M-26 logo atrás. A Mclaren M-26 é fresquinha. Nascida em 78.

A M-23 foi concebida em 1973 e foi utilizada pela equipe até 1977.
Um tal de Bob  Sparshitt, antigo mecânico da Lotus, comprava carros usados e botava para correr.
Inconcebível hoje em dia. Infelizmente.

Piquet alugou um desses carros, no caso McLaren 23BS e disputou três GPs até o duende Bernie Ecclestone, então dono da Brabham, contratá-lo para a glória.

Para quem interessar possa, o terceiro carro da foto é um Surtess TS-19 conduzida por Vitório Brambilla.





sábado, 2 de maio de 2020

SENNA

Já escrevi aqui que não gosto de mencionar datas de falecimentos.
Muito menos do Ayrton, apesar de alguns posts em homenagem.
No entanto, por estes dias, muito se falou sobre o homem e o piloto.
O ponto em comum é o fato de ninguém saber até onde iria o piloto. Quando do acidente contava com 34 anos. Já combalido com tantos embates no mundo "moedor de carne" que é a F-1.
Pode ser um pensamento mórbido mas, Ímola 94 ajudou a elevar o brasileiro ao panteão dos imortais gênios do esporte. Na minha opinião com merecimento. 
Mas, até que ponto chegaria o piloto com tantas variáveis que comandam a vida/esporte?

Seguindo, já assisti zilhões de vezes a primeira vitória de Senna em Portugal/85. Assistindo a corrida por inteiro vemos que, neste GP Ayrton mostrou a que veio. Correu, em verdade, no seco enquanto os outros se viravam no molhado.


Este é o carro, 





Bonitom mas, uma carroça. Lotus 97T com motor Renault.


sexta-feira, 1 de maio de 2020

O DRAGÃO (BY ZIZI PICTURES)



Ligue o som. Por falta de orçamento a parte que seria dos efeitos especiais foi remetida às novelas dos rádios nos anos 50.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

ENFIM!

"Bãs noites!"

BIBA DOS TECLADOS!






Falam do Robin.
Mas, eu sou a rainha dos teclados!!

CHEGOU CHEGANDO

Sei que o momento não é para brincadeiras.
Mas, ...



Corona chegando na festa.

SUPER!


Amiguinho vesgo! Qual o seu super poder?




Sou o super-dotado!


GENTE COMO A GENTE

Tia! Posso ir no banheiro? Estou verde de vontade!

FOTOS SEM MOTIVO

NA FILA DO BANHEIRO

CARRO DE GELO PARA O HOMEM DE GELO

O MENINO E O ÍDOLO

QUARENTENA E EXERCÍCIOS

Apesar de "presos" em casa não podemos esquecer dos exercícios.
Cookie dá o exemplo.



quarta-feira, 29 de abril de 2020

F-1 AND ROLL BABY



George Harrison pedindo para saírem da frente. Vai ensinar Emerson a pilotar no modo rock and roll

terça-feira, 28 de abril de 2020

NÃO DESISTE!

Temos que voltar a falar de Mimadon, o Fernando Alonso.
O site F1 Insider diz que ele se ofereceu para correr na vaga de Vettel caso o alemão não renove contrato.
Sim, o acordo de Tião Vetor com os vremios subiu no telhado. Tipo grana e duração e Leclerc.

Então, entra na história o monochatonesco. O cara chegou chegando. Tomou o lugar de primeiro piloto (sim, é verdade) de seu companheiro deixando o clima mais para chuvas e trovoadas. Tem sido um trabalho hercúleo gerenciar os pilotos de mamã Ferrari.
Porém, tudo pode acontecer na terra ferrarista. Por isso o post.

Agora, pensando logicamente. Alonso devastou todas as equipes por onde passou. Por sinal até a Ferrari. Tem, como costume, se vangloriar de andar mais que seus companheiros de equipe. Mas, nunca diz que tem preferência total. Até na fila do rango.
Enfim, alguém imagina uma dupla do espanhol e o monochatonildo?
Mesmo porque Mimadon terá (em 2021) 39 anos de idade. Nada contra, talquêi?
Sua última temporada foi em 2018. Acho que o tempo pesa, neste caso.

Finalizando, ele só iria se pagasse uma fortuna. Existem muitos outros pilotos disponíveis no grid.
Mas, como disse, tudo é possível.

"Aí, Luizão! Macacão tá guardadinho."

segunda-feira, 27 de abril de 2020

FÓRMULA ANTIGA

Os pessimistas andam dizendo, pelos cantinhos, que nem teremos f-1 neste ano.
Lógico que se houver não será um campeonato como estamos acostumados a ver.
Nos anos sessenta tínhamos em média 11 corridas.
O número foi aumentando de acordo com a fome de alfacinhas por parte dos dirigentes.
Em 2020 teríamos 22 corridas. Para fã nenhum botar defeito.
Mas, a pandemia já dizimou boa parte delas e coloca em dúvida as restantes.
De acordo com o regulamento, para valer, o campeonato deverá ter no mínimo oito corridas.
Pode ser, portanto, viável um campeonato à la anos sessenta.
E, para lembrar daqueles tempos uma foto dos boxes da velha e fodona Lotus.

Isso é que é mão na graxa

sábado, 25 de abril de 2020

FOGO NO PARQUINHO

A situação atual do país lembra uma expressão muito usada por alguns do "baixo clero".
"Briga de cachorro grande".

Voltando no tempo, lá na Química (anos 70!) tínhamos alguns professores bem ruinzinhos. Sob vários aspectos.
Um deles em particular não sabia quase nada  da matéria que ministrava.
E, éramos obrigados a aguentar o tranco. 
Não era muito inteligente bater de frente com o cara que dava as cartas/notas némesmo?

Um belo dia, no entanto, descobrimos uma maneira de desopilar o fígado. Uma espécie de vingança.
Um desses professores iria defender a tese de doutorado no anfiteatro da Filô. Justo o ruinzinho.
E, sua tese era chupada de um outro pesquisador, este sim, fodão.
E, o "chupado" iria fazer parte da banca.

Resumindo: no dia marcado a galera foi assistir em peso. Nosso querido "chupador" foi execrado por todos os integrantes da banca. Não sabia explicar a própria tese. Nós, pobres alunos, exultantes com o massacre. Toma papudo.
O professor, cuja tese foi copiada descaradamente, deu uma aula para o pobre.
Mas, ele "passou" de ano. Lembro muito bem que tirou 9,50.
Escândalo. Fogo no parquinho.
De qualquer maneira fomos cumprimentar o professor após a defesa de tese. O cara era gordinho e estava suando em tricas. Mas, sua mão estava fria e ele em estado catatônico.
Passou mas, levou uma senhora piaba.
Em conversa com um professor mais próximo fiquei sabendo que se a banca foi reunida o dez estava garantido. Era muito difícil reunir pesquisadores da mesma área da tese. Enfim, dez seria demais.

Hoje, ou melhor ontem, me senti naqueles tempos, guardadas as devidas proporções. 
Briga de cachorro grande. Ninguém, nesta parada, é inocente. O marreco, por sinal, está acostumado a mandar gravações/zap para dona Globo. 
Fogo no parquinho. Fogo no circo. 
Pena que o Bozo é um palhaço absolutamente sem graça.
Seria cômico se não fosse trágico.
 
 

terça-feira, 21 de abril de 2020

F-1?1?

Não estou acompanhando as notícias sobre o campeonato de f-1 neste ano por motivos óbvios.
Ninguém sabe se vai acontecer. Mas, sei que Hamilton será campeão.

Sempre falo de carros bizarros da categoria. No passado as expectativas em relação aos carros eram maiores porque ninguém sabia o que algum maluco/gênio poderia apresentar. 
Hoje, os carros são cópias uns dos outros.

Enfim, fuçando a infernal internet descobri mais um carro excepcional em termos de desenho.

O  Eifelland Type 21. Correu em 1972, ano que acompanhei a F-1 bem de perto. Confesso que não lembro deste carro que foi pilotado por Rolf Stommelen um piloto alemão que era do ramo.
O piloto se desentendeu com o dono da equipe, um tal Günther Hennerici ao longo da temporada. Imagino o motivo.....

O carro era esta maluquice. 

Aqui o bicão mesa de centro adotado pela March

Aqui o bico "escorregador" de área kids
Entrada de ar na frente do cockpit e o retrovisor colocado estrategicamente para atrapalhar a visão do piloto.
Começaram com chassi March e problemas com superaquecimento e downforce fizeram com que copiassem o March "paradigma". Daí o bico "mesa de centro". 
Grandes ideias que não são aprovadas na primeira volta.
Mas, carro mais bonito que os de hoje.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

DUAS EM UMA

A corona que vale a pena

A lua bisbilhotando meu quarto através da porta entreaberta

quarta-feira, 15 de abril de 2020

PETS



Já escrevi sobre alguns de nossos animais de estimação. Como exemplo este.
Um post bem triste, por sinal.
Mas, o clã Onofri conviveu com vários animais de estimação. Desde peixes, gatos, tartarugas, cães nas suas várias raças e até andorinhas que cismam em fazer ninho no encaixe do ar condicionado. 

Quando moleque (e adulto) aprendi que os animais de estimação entram na família como membros efetivos. Ou seja, comem restos (ou não) do que os humanos se alimentam. Um pequinês lá de sampa tinha privilégios de bolacha exclusiva. Sim, gordice total.
Titã, o pequeno vira-lata de vozeirão, ganhava cerveja e licor. Uma vez bebeu do meu copo de cerveja sem permissão e eu resolvi embebedá-lo com licor. Tadinho. Sim, vou para o inferno.
Por sinal Titã era sem noção. Sabia que pizza com molho de tomate fazia mal mas, sempre pegava seu pedaço. Logo após ia regurgitar num canto qualquer.

O tempo passou. Como disse sou do tempo em que tudo era mato e bichos de estimação eram bichos. Agora são Pets. Puta que la merda.
Este lado do clã mora em apartamento e morro de dó de animais enclausurados nestes espaços pequenos. Inclusive animais humanos.
Mas, pedidos e rebeldia tanto persistem até que furam. Tivemos uma tartaruga que se suicidou pulando do sexto andar. Não me perguntem como.
Um tempo depois veio o Pio, uma calopsita colorida e cagona. Ficava solta e marcando território a cada cinco segundos. Este foi mais esperto. Pulou do sexto andar e sumiu do mapa. Mesmo com asas semi aparadas. 
Agora temos duas calôs que ficam numa gaiola enorme lá na sacada. Não tem as asas cortadas e, quando são soltas, o apê tem que estar lacrado porque voam loucamente pelo espaço exíguo.

E, finalmente chegou Cookie o Yorkshire Terrier que mais parece um vira lata pentelho.
Como disse, no meu tempo tudo era mato. Ou seja, a cachorrada aprendia a fazer as "necessidades" no lugar certo na base da porrada. Brinquedos eram panos velhos e plásticos que iriam para o lixo.
Cookie já chegou todo mimadinho com brinquedos adequados para sua incipiente dentição (!!!) comida de filhote (que ele renegou. Só come a de adulto) e o ensinamento básico na base da modernidade. Ou seja, muita falação do que pode e do que não pode. Com isso ele faz cocô onde não deve. Xixi onde bem entende. Passa o tempo roendo o que não deve e tudo o mais.
Resumindo: é um vira-lata com um acabamento melhor.
A prova é ignorar os brinquedos temáticos comprados de acordo com a atenção que deve ter nesta fase de crescimento e "massacrar" o utensílio doméstico de alguma casinha de brinquedo.







WTF?

VIA "MAPS"

INTERVENÇÕES VALERIANAS - O RETORNO


segunda-feira, 13 de abril de 2020

FLIGHTRADAR

Não é um radar voador mas, um site de acompanhamento de voos.
Sem entrar nos detalhes do "GPS" do avião, virei um aficionado pelo acompanhamento de aviões.

Lógico que, várias (algumas tenebrosas) histórias surgiram neste tempo.
Vamos lá.
O chefe do blog ainda morava neste tenebroso país e vinha de sampa para rib's by plane em algumas ocasiões. Quarenta minutos de voo.
Estava voltando para Congonhas e acompanhava o avião. Percebi que houve um movimento do avião típico de quando a aeronave arremete. Coisa normal, diga-se de passagem.
Porém, eu colocava observações no zap-zap da família. E, avisei da arremetida. Todos se voltaram contra o "jornalista". Ninguém queria saber de notícias que poderiam ser ruins. Ainda mais porque não era possível averiguar o que de real estava acontecendo.

Tomei jeito? Claro que não. Lá estava novamente o chefe do blog na europa voando de algum lugar (não lembro) para Dublin, Irlanda. Numa época em que bom tempo por lá significa neve aos borbotões.
Estava na "firma" mas, um olho num monitor e outro no voo.
Quando faltavam uns cinco minutos para o pouso o avião desapareceu do flightradar. Puta que la merda.
Atualizei o site e dei foco no aeroporto. Não havia dúvida de que o avião sumiu antes de pousar.
Bom, sabia que os celulares ficam desligados (hoje nem tanto) e, num primeiro momento, não liguei para o chefe. Mas, não conseguia nem pensar direito. O que poderia ter acontecido? Lógico que a gente sempre pensa no pior. Com o coração aos pulos tentei ligação várias vezes. Quase meia hora depois o chefe atendeu tipo "estava acompanhando o voo?"
Resumindo: o tempo estava feio para carai. Não dava nem para ver a ponta da asa do avião. Por sinal, um avião da Embraer. Provavelmente deu pane no "GPS" quando o avião estava próximo do solo.
Mas, desceram. Com o cu na mão mas, desceram. E, levei o maior esculacho por acompanhar o voo.

Terminou?
Claro que não. No final do ano passado eles vinham para cá. Via TAP. 
Lá estava eu de novo, novamente, outra vez, acompanhando o voo. O avião era o clássico 747.
Tudo parecia bem. Estavam no meio do oceano Atlântico. Não bem no meio mas, quase.
De repente o avião faz meia volta. Puta que la merda, de novo.
Estava voltando para Lisboa. Algum problema mecânico. Será que aguenta voltar? Será grave? Vai sumir do mapa?
Enquanto tentava controlar o pânico veio um zap do chefe do blog. Estavam voltando porque um sujeito estava passando mal.
Mas, que porra é essa de zap-zap. Qual é essa operadora fodona que manda sinal lá das alturas?
É que agora os aviões são equipados com wifi, vejam só.
Nada parecido com o wifi de algumas companhias de ônibus que só funcionam na propaganda.
Então, explicação dada o problema maior foi adiar a festa porque até tudo se resolver e o voo recomeçar não é coisa de meia hora. E, mais bronca por ficar de olho no voo.

E, aguardo o próximo voo. Para grandes emoções.

Um "Azul" indo de Floripa para Campinas

sexta-feira, 10 de abril de 2020

TELETRABALHO

A primeira vez que ouvi falar sobre o teletrabalho foi por volta de 2008 quando cursava Direito. 
Um dos professores imprimiu o projeto de lei e o colocou em discussão.
Não lembro muito bem sobre o enfoque da discussão. Mas, sei que o equipamento e a fiscalização foram temas muito debatidos. A conclusão foi a de que os equipamentos iriam ficar por conta do interessado e o trabalho seria por metas. Lógico que, alguns queriam saber como iria funcionar as horas extras...

Foi então que lembrei que um quase parente nosso trabalhava em sampa numa empresa com sede nos Estados Unidos. Enfoque trabalhista mais moderno. E, vejam só! Na década de noventa fizeram um teste com alguns cargos de chefia. Forneceram computadores e o pessoal trabalhava em casa. Uma vez por semana reunião na empresa para aferição do teste.
Depois de algum tempo concluíram que não funcionava. Nosso quase parente, por exemplo, ficava de pijama o tempo todo (não havia conferência em vídeo) e disperso pela casa. 
Resultado: voltaram ao trabalho na empresa. Terno e tudo o mais.

Trabalho numa "firma" extremamente conservadora. Não vou falar nada sobre o ambiente hierárquico porque o chefe do blog arrepia os cabelos quando dou nome aos bois.
Até o reconhecimento da pandemia tínhamos duas pessoas em teletrabalho. Conseguiram a duras penas.
A portaria que regulamentou o teletrabalho na minha "firma" não é muito diferente da lei trabalhista. Comparecimento semanal e metas a serem cumpridas. Ironia: metas maiores daqueles que trabalham na "firma".

Apesar do conservadorismo houve uma atitude rápida e drástica em relação ao trabalho quando da decretação da pandemia. Em pouquíssimo tempo fomos colocados em teletrabalho. Computadores acessados por via remota. Ou seja, meu computador na "firma" está ligado permanentemente. Lógico: os monitores desligados.
O equipamento, no entanto, por nossa conta. Aqui em casa somos dois na "firma". Portanto, compramos um computador novo com dois monitores e foi realizado um upgrade no laptop véião de guerra que ficou ligeirinho. Por sinal, de onde teclo este post.

Tudo para dizer que os conservadores tiveram que curvar-se ao moderno. Estatísticas preliminares dão conta que o teletrabalho pode ser mais eficaz do que o comparecimento físico na "firma". 
E estamos, os funcionários, aprendendo a administrar o tempo. 
Como trabalhamos por meta o tempo não é o inimigo. 
Nem o espaço. A rainha da mansão se apoderou do computador fodão com dois monitores. Então, montei um cafofo num canto da casa, uso este lap, tabáio só de bermuda, fone de ouvido e com a eficiência de sempre (ah, ah).
E, tanto aqui quanto lá, muito café.

Estamos neste regime até 30 de abril. Depois,......bom depois ninguém sabe se chegará.
Toc, toc na madeira.



quarta-feira, 8 de abril de 2020

Chômage

Fevereiro foi-se junto com o carnaval; gosto de fevereiro, quando o ano ainda é fresco e nos engana com o truque de parecer suficiente para dar conta da vida. Então, passa o feriado, março vem e começa a espremer o tempo entre os dedos numa tentativa desesperada de não deixá-lo fugir.
O mês passou atordoado. Corria para cima e para baixo as escadas do metrô, mesmo sem saber o porquê da pressa ou aonde o trem levaria. 
Semanalmente, um aplicativo no celular informa sobre a evolução do índice de desemprego na França; na estante, livros lidos e não lidos se acumulam, ao lado das inescapáveis tarefas pragmáticas a realizar; outro dia, estava passando em frente ao museu e resolvi entrar: "há tempo", constatei com assombro. 
Com medo de perdê-las, deixo para as horas um orifício menor que o de um funil. Há, todavia, uma porta larga por que poderíamos passar confortáveis, eu e elas. Acumula-las-ia do outro lado do batente questionando, uma a uma, sobre o caminho dali em diante. Só elas saberiam. 
Almocei com um amigo antes que março se esvaísse e, quando fomos ao caixa pagar pela refeição, aproximou-se um homem com uma bolsa caída sobre os ombros, dirigindo-se ao dono do restaurante: 
"Boa tarde. Eu sou eletricista e passo pelos estabelecimentos para perguntar se há necessidade de alguma reparo, algum serviço a ser feito". 
"Hoje, não, obrigado", respondeu o proprietário. Talvez outro dia tivesse. 
O homem saiu. Quis interpelá-lo a respeito de seu cartão de visitas; se não tivesse cartão de visitas, ofereceria ajuda para que conseguisse. Fiquei apenas parado, contudo, observando o eletricista que ia embora, desejando profundamente que encontrasse, sem aflição, as suas horas.

terça-feira, 7 de abril de 2020

CARROS SEMI PELADOS






Não poderia faltar Bernie intrigado perguntando: "aqui é a frente?"

UMA COISA PUXA OUTRA

Estava lendo sobre a profanação do cemitério na cidade de Örebro que atingiu, entre outros, o túmulo do ex-piloto Ronnie Peterson.
Todos que gostam da F-1 gostam deste sueco, morto em 78 decorrente de ferimentos recebidos num acidente besta em Monza.

Fui até a infernal internet dar uma olhada nas fotos antigas sobre o tema F-1. Por sinal, os carros mais feios daquela época são mais bonitos que os atuais.
Encontrei esta foto.


Dois grandes pilotos. Peterson controlando a Lotus 76 numa curva e Emerson Fittipaldi com sua McLaren M-23 atrás.
Emerson seria campeão em 1974.

Mas, pera aí!
Ronnie pilotando a Lotus número 1?
Que se passa?
O número um era utilizado pelo campeão do ano anterior. E, seu companheiro o número 2.

O campeão de 1973 foi o chato Jackie Stewart.

Ah. Tem explicação. Uma coisa puxa outra. A foto tem significado lógico. O chato escocês pendurou o volante ao final de 1973.
Pelo regulamento da época o número um seria herdado pela equipe campeã dos construtores.
Que foi a Lotus e não a Tyrrel, equipe de Stewart.  Então, os pilotos da Lotus usaram os números um e dois.
Regulamentos à parte Peterson merecia ser o número um.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

AH, A PRIVADA!

Sou ligeiramente famoso na família por "postar" depois de algumas cervejas. Apesar de auto censura sempre há a presença daquela frase/palavra que ali não estaria não fosse aquela nebulosidade que invade nosso cérebro vindo das mais profundas regiões de nossa mente.
No dia seguinte lá vou eu consertar o post.

Enfim, o post que antecede a este lembra muito os acima classificados.
Lógico que o chefe do blog (ele voltou!!) tem a verve mais elaborada e impulsionada por bebidas mais sofisticadas que a "água suja" que estou acostumado a ingerir.

Não estou, longe de mim, dizendo que o post resultou numa contemplação filosófica do vaso sanitário, vulgo privada, antes da devolução "liminar" do anteriormente ingerido. Liminar no sentido de uma apreciação perfunctória do mérito. A bebida bateu e voltou num efeito bumerangue trazendo o almoço/janta a tiracolo.

Mas, privada é para mim motivo de um certo trauma.
Quando era menino lá em Curitiba morava numa humilde casa guarnecida por um banheiro decente. Na medida do possível.
Mas, frequentava casas com banheiros no quintal. O que significava um tremendo pavor ao precisar fazer uma visita noturna. Todo tipo de monstro aguardava o mijão/cagão no escuro entre a casa e o ambiente onde depositaríamos os excessos não mais utilizáveis por nosso corpinho.
O vaso, nestes casos, era um buraco no solo, chamada fossa, com um "sentador" de madeira. Sim, se o infeliz fosse muito magro báu-báu. Eu me agarrava nas paredes porque era muito magro. Saudades da minha magreza.
Alguns mais modernos tinham uma espécie de aparador de metal. Normalmente feitos utilizando uma bacia velha. Era uma espécie de funil colocado entre o vaso e o infinito. 
Se a petizada se divertia com o barulho das "obras" caindo lá na China (algumas fossas pareciam não ter fim) o som da lata aparando e encaminhando o motivo da ida ao banheiro era para envergonhar qualquer cagão que se preza.

Mas, décadas depois estava tendo um papo alto astral com véio Mero sobre as cagadas da vida. Vejam só. E lembrei dos banheiros rurais de Curitiba. 
Ele lembrou que em certa ocasião noturna sentou num desses com aparador e fez o que tinha que fazer. Ouviu na primeira rajada, sons de algo arranhando a lata. Não ligou muito. Poderia ser um sapo besta. Sapo besta é o que não faltava em Curitiba.
Acabada a obra resolveu averiguar o bicho lá dentro. Puxou a lâmpada (daquelas de cordinha) e deparou-se com uma ratazana tentando escapar do cocô. E, mirava no objeto mais próximo de sua escapada. O saco de véio Mero.
Imaginem que o homem ficou com intestino preso uns seis meses.
E, qualquer que fosse o banheiro fazia uma investigação completa dos arredores. Principalmente no vaso. Porque mesmo nestes modernos pode aparecer um jacaré, ou tubarão.
Prefiro ficar com os monstros e os sapos bestas.

Arqueologia do vaso sanitário

O ambiente aconchegante, composto por móveis de madeira escura com detalhes dourados que harmonizam com o carpete vermelho, acomoda os cavalheiros que, bem vestidos, aspiram, bebem, fumam e sorriem. 
"O senhor saberia me informar onde fica o reservado?"
"Claro. O senhor pretenderia utilizar um vaso sanitário?".
"Como?"
"Há de se perguntar, nestas situações, o que é, então, um vaso sanitário, uma privada?"
A surpresa com a pergunta é tamanha que o cavalheiro necessitado sorri e esboça uma resposta, esperando que ela fosse a chave que lhe abrisse o caminho até o seu destino.
"Ahn... é um artefato para auxiliar os subprodutos da digestão humana a atingirem o sistema de esgoto, suponho. Com licença, sim?".
O interlocutor posiciona-se entre o necessitado e o caminho até o banheiro.  
"Vamos suspender, por um instante, a unidade a que convencionamos chamar de privada. Reconheço como poucos a utilidade desta unidade: o alívio que proporciona é diretamente proporcional ao aperto que a homeostase provoca quando dela nos aproximamos. Mas o que temos, se abrirmos mão da unidade, não é um conjunto mais ou menos disforme de peças muito diversas entre si? Um recipiente côncavo, composto de porcelana, em regra dotado de um assento, acoplado a um sistema de circulação de fluídos, possibilitando que elementos líquidos ou sólidos sejam ejetados do ambiente doméstico ou de trabalho?
Esta dispersão de elementos apenas pode ser identificado como privada em certas circunstâncias pré-definidas, a partir da observação de determinadas regras que a permitem identificar como tal. Repare que a emergência deste objeto -  'privada' - se dá em função de um conjunto de relações complexas, em que se incluem processos sociais, econômicos, sistemas de normas, etc., e não preexiste à sua descoberta; ou seja, as relações que permitem a criação de um objeto não são metadiscursivas e nem estão no texto, ou no ato de fala, como forma acabada do discurso; compõem, na verdade, os limites do próprio discurso, como sistema pré-terminal, tal qual a dor de barriga que antecede a diarreia".
"Meu senhor, por gentileza, apenas me aponte o caminho até o banheiro. É esta porta atrás do senhor, não é?" 
"Eu poderia, sim, dizer que esta porta atrás de mim dá acesso ao se destino. Que utilidade isso teria, contudo? Em nada pode ser útil a indicação do caminho ao banheiro a quem não conhece, como o senhor, o que é uma privada. Provavelmente, terminar-se-ia por zanzar por estes corredores até que se apreendessem os elementos de uma formação discursiva que fizesse 'ver' a privada. Fora destas condições, a privada, simplesmente, não existe, e é inencontrável o que é inexistente".
Ao que responde, já impaciente, o sujeito necessitado:
"A realidade da privada, senti-la-ia fora de qualquer contexto discursivo, precisamente em seu assento gelando meu traseiro. No caso, entretanto, busco apenas o mictório, cuja existência posso, sem prejuízo, apenas imaginar a alguns centímetros dos meus pés".
Ambos riem divertidamente e trocam cartões de visita.