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sábado, 24 de abril de 2010

AQUELES QUE TUDO SABEM

Neste país do futebol é comum que as pessoas envolvidas com um tema acabem pensando que são os batutas do pedaço (batuta do pedaço é uma expressão de minha avó. Quer dizer os bons). Na maior parte das vezes nem chegam perto disso.
No fim de semana do GP da China tive que exercitar meu lado de monge tibetano. Necessário dizer que esses monges, de vez em quando, exercitam seu lado rambo pondo o templo abaixo. Afinal monge também é gente. E, haja saco!
Enfim, constatada a queimada de largada da prima dona alfonsina fui obrigado a ouvir do bueno da vida aquele “eu já desconfiava”. Pelo menos afirmou que não arriscou dizer por que não tinha certeza. Mas fica aquela sensação de que o cara se acha o batuta do pedaço. Lembrando sempre (uma expressão que ele adora, por sinal) aquela vitória do Berger em 1991 no GP do Japão que deu o título ao Senna, quando o próprio Senna deixou o seu amigo ultrapassá-lo praticamente na linha de chegada. O nosso bueno explodiu em “eu já sabia, eu já sabia” absolutamente constrangedor. Se a gente estivesse no buteco, de madrugada aqui no Brasil, assistindo o GP é claro que todo mundo estaria pulando de alegria, derramando o liquido precioso aos berros de “eu já sabia, eu já sabia”. Mas, o cara é o galvão da emissora mais poderosa do pedaço. Muito chato.
Li também, e pior, um desses pilotos frustrados que virou jornalista escrever que apesar de todos os sensores tal e coisa o alfonsino não queimou porra nenhuma.
Lógico que em alguns casos o cara tem que ser do contra para aparecer. Mas, nessa queimada quem se queimou foi ele. Nem o Alfonso reclamou....

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Brawn e Mercedes

A Mercedes-Benz acaba de adquirir o controle da equipe Brawn GP, como já dito, na contra-mão das demais montadoras, todas abandonando ou querendo abandonar o barco Fórmula-1.
É interessante reparar uma coincidência interessante entre essas duas equipes. A Mercedes já teve equipe própria, na década de 1950, entre as temporadas de 1954 e 1955. Nesse período, disputou 12 Grandes Prêmios, dos quais venceu 9, perfazendo 75% de vitórias em relação a GPs disputados; foi 10 vezes ao pódio, o que significa 83,3% de aproveitamento. A equipe venceu os dois campeonatos de pilotos que disputou com Juan Manuel Fangio (ainda não se disputava o campeonato de construtores); ou seja, 100% de aproveitamento em relação a campeonatos disputados.
Também a Brawn GP tem 100% de aproveitamento em relação a campeonatos disputados, já que a unica temporada em que participou foi vencida por seu piloto Jenson Button. A Brawn levou também o campeonato de construtores. Em relação às vitórias, a Brawn disputou 17 GPs, vencendo 8 deles, o que significa 47% de aproveitamento; a equipe foi ao pódio 11 vezes, perfazendo 64,1%.
Isto é: os números relativos da Mercedes, enquanto equipe, e da Brawn GP são altíssimas, pois tiveram uma trajetória curta extremamente vitoriosa. A Ferrari, por exemplo, disputou 59 temporadas, vencendo 15 vezes o campeonato de pilotos. Isso totaliza "apenas" 25,4% de aproveitamento.
Uma vez li uma campanha publicitária em que uma certa emissora de televisão, para minimizar os números absolutos do Ibope, chamava atenção para o seguinte: "os números não mentem, mas não dizem toda a verdade". E não é que é isso mesmo?