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terça-feira, 7 de julho de 2020

RUTH E RAQUEL

Confesso que não assisti a novela das personagens gêmeas do título. Ruth boazinha e Raquel do mal.
Sei que tinha o Tonho da Lua.
Mas, aqui em casa, muitas vezes a rainha da mansão pergunta se alguém está "Ruth ou Raquel".
Qualquer um levanta Raquel de vez em quando.

Lembrei que convivi pouco, na vida real, com gêmeos idênticos. Tenho sobrinhos gêmeos. Só que de sexos diferentes. Dá para diferenciar, nénão?
Duas gêmeas idênticas eram professoras lá em Curitiba no meu segundo ano de primário. No famoso "Prieto Martinez".

Para encher o saco ainda tinham o mesmo corte de cabelo. Lembro que eram jovens e bonitas.
Descobri que a minha professora era a Raquel.
Foi assim.
A, digamos, Raquel ficou doente e não deu aula para nós durante um mês mais ou menos.
Então, a irmã a substituiu.
Ruth entrou na classe e nós, pensando que era a Raquel, já pegamos o caderno lápis e aquele silêncio sepulcral.
No entanto, ela explicou que iria substituir a irmã doente por um tempo.
E, descobrimos que era boazinha. No começo uma conversinha fora de hora. Depois instalou-se a balbúrdia. Ruth não conseguia domar a criançada doida. Até que a gente tentava realizar as tarefas. Só que em meio ao caos.

Um belo dia Raquel voltou. Notamos sua entrada na sala e nem ligamos. Uma festa estava instalada. Todo mundo em pé, gritaria e objetos voando loucamente.
Pensamos que era a Ruth.

Quando a professora continuou em pé com ar furioso resolvemos prestar atenção nos detalhes. Qual nada. Ela continuava cópia fiel da irmã.
Bom, para resumir, veio aquela explosão de fúria mostrando que estava recuperada. Um dos castigos foi escrever o nome dela corretamente no caderno. Quem errasse perderia os dedos (brincadeira. Perderia alguns pontos na nota).
O nome dela era Shirley. Lembro bem. Com o maldito "Y".
Ninguém acertou. Bom, foi melhor perder pontos do que levar uma suspensão.
Raquel, que já era brava, nunca mais sorriu.

E, foi assim que fez-se a diferença entre elas. Uma queira nos esganar. Sempre com a cara amarrada. A Raquel. A outra, Ruth, andava leve pelos corredores.
E, nós com inveja da meninada da classe dela.

sábado, 23 de maio de 2020

DO FUNDO DAS LEMBRANÇAS

Pois é Tanto falei que, em algum lugar existiam fotos da casa de minha infância em Curitiba que resolvi fuçar nos arquivos para encontrá-los.
E, hoje em dia, arquivos de fotos significam dos mais variados tipos. Em papel, JPG guardados em cd/dvd, em HDs externos, pen drives e tudo o mais. Tudo espalhado em lugares mais remotos possíveis. Outro dia encontrei um pen drive na minha gaveta de cuecas. Pensei que fosse um pornô drive (escondido) mas, era de música.
No caso estas fotos, em papel, estavam num "baú" no armário do quarto. Pesadíssimo com zilhões de fotos.
Enfim, em meio a tantas fotos com tantas lembranças encontrei estas que fazem parte do post. 
São de 2004 quando o clã foi até Floripa passando por Curitiba.
São aquelas do dia em que (já relatei) o chefe do blog me encontrou pirado na batatinha quarteirões distante.

Vamos lá.


Aqui é o que restou da fábrica de pão onde Véio Mero trabalhava. Não sei o que significa este pedaço de carro em frente. No lado direito o escritório. 
Engraçado que, nas minhas lembranças, a fábrica parecia muito maior. Tanto que era uma fábrica alimentando várias padarias no cento da cidade.
Pelo que entendi, nos relatos de meu pai, o dono morreu e os herdeiros perderam tudo.
E, os pichadores tomaram conta.


O mesmo local em 2019.



Por incrível que pareça esta casa não mudou nada em tantos anos. Estava assim em 2004. Apenas o muro foi acrescentado. Nela moravam três irmãos, duas mulheres e um homem, que fugiram da segunda guerra, segundo a lenda. Eles eram absolutamente antissociais. Quando a molecada fazia algazarra na rua surgiam em uma das janelas xingando em uma língua que parecia alemão. O irmão adorava pegar passarinhos em armadilha e arrancar a cabeça dos mesmos na janela ante os meninos pasmos. 
Lindinhos.



A mesma casa em 2019. Meninos, os irmãos estão vivos! Basta Tirar o mato da frente e a casa está lá, toda tenebrosa.

E, finalmente:




Esta casa é exatamente, em 2004, igual àquela que morei até 1966.

E, novamente digo que nas memórias ela parecia maior. Principalmente o alpendre onde está o "simpático" cachorro. Uma vez levei um puta tombo saindo da porta batendo o quengo no chão. Foi tão forte que senti um gosto estranho na boca e pensei que ia encontrar Jesus (naquele tempo acreditava nele). Dona Alzira foi culpada porque estava encerando o chão. Sim, passando cera. Eu não percebi e saí com tudo. Lembro que havia uma certa névoa encobrindo minha visão quando ouvi minha mãe berrando por não tomar cuidado. E, penso eu, me recobrei porque buscava uma explicação para o afobamento. Foi o que me salvou, eh eh. Lógico que dona Alzira preocupou-se quando percebeu o estado em que seu primogênito se encontrava. Muitos berros e água na cara para curar o rebento.
O episódio da salsicha incendiária ocorreu no quarto com janela dando para o alpendre. Se notarem, na lateral da casa, o porão que nos levava para mundos paralelos. 



Em 2019, uma série de "lodjinhas" tomou o lugar da vilinha. 




Para encerrar. A rua Henrique Itiberê da Cunha conserva os paralelepípedos até hoje. Vejam que atualmente o asfalto da rua Emílio de Menezes termina no calçamento. No meu tempo de moleque a Emílio era de terra sem saneamento algum. Significava que a água da chuva desembestava rua abaixo desaguando na Itiberê levando todo tipo de lixo. Desde garrafas de vidro até ratos mortos por afogamento. E, lógico, sapos. Muitos sapos. Eram pegos desprevenidos batendo papo fora do córrego/esgoto. Em frente ao carro branco a única boca lobo da área. Ou seja, festa da petizada na água de enchente  Para desespero das mães. Quando a boca de lobo não entupia por conta própria a gente se encarregava de enchê-la com lixo para criar a piscina dos pobres. E, tome guerra de água e lixo que boiava.
Não sei como sobrevivi mas, cortei os pés várias vezes nesta festança.

Hoje, véião, percebo que a memória afetiva vence a memória realidade. Até as lembranças funestas são transformadas em lembranças festivas. Passamos poucas e boas nesta época. Longe de tudo quanto era parente a família cresceu com dois rebentos orgulhosamente nascidos em Curitiba. Imagino o que Dona Alzira (a Ziri Yonara) passou juntamente com véio Mero para dar conta da crescente família. 
E, de qualquer sorte a vida seguiu. 
Mas, até hoje centenas de anos depois, gosto de dizer que um dia volto para Curitiba de minha infância.


quarta-feira, 6 de maio de 2020

SALSICHA INCENDIÁRIA

Não. Não se trata de um embutido cheio de pimenta a nos surpreender na primeira mordida.
Trata-se de um acontecimento ocorrido lááá em Curitiba quando este que vos tecla morava na gloriosa rua Emílio de Menezes.

Ela está aqui em 2011


Minha casa ficava nesta construção verde. A esquina era um terreno baldio. A Emílio era de terra. Havia, defronte minha casa, um esgoto a céu aberto. Muuitos sapos.
A vilinha onde moravam os mais variados clãs não existe mais. Tenho uma foto de uma das casas quando de uma visita, creio que em 2005.
Foi engraçado. Íamos para o sul, os Onofris, e paramos em Curitiba. Nunca havia visitado as paragens de tantas lembranças. E pirei na batatinha. 
Resumindo: lembro de sair feito louco contando que "aqui era a casa do Adolfo", "aqui era uma construção que nunca acabava", "aqui tudo era mato", até que o chefe do blog me encontrou uns quatro quarteirões distante.

Me perdi. 
Ah, me achei.
Em Curitiba faz um frio da peste. No inverno nem se fala. 
Nas noites de inverno dona Alzira, a gloriosa, me enrolava em dois cobertores. Sim, dois.
Ficava parecendo uma salsicha.
Para evitar os ataques de pernilongos, uma vez que os sapos não davam conta da demanda, ela acendia aqueles espirais de veneno.
exatamente como este
E, vão dormir com o ambiente cheio de fumaça e enrolado feito a tal salsicha.

Uma bela noite, no entanto, acordei com mais fumaça que o normal. A ponta de um dos cobertores caiu sobre o espiral, colocado muito perto da cama (né dona Alzira?) e pegou foto. Sim. Fogo numa casa de madeira. Lembram deste post?

Quando percebi que a coisa não estava para brincadeira chamei mami.
Papi, porém, foi quem respondeu. Véio Mero levantava por volta de quatro de la matina para ir trabalhar na fábrica de pão. Portanto, estava puto com o chorão chorando por causa da fumacinha do espiral. Berrou para que eu não enchesse o saco. Algo carinhoso assim.
Eu não conseguia me livrar dos cobertores. Verdade. Ficava tão apertado que só pela manhã com a ajuda de dona Alzira conseguia me livrar das amarras. Nem sei como conseguia dormir. 

Sei que, ao perceber as chamas crescendo para cima da cama, berrei feito um bezerro desmamado.
Lembro de abrirem a porta e a luz da lâmpada do corredor lutando para vencer a fumaça. 
Vários cof cof depois os cobertores em chamas foram parar no gramado dos fundos da casa.
Véio Mero ficou com aquela cara de bunda por não acreditar no pimpolho.
Dona Alzira sem entender como uma brasa (mora, diria Reibeto) provocou um fogaréu daqueles.
Enfim, lembro que fiquei sem meus cobertores preferidos. Foi o final feliz, no entanto, da salsicha incendiária.  E, nunca mais dormi feito salsicha.

terça-feira, 26 de junho de 2018

RESCALDO

Quando em Curitiba, nos anos 1960, as casas no entorno da vilinha onde o clã Onofri habitava eram construídas, na grande maioria, em madeira. Portanto, suscetíveis ao fogo. Principalmente no inverno devido ao tempo seco e a utilização das mais variadas formas de aquecimento. Desde encanamentos ligados aos fogões à lenha (coisa bem moderna, por sinal). Até o velho e bom fogo oriundo de uma panela qualquer e muito álcool. Olha o perigo. Fogo em ambiente fechado exala gás carbônico que é tóxico. Mas, dona Alzira colocava a tal panela no banheiro para que seu pimpolho friorento pudesse tomar banho. De caneca, claro. Chuveiro era coisa de rico. Pelo menos por aquelas bandas.

Quando ocorria um incêndio imediatamente o planeta ficava sabendo. A rádio peão se encarregava de espalhar a notícia.  Incêndios são belos e aterrorizantes ao mesmo tempo. O fogo iluminava a noite acima do telhado. Depois de algum tempo estourava os vidros das janelas e surgia como se acenasse para a multidão. Os estalidos e barulho das paredes que ruíam faziam parte do espetáculo. Os bombeiros jogavam água à vontade a destruir janelas e portas alimentando o fogo com o oxigênio que entrava. Água de nada servia quando o fogo já estava alto. A gurizada estatelava os olhos. 

Só havia um problema. Não pensávamos nas pessoas que habitavam a casa. Nunca tomei conhecimento de uma morte envolvendo os incêndios dos quais fui expectador. Lembro de voltar para casa, comentando sobre o nada que sobrou e o calor amenizando o frio da noite. 
Mas, em uma ocasião tudo mudou. Meu vizinho gritou sobre uma casa pegando fogo numa rua próxima. Corremos para lá. Era um sobrado todo de madeira. Diversão garantida. Adultos corriam para dentro da casa retirando pertences até o braseiro impedir a entrada. Então, em meio à multidão, surgiu uma figura conhecida. Uma colega minha da escola, a gloriosa Prieto Martinez, passou em prantos acompanhando o que julguei ser sua mãe. 

Então, os incêndios tão maravilhosos passaram a significar dor. Perdia-se tudo. Roupas, móveis, casas. O fogo consumia em minutos a vida das pessoas. Lembro nitidamente do rosto de minha colega. Pânico e desalento para sempre gravados na memória.
Chorei de vergonha dias seguidos. Como podia ter prazer em assistir o fogo consumindo tudo o que as pessoas tinham para sobreviver?
Nunca mais vi a garota na escola. Sempre tive a esperança que sua família tivesse encontrado abrigo com parentes. De vez em quando voltava ao terreno onde erguia a casa. Restou abandonado até minha mudança para sampa.

Desde então não vejo graça nem em fogueiras de festa junina.

terça-feira, 2 de junho de 2015

LAMBÃO EM CURITIBA!

Sim. Lambão em Curitiba.
Assisti a Stoque-toque car e sua etapa em Curitiba.  
Confesso que gostei.
O blog foi assistir in loco aqui em Rib's e o evento, apesar de atrapalhado pela chuva, foi horrível. 
Mas, vamos à capital paranaense.
Ao contrário do usual de tempos atrás, ninguém bateu em ninguém de maneira proposital.
Quero dizer Luciano Burti (vulgo Lulu Burp) empurrou um adversário para fora da pista para não perder a posição. Mas, de maneira geral a corrida foi limpa. A pista (de verdade, não essas porcarias de traçados de rua) ajudou.
Na primeira corrida, com melhor pontuação, venceu Daniel Serra com o ribeirãopretano Marcos Gomes em segundo e Thiago Camilo em terceiro. Na segunda corrida o curitibano Julio Campos chegou em primeiro com Rubim em segundo e Popò(!) Bueno em terceiro.
Mas, vamos à maldonadice que faz a alegria do blog.
Escolhemos, numa eleição à la FIFA, o vencedor do leitão do dia. Assado lá nas churrascarias de Santa Felicidade pertim de Curitiba. Dona Gertrudes assou uma semana antes e deixou o dito curando numa solução de salmoura. Diz que é receita de família e ótima para as artérias.
No vídeo, em verdade, uma sequência de lambadas. 
O vencedor foi o míope Ricardo Zonta (vulgo Riri Tonta) que, esquecendo os óculos em casa entrou nos boxe errado. Pior foi não perceber que o dito estava ocupado e pimba na traseira do carro adversário. Os mecânicos nem pestanejaram e passaram por cima do capô do carro intruso. Ele ainda deu ré e foi para o lugar certo. Em verdade, confundiu os boxes porque os mecânicos dele também usam vremeio.
Mas, fez nossa alegria e leva o leitão do dia.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

AO NÊNES COM CARINHO

A primeira vez que fui apresentado ao tempo, esse dos ponteiros do relógio, foi em Curitiba. Estava fazendo nove anos e uma vizinha me abraçou dizendo mais ou menos que dali a nove anos eu faria dezoito. "Veja só", disse ela.
Eu fiquei imaginando que raio de mágica é essa de se passarem nove anos. Eu nem tinha idéia da passagem do tempo.
Há uma época em nossas vidas que olhamos para as pessoas mais velhas que falam de tempos passados como se falassem de outro mundo. Coisas distantes. Coisas de velhos.
Certa vez, véio Mero contou uma história da década de 1940. Ele havia pulado o muro da Santa Casa, aqui em Rib's onde morava, para roubar frutas das árvores que ficavam na parte de trás do hospital. Na época ele tinha uns quinze anos e lembro que quando ouvi a história estava com uns vinte anos.
Que ironia, pensei, meu pai já teve a minha idade!
O tempo foi passando e minhas lembranças enchendo baús, memórias, fotos, histórias, lembranças que se esmaecem com o tempo. Como era mesmo o nome daquele meu desafeto da rua Djalma Forjaz? Imaginava mil formas de matá-lo. Tempos passados. Nem o nome lembro.
Semana passada tivemos uma festa surpresa para minha cunhada. Ela completou setenta anos.
No entanto, é mentira. Ela não tem setenta anos. Pode ter esta idade cronológica. Tenho em minha lembrança o primeiro dia em que a conheci e desde então sou um dos participantes da festa sem fim que ela e o Carlitão sempre proporcionaram para aqueles que os rodeiam. Dizem que Carlitão não está mais entre nós. Besteira. Nunca deixará de estar. Aqui uma singela homenagem a ele.
E, assim o tempo vai escoando e me pregando peças.
Vejam a última. No dia cinco de abril essa criança sapeca vai fazer um ano de existência. Entrou em nossas vidas de surpresa, bagunçou o meio de campo, tomou conta da sala, do quarto, dos banheiros, da cozinha e tudo o mais. Até do lixo se a gente bobear.




a ferinha quer "descobrir" a máquina fotográfica

E, então, o tempo voltou. Novamente, como aconteceu com meus filhos, estou aprendendo um mundo novo, nova linguagem, novos olhares "pedintes", novas maneiras de enganar para distrair, novas músicas pintadinhas, novas colheres para dar a comidinha, mamadeiras muito mais fáceis de preparar, fraldas descartáveis (uma grande invenção!!!),  mas, as mesmas emoções e saudades inexplicáveis ao longo do dia.

el bigodón tomando suco
Claro que temos momentos em que a exigência por atenção passa um pouco dos limites. Já até andei falando para que ele fosse ler um livro, porém, sem sucesso. Ainda mais eu o escravo preferido dele.
No entanto, temos que aproveitar. Sabemos que o tempo está correndo contra a ingenuidade do Henrique. Ele vai crescer, aprender a linguagem dos adultos, a forma e os gestos. Vai questionar o mundo em que vive. Vai escolher seu caminho. Vai sair do ninho. Vai nos deixar saudosos por um contato qualquer. Telefone, whatsup, um post no blog e etc. Já vi este filme.
Por isso, mesmo tendo curtido a infância dos meus filhos, não perco a chance de aproveitar o tempo com Henrique.

até com chupeta não deixa de ser estiloso

Vai chegar o dia em que não terei mais o tempo do relógio. Mas, olhando para trás vejo que o tempo com meus filhos e neto, um até agora, foi de felicidade plena. Valeu a pena.
Para completar, dos zilhares de filmes e fotos de Henrique este é um dos meus preferidos.
Ele percebe o eco de sua voz enquanto explora o ambiente de uma garagem de uma certa casa em uma certa praia do sul.






sábado, 11 de fevereiro de 2012

PEIXINHOS NEGROS

A familia em férias vinha feliz pela rua onde se hospedava na praia quando uma poça d’água chamou a minha atenção.
O que vi nadando na água da chuva que empoçou junto ao meio fio provocou em mim um calafrio e fui arremessado de volta à minha infância lá em Curitiba.
Vejam o vídeo desses lindos peixinhos pretos nadando alegremente.
Quando morei em Curitiba, a capital mais fria deste maluco país, tinha como atividade aquática brincar, como já disse, em enchentes como também em um riozinho próximo e num córrego que passava bem em frente minha casa entre outras maluquices de criança.
O tal córrego era na verdade um quase esgoto a céu aberto, como fui informado algum tempo depois pela dona Alzira, preocupada que estava com a saúde do filho pentelho.
Sempre digo que Curitiba se transformou em exemplo de urbanidade para o resto do país porque tudo precisava ser feito. Bem mais fácil do que destruir e reconstruir canalizações e ruas.
Eu morava praticamente no centro da cidade com o esgoto fazendo parte das minhas brincadeiras cotidianas. Fico imaginando como não morri de uma infecção qualquer.
Os piás (como os moleques eram chamados lá em Curitiba) costumavam brincar no rio que passava logo após o final da rua.
Hoje a rua Emilio de Menezes, onde morava, tem uma continuação e o riozinho continua lá todo estropiado mezzo canalizado mezzo a céu aberto.
Eu ia com os outros desbravadores pegar peixinhos, lambaris pulguentos, para colocar em aquários mambembes onde acabavam morrendo pelos “bons” cuidados que recebiam.
Um belo dia voltamos do rio com um monte de pobres peixinhos que caíram em nossa rede. Entre eles alguns interessantes peixinhos pretos.
Peguei minha parte e coloquei num aquário desses redondos sem logística alguma.
Alguns dias depois reparei que os pretinhos tinham saliências, uma de cada lado, junto à cauda.
Com o passar dos dias as saliências aumentavam e comecei a imaginar que eram patinhas. Chamei o sábio da família, véio Mero, que vendo a mutação dos pretinhos quase defecou de tanto rir.
Explicou sucintamente que o mané pescou girinos e que eles iriam se transformar em sapos.
As saliências eram as patas traseiras ganhando forma.
Disse todos os dois palavrões que conhecia na época e joguei o aquário e seu conteúdo no córrego em frente de casa.
Foi tão traumatizante que nunca mais freqüentei o riozinho e seus segredos molhados.
Enfim, eu vivia cercado de sapos e “sapas”.
Nosso bairro era o paraíso desses bichos feiosos e, dizem, ameaçados de extinção.
Estavam em toda parte. Nas ruas, jardins, nos porões, escondidos atrás de moitas e etc.
Alguns, juro, batiam à porta das casas. Penso que queriam pedir xícaras de açúcar emprestadas aos vizinhos. Na verdade, as luzes colocadas na soleira atraíam insetos que atraíam sapos em busca de comida. De vez em quando pulavam e batiam a cabeça na porta.
Por falar em luzes, uma de minhas travessuras prediletas era sair à noite e fazer xixi na horta mantida pelo meu pai.
Verdade!
Por isso até hoje evito comer alface. Sei lá com qual tipo de água foram regadas.
Essa arte de regar a horta tinha que ser feita com as luzes apagadas para evitar castigos daqueles que não entendiam a supimpa elevação cósmica em regar hortas com urina. É um ciclo divino. O que vem da terra alimenta o homem que devolve parte do alimento em forma líquida.
Bom, de vez em quando, sem enxergar patavina, eu tropeçava nesses montes gélidos e saltitantes que são os sapos. Minha força de vontade em manter a horta regada tinha que ser muito forte.
Finalizando. Sapo é um ser que se alimenta de insetos, não é mesmo?
Então, gostaria que explicassem por que o mundo anda cheio de insetos como os que atazanaram nossa vida nessas férias. Os pais desses girinos do vídeo não estão fazendo um bom trabalho.
Pela quantidade dos filhinhos estão mais preocupados em manter a espécie do que em cumprir seu papel.
Tem mais. Observem um sapo. Notem o ar irônico que ele sempre sustenta. Alguns parecem a Mona Lisa com aquele risinho que precede o peidinho.
Como sou adepto da teoria da conspiração tenho certeza que são descendentes daqueles lá de Curitiba, parte de uma irmandade secreta que tem a finalidade de me perseguir com seus risinhos irônicos.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

POST COM SENTIDO ALGUM

Quando eu era criança, como já disse, acreditava em Papai Noel.
Morava em Curitiba e tenho boas lembranças de minha infância e pré-adolescência passadas na capital mais fria do país.
Um dos meus bordões prediletos é o que um dia irei voltar a morar naquela cidade e freqüentar o estádio do Coritiba, meu quarto time do coração.
O primeiro é o Santios (por culpa de Pelé), o segundo o Parmera (por culpa do “seu” Homero), o terceiro o Sum Paulo (por culpa do Renato) e o quarto o Coritiba (por culpa de Curitiba).
Pois bem, quando morava na capital do Paraná acreditava, pela milionésima vez, no bom velhinho.
Morávamos em uma casa com um anexo que era chamado de paiol.
Todo dia 25 de dezembro pela manhã, no mínimo de 1960 até 1966, eu ia até a parede do paiol que fazia divisa com a casa vizinha na esperança de encontrar minha amada bicicleta.
Eu pensava que o Noel em questão, por um motivo qualquer, não deixava a bike debaixo da árvore de Natal junto com presentes legais, mas não tão desejados quanto minha amada bicicleta.
Então, quem sabe ao ir embora no seu trenó puxado pelas bichinhas das renas ele, remexendo sua lista de presentes, encontrasse no fundo do baú a bicicleta tão ansiada pelo Luizinho (eu era magrinho de dar pena), e a deixasse na parede atrás do paiol para evitar o trabalho de entrar novamente pela chaminé (sim, tínhamos uma chaminé!!!).
Que nada.
Nunca ganhei a tal bike.
Era obrigado a andar em uma bicicleta italiana herdada de meu avô paterno (que morava em Rib’s) aro vinte e oito e meio. Ela era enorme e desconjuntada.
A rapaziada de minha turma tinha bikes modernas e adequada ao tamanho das crianças.
Enfim, depois de um tempo pedi ao Noel um fuzil AK-47 de origem soviética.
Nem isso eu ganhei uma vez que o bom velhinho é um cara esperto e sacou que eu iria sacar o fuzil e encher sua pança de balaços de maneira a superar meu trauma de infância por nunca merecer uma bike que toda criança merece (sacaram?).
Sim, não deixe sua criança com traumas insuperáveis.
Desde então, eu ponho em ação um plano para abater o bom velhinho e seu trenó movido pelas bichinhas renas.
Nesta época do ano a noite é cortada pelos fachos de luz em busca do trenó do Noel que nunca trouxe a tão sonhada bicicleta deste que vos tecla.
Iluminado o trenó do devedor vermelho entrará em ação o canhão anti-aéreo AK-230/t69 fabricado pelos camaradas da antiga União Soviética e adquirido numa liquidação em Vichiskovisk, capital da Putrovisk (antigo país satélite da URSS) juntamente com milhões de garrafas de vodka com vencimento na década passada.
Não sobrará nem velhinho e muito menos as bichinhas das renas a assombrar os natais futuros do Luizão (sim estou gordo de dar pena).
No vídeo meus subordinados (estagiários) varrem os céus de Rib’s em busca do meliante.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

TEMPESTADES

Acabei de ler/ver o post do chefe do blog, que por sinal está sentado quase ao meu lado.
As manifestações da natureza em forma de tempestades me fascinam.
Desde meus tempos de Curitiba e suas chuvas de verão, mistura de água e granizo a machucar as costas dos moleques que corriam para a rua Henrique Itiberê da Cunha sempre a encher de água para nossa alegria e desespero das mães, uma vez que não é muito higiênico brincar em água empoçada por entupimento de bueiros.
Gosto de assistir uma tempestade desde seu início com a formação das nuvens a assustar os medrosos.
Sim, convivo com gente, como diria o Faustão no particular e no profissional, que se desespera ao menor sinal de chuva.
Enfim, uma tempestade é um belo espetáculo.
No começo, os pássaros vão abrigar-se em lugar seguro. Alguns, querendo aparecer para seus compadres, voam em meio ao vento. Sei lá o que pensam da vida.
Mas, nada como o flash dos raios seguidos dos trovões e o magnífico stéreo que mamã natureza proporciona.
Se orquestra fosse este seria o início tipicamente rockeiro de uma tempestade.
Após, vem a chuva propriamente dita como uma apoteose de violinos.
Como dizem hoje, se a chuva for “tensa” vamos ter alagamentos e as mesmas reportagens na TV a repetir-se ano após ano.
Prefiro ficar com a atração que a chuva exerce sobre mim. Mesmo porque, vejam a foto do sol se pondo ao fim de uma chuvarada, após a tempestade vem a bonança.
É batido mas verdadeiro.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

LEMBRANÇA

Este carro, um Citroen, da exposição já comentada remete à minha infância lá em Curitiba.
Eu morava numa rua que dava vista a outra em subida após um rio.
Na verdade não era o rio amazonas que minha imaginação e lembrança guardam.
Eu visitei Curitiba da minha infância faz pouco tempo e descobri que o rio, ou o que restou dele já que foi canalizado, não passa de um riacho.
Enfim, a molecada gostava de rir de um sujeito que tinha um carro como este.
Ele embicava o carrinho no começo da subida, mandava ver no acelerador e no meio da subida o Citroen refugava e descia a rua.
O cara não desistia e era preciso pegar embalo até subir.
Não sei se o problema era o carro ou algo parecido. Falta de motor, por exemplo.
Mas, a meninada adorava rir do pobre coitado tentando voltar para casa depois do trabalho.