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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Biãxí

A primeira vez que notei Jules Bianchi foi em uma corrida de kart, mais precisamente o Desafio das Estrelas de 2013, promovido por Felipe Massa na Penha-SC. O francês colocou todo mundo no bolso, guiando com classe ímpar. Na primeira bateria, venceu com imensa vantagem pilotos consagrados, entre eles, kartistas reconhecidamente habilidosos. No dia seguinte, garantiu o título com um quarto lugar após largar em oitavo.
Na ocasião, a bolha do kart de Bianchi estava pintada com cores parecidas com as da Force India e isso serviu para alimentar os rumores de que o piloto estrearia na Fórmula-1 por esta equipe. O francês estreou, de fato na F-1, em 2013, mas pela Marussia, equipe em que permaneceu em 2014 e pela qual marcou dois pontos com um novo lugar no GP de Mônaco. Apesar de serem apenas dois pontinhos, o feito é significativo, pois foi a primeira vez em que uma das equipes "nanicas" que iniciaram suas atividades na F-1 em 2009 pontuou. Além disso, estes dois pontos, até aqui, colocam a Marussia na frente de Sauber e Catherham no mundial de construtores.  Caso se confirme esta classificação, deve haver um impacto positivo no orçamento do time anglo-russo.
Bianchi era candidato a um imenso sucesso na F-1. Há algumas semanas, discutia-se um possível futuro seu na equipe Ferrari. Dias depois, todos apreensivos esperando novidades sobre suas condições de saúde que são muito difíceis. Para os fãs do automobilismo, fica a impressão horrível de que um acidente evitável pode ter encerrado uma grande carreira que apenas começava - a mesma sensação que tivemos com o acidente com o Kubica, em 2011. A carreira é o de menos, no entanto. Vamos torcer para que a família possa receber Jules em casa, depois deste longo dia de trabalho. 
Abaixo, algumas lembranças do Desafio das Estrelas de 2013.





segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Veja você como são as coisas

Na quinta-feira da semana passada, a primeira vitória de Rubim Barrichello na F-1 completou 14 anos. A corrida foi inesquecível, com todo tipo de maluquice, como o doidão que estava puto com a Mercedes e invadiu a pista para protestar, além dos carros, como o de Rubim, que completaram a corrida de pneus slicks mesmo com a chuva que caía forte em parte da pista. Lembremos a última volta:



Pois, na semana passada, em razão da Corrida do Milho Grande da Stock Car, lembrei do Rubim. Não lembrei porque achei que ele pudesse vencer a corrida, mas principalmente porque os meios oficiais não estavam falando tanto nele. Vi entrevista com o Cacá, mas não vi nada do Rubim. Mas, quem sabe, só estivesse desatento. 
Então, veio a pole no sábado e achei que seria interessante se ele vencesse justo na semana do aniversário da primeira na Fórmula-1. Ele foi lá e ganhou uma corrida muito empolgante. Claro que não houve o drama de 14 anos atrás, mas vê-lo comemorar como um menino, acariciando o rosto do filho, me fez lembrar por que eu torcia para ele. 

sexta-feira, 14 de março de 2014

São uns imbecis

Após os testes da pré-temporada, Massa já era campeão. Faltava só abrir o Martini e se embebedar. Claro, a imprensa fez um estardalhaço enorme com a boa performance da Williams e a ruim performance da Red Bull no inverno. "Massa vai ganhar corrida", "Massa vai brigar pelo título". Previsões com pouco fundamento e de realismo questionável. Temos que esperar para ver e criar expectativas sobre um carro ou piloto nesta fase é só um exercício de especulação. 
Então, ontem começou para valer. Massa obteve um pouco significativo 12º lugar nos treinos desta madrugada. "Pouco significativo" aponta que a colocação em um treino livre não quer dizer muita coisa. Pode ser que ele estivesse fazendo simulação de corrida ou seja o que for. Mas a primeira manchete sobre F-1 que leio no dia dizia "Massa decepciona". Está, na página inicial do site. A esta hora, a orelha de Felipe já deve estar fervendo, com ferozes torcedores vociferando que se trata de "um novo [novo?] Barrichello". Ele é que deveria esquentar de porrada a orelha do imbecil que pôs em seus ombros uma pressão que não pediu. 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A favor, pela primeira vez

Eu poderia dizer que nasci e, desde então, torci por Ayrton Senna. Em seguida, após a morte do piloto brasileiro, passei a torcer contra Schumacher. Torci para Damon Hill, porque ele era contra o alemão; Villeneuve, idem; os únicos que me despertaram uma torcida autônoma a favor, quer dizer, não só por serem antagonistas de Schumacher foram Häkkinen, Barrichello e, recentemente, Vettel. O resto, só reflexos de minha torcida contra o Sapateiro. 
De um jeito torto, acompanhei a carreira toda de Schumacher na F-1, e de modo sempre muito apaixonado - Schumacher era tudo o que eu não gostava em um piloto. Hoje, o distanciamento "histórico" me faz ver mais que eu via há alguns anos, mas, ainda tenho muitas reservas.
Por ser um ponto de referência desde meus tempos de menino, o acidente de ski do indestrutível Schumacher - o cara que ganhou uma corrida de F-1 no dia em que sua mãe morreu - foi muito triste. Torço por sua recuperação com muito mais força que torci ao longo de toda vida para que ele não ganhasse uma ou outra corrida.