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quinta-feira, 24 de setembro de 2020

O CHATO!

 Sempre há o chato.

Mas, não vamos falar do primo do piolho. 

Falemos do chato humano. O famoso pentelho que vem dar palpites quando não é chamado. Ou fala o óbvio em alguma reunião com ares de grande descobridor (do óbvio). O chato é aquele cara que surge do nada. Geralmente quando algo importante está rolando. 

Quando mais jovem que hoje, lá em sampa, havia um chato que tentávamos evitar. Jogos de futebol eram marcados aos cochichos, passeios de bicicletas mediante senhas e tudo o mais. Esse chato gostava de ser chato. O plano dele era muito simples: ficar na minha cola. Saía para a calçada e o cara aparecia sorridente perguntando o que estava acontecendo. Logo a turminha passou a me evitar para evitar o chato. Saco.

A intervenção do chato normalmente é ignorada até aquele ponto em que a chaleira ferve. A partir daí é o caos. Qualquer reunião/brincadeira vai para o vinagre (como dizia minha avó). E, o mais importante. O chato é o cara que se convida  para qualquer evento. 

Mais ou menos isso ocorre na volta de Mimadon para a F-1.

Sabemos que ele volta para a Renault ano que vem no lugar de Ricciardo. Mas, resolveu se colocar à disposição da equipe desde agora. Visitou a fábrica em Enstone, sentou a bunda na forma para a fabricação do banco e fala como se fosse pilotar em alguns fins de semana. 

Ou seja, lá vem o chato dar palpite no carro. Para o australiano Ricciardo não muda muita coisa porque está de partida. Mas, Esteban Ocon (nosso Escovão Cocô) pode ir colando as barbas de molho. O espanhol adora atazanar companheiros de equipe. 

Devemos lembrar que está sendo lançado um documentário na Amazon com cinco episódios sobre a carreira do dito. Pretendo não assistir. Lógico que a famosa frase "GP-2 engine" dita em Suzuka acerca do pum Honda não está presente. Com esta manifestação do chato mais portas se fecharam. Ele diz que se arrepende mas, coloca a culpa nos outros, claro.

Enfim, por este lançamento e outros quetais vamos aguentar Mimadon fazendo caras e bocas nos grids daqui até o fim do mundo, quero dizer, temporada.

Só bebendo para aguentar o chato.


"manja o estilo, Luizão!"



terça-feira, 17 de março de 2015

Espontaneidade

Após o GP da Austrália, agravou-se ainda mais a crise que a F-1 enfrenta. A falta de barulho já sentida desde o ano passado, somada a uma corrida sem graça com apenas 15 carros alinhando no grid, além dos grandes destaques deste primeiro evento terem ficado para um acidente que ninguém entendeu e uma pendenga judicial que permeou a primeira semana da categoria em 2015. 
Não há nada que se possa fazer por esta F-1. Ela acabou, esgotou-se. No entanto, suas corridas não são mais ou menos chatas que outras de outros tempos. Hoje em dia, o YouTube está infestado de GPs antigos que podem ser assistidos na íntegra. Corrida chata não é um privilégio de nossos tempos. Era normal que houvesse certames terminando com 7, 8 carros, apenas os dois primeiras na mesma volta e este era o esporte. A gente achava lindo. Por que hoje não achamos mais? 
A série de posts "ma che porra" que o patriarca do blog promoveu contém uma parte da explicação. O que se vê ali são várias tentativas e vários erros permitidos ambiente da competição. Quer dizer, havia um regulamento técnico mínimo que dava margem para que engenheiros, mecânicos e pilotos dessem asas à imaginação, colocassem um bólido medonho na pista, quebrassem a cara, voltassem para garagem e tentassem de novo. Era justamente por isso que a categoria desenvolvia tecnologia de ponta. Seus expoentes, literalmente, colocavam a mão na graxa. 
Argumentaram, então, que isso ficava caro. Proibamos os testes! Claro que colocar um carro de F-1 na pista, em qualquer circunstância, custa muito dinheiro (ainda mais se considerarmos os preços da gasolina hoje. Rá!). Mas não é este o problema. 
Até há vinte e tantos anos atrás, a F-1 ainda dava atenção para o esporte. A parte negocial sempre esteve presente e sempre estará, mas hoje ela predomina. A F-1 não custa caro só pela parte esportiva, mas especialmente pelo seu setor de negócios. A categoria é uma plataforma para aproximação de empresários, como uma feira que acontece duas ou três vezes por mês. O tio Bernie tem seu estande para atender seus clientes e seus potenciais novos colaboradores; as equipes tem os seus estandezinhos. E todos têm que oferecer grande conforto para satisfazer empresários e atrair dinheiro. Rigorosamente, sob o pretexto de "redução de custos", a F-1 transferiu dinheiro do esporte a motor para a feira. 
Esta "corporativização" é o problema. Os magos do chamado mundo corporativo, que cagam regras a torto e a direito, determinaram que a aparência da F-1 deveria ser assim e assado, que ela deveria ser política e ecologicamente correta, que os pilotos deveriam usar mordaças, etc, etc, etc. A chatice, então, não está só na pista - aliás, ao contrário: temos uma geração ótima de pilotos brigando e fazendo ótimas corridas! 
Quero voltar a questão do barulho, pois ela é bastante simbólica. Há alguns anos atrás - sei lá, dois anos atrás -, fomos assistir ao WEC em Interlagos. Lá estão misturados carros de tudo que é jeito: protótipos de um tipo, protótipos de outro, carros de turismo, etc. No meio deles, há carros híbridos que quase não produzem barulho. No ano em que fomos ao autódromo, destacavam-se os protótipos da Audi que eram, ao mesmo tempo, extremamente velozes e extremamente silenciosos. A falta de ruído não só não incomodava, como encantava o público, especialmente quando confrontada com o alto brado dos motores V12 da Ferrari que deixavam a gente surdo quando passavam. Por que a diferença? Porque a questão não é o barulho em si, mas o modo como a falta dele foi empurrada goela abaixo das equipes e do público. Não foi um processo natural, em que houvesse liberdade para que alguma equipe surgisse com a ideia de um motor híbrido, julgando que, com ele, pudesser ter vantagens. Não foi um invenção louca e revolucionária para F-1, copiada por outros times até que alguém tivesse uma ideia melhor, como aconteceu com o motor traseiro, o spoiller, o motor turbo, o carro asa, a suspensão ativa, para dar alguns exemplos. 
Um dos problemas desta falta de espontaneidade é que ela inviabilizou qualquer alteração de forças entre as equipes sem que haja uma total reformulação do regulamento técnico. Como as regras são muito restritivas (veja-se, por exemplo, como é complicado mexer no motor ao longo da temporada neste artigo da Julianne Cerasoli) e os testes estão proibidos, a única forma de tentar tornar as corridas mais equilibradas é banir os elementos que fazem determinado carro hegemônico. 
No fim das contas, se a F-1 é chata ou não, pouco importa. O que, de fato, incomoda é perceber que a chatice da categoria reflete a chatice de um mundo forjado para prestigiar seus acionistas. 

sábado, 14 de março de 2015

UM SACO SÓ!

Vamos aos fatos, diria o delegado diante de um corpo estendido no chão.
Nós gostamos de F-1. Sobrevivemos à era em que todos queriam  Shushu (um gênio enganador) fosse o campeão dos campeões. Mesmo jogando o carro para cima de todo mundo.
Então, sobreviveremos ao atual enredo da categoria máxima (ah ah) do automobilismo.
Nesta noite tivemos o treino oficial que definiu a largada do GP de onde Judas perdeu o canguru.
Quase dormi. Mesmo porque foi no meio da noite.
Assisti pela Globo genérica e os caras, meio fora de forma, apanharam um pouco. Esquecendo que Nars (que vontade de colocar um "i") e o FilhodoSom não treinaram direito, falaram que a Sauber iria se dar bem. Depois, mudaram o discurso dizendo que eles não iriam ao Q-1. Quase quebraram a cara porque Felipe Nars (que vontade de colocar um "i") bateu na trave e saiu para fora. Como diria Geraldo José de Almeida (pesquisem no gugle) "foi por pouco, muito pouco, pouco mesmo".
Bom, as Ferraris teoricamente surpreenderam. Mas, pensamento em bloco. Não tem ninguém além das Williams e Ferrari depois dos donos do Universo (a Mercedes).
O resto ou está falido, ou empurrado por uma bosta de motor (Renault). Por enquanto é o que temos.
O melhor momento do GP foi a chegada de Massinha de modelar quando todos já se levantavam em direção ao bar. Alguém deve ter pensado em ver o resultado final e pumba lá estava o baixinho "amolado" em terceiro. Prestem atenção que, na tela, do lado esquerdo tem a classificação. Estou com preguiça de chupar o grid de algum lugar.
Resumindo: a F-1 neste 2015 promete ser uma chatice sem fim.