Neste fim de semana, o evento automobilístico mais importante não aconteceu na Índia, mas aqui em São Paulo, no Jaguaré. Uma corrida de kart no famigerado Kart In, "a maior pista de kart indoor da América Latina". O Fórmula-1 Literária enviou um dileto e pesado representante para disputar o certame.
Desde o início, tudo parecia destinado ao fracasso, já que nosso bravo piloto mal havia dormido, tem passado por sérios problemas cardíacos (em sentido figurado) e experimentava, há alguns dias, um pequeno desconforto intestinal - é nojento, mas verdadeiro. Além disso, o sábado fora passado às voltas com questões judiciais intrincadas e sem sentido.
Garrafinhas e garrafinhas d'água para hidratar, lá foram eles - nosso representante e seu amigo, antigo e até hoje parceiro em todas as peripécias da vida. No caminho, como não poderia deixar de ser, foram ameaçados por um bando de moleques pilantras que queriam... água e Coca-Cola, mas que não sabiam pedir sem chamar para a porrada.
Passado o primeiro obstáculo, pegaram metrô, ônibus e chegaram ao local da disputa, onde os aguardavam pessoas com metade de seus pesos. O pânico se instalava.
O bólido sorteado para nosso representante carregava o número 21 -
da última vez, havia sido o número 12.
Apesar da característica inercial extra carregada pelos nossos bravos heróis - um, por conta da altura, o outro por contar, digamos, com lastro considerável no abdômen -, o desempenho na classificação foi bom e partiram em 2º e 3º no grid - claro, com o representante do blog a frente, como não poderia deixar de ser.
A largada é sempre um momento desastroso, já que o arrasto aerodinâmico proveniente da barriga atrapalha consideravelmente. Duas posições foram perdidas mas recuperadas ainda na primeira volta. O lastro não impediu que nosso enviado partisse para cima do primeiro colocado e já se podia ler na sua mente: "essa tá pra mim".
Quando já era estudado o ponto da pista mais adequado para assumir a ponta, surgiu um retardatário no meio do caminho. O piloto blogueiro, após sair de uma curva muito mais rápido, tomou, hesitante, a linha de dentro da pista. O rapaz retardatário viu e começou a trazer o kart para o lado de fora para dar espaço. No entanto, ansioso para passar logo a frente e retomar a disputa pela ponta, nosso pateta atrás do volante foi para o lado de fora, manobra que não foi notada pelo retardatário, que continuou em sua trajetória e acabou prensando o kart 21 contra uma pilastra. A porrada foi de frente, mas sem maiores danos, exceto pela perda da chance de vencer a prova.
A partir daí, a corrida foi muito disputada, cheia de ação e ultrapassagens. Foram tantas as manobras que é impossível relembrá-las na ordem correta. Destaca-se, no entanto, uma ferrenha disputa com um simpático rapaz oriental, com quem nosso representante disputou várias frenagens e contornou várias curvas lado a lado, no melhor estilo Senna x Alesi, sem um toque antidesportivo sequer - raridade nestas competições amadoras, ainda mais em uma pista tão estreita.
No fim, tudo o que se conseguiu foi recuperar o segundo lugar e terminar a prova satisfeito. Na última volta, era possível avistar o primeiro colocado que estava pouco mais de três segundos a frente - muito pouco, se considerarmos a porrada na pilastra e todo tempo perdido nas ultrapassagens para voltar ao segundo posto.
Ah, nosso alto e dileto amigo também terminou bem: foi o primeirão entre aqueles que chegaram uma volta atrás dos líderes.