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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Fumaça Já!

Lembro-me muito bem, todo ano acontecia: a família ia para o aeroclube de Jaboticabal assistir a exibição da Esquadrilha da Fumaça que lá apresentava por ocasião do aniversário da cidade. Era memorável e apavorante. 
Memoráveis os aviõezinhos coloridos, a fumaça branca, a pista de terra do aeroclube e os episódios bizarros que presenciávamos. A estrada para chegar ao aeroclube era estreitinha e os carros se apertavam entre os transeuntes que seguiam a pé o caminho. Lembro de uma ocasião em que um garotinho escorregou e caiu de cabeça no para-choque de um Fusca. Deus do céu, como eu agradeci por não ser aquele garoto. 
Antes da apresentação da Esquadrilha, havia um avião Ipanema - destes utilizados para pulverizar plantações - que fazia alguns sobrevoos rasantes para entreter o público. Era uma das partes que eu mais gostava, pois a aeronave não permitia tantas ousadias quanto os célebres Tucanos da Força Aérea. E, desde o princípio, era minha relação de atração e pavor com os aviões: eu queria ir e ver tudo, mas, estando lá, era um susto atrás do outro. 
Fazia muito tempo que eu não via o Esquadrão de Demonstração Aérea de perto. Informaram-me pelo telefone que fazia uns dez anos. Não lembro. Para mim, era mais tempo, mas dez anos é recente o suficiente para eu não lembrar mais. 
No último fim de semana, organizou-se aqui em São Paulo um fim de semana aéreo no Campo de Marte. Fomos lá conferir e valeu a pena. Os Tucanos não são mais vermelhos, como no meu tempo, mas continuam fazendo coisas muito bonitas por aí. Desta vez, contudo, não foi um Ipanema que passou pertinho de nós, mas um caça F-5 que eu nunca tinha visto voando tão de perto: 


Logo após, veio a Esquadrilha, esfumaçante e colorida como de costume, trazendo a sensação de que éramos apenas meninos ali, observando aviõezinhos de brinquedo. 

quinta-feira, 22 de março de 2012

HÁ MUITO TEMPO ATRÁS...

Vejam como a infernal internet e os google earth da vida podem ajudar a matar saudades.
A velha Djalma Forjaz.
A casa à esquerda com o carro dentro da garagem era onde morava.
César Locão morava naquela com os portões abertos fechando a calçada.
Quase nada mudou. Impressionante.
Ah! Os prédios ao fundo não existiam.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

ÔNIBUS - I

Ao ler o post do chefe sobre viagens de ônibus e ler a crônica da Vanessa pelo atalho não poderia deixar de escrever sobre os chamados coletivos.
Aliás, a crônica do link foi para mim uma viagem aos tempos em que morei no Alto do Mandaqui.
Quando mudamos de Curitiba para Sampa, em 1966 (!!!) estranhei muito os novos personagens que o destino jogou em minha vida.
Gente estranha com interesses mesquinhos bem ao contrário de meus amigos curitibanos.
Piorando a situação virei atração por causa do sotaque. Todo mundo, até os professores, queriam que eu tagarelasse para ouvir o sotaque sulino. Por tudo, quase não tinha amigos nesta época.
Uma das maneiras de escapar do isolamento forçado era uma aventura domingueira.
Eu pegava o ônibus domingo logo depois do almoço e ia até o centro da cidade. O ponto final era, então, na Praça do Correio.
Eu ia com o dinheiro contado para a passagem de volta. Nem pensar em comprar algo nesta empreitada.
Descia na Praça do Correio e saía andando sem destino. Muitas vezes me perdia e tinha que perguntar para alguém onde ficava a Praça de modo a pegar o tal coletivo de volta para casa.
Como dizem hoje, tenso.
Eu tinha uns onze anos e fico pensando em como meus pais permitiam uma aventura dessas. Lembrem-se: não tínhamos telefone e não levava nenhum bilhete com endereço.
Mas, sobrevivi.
Os ônibus eram da Brasil-Luxo e a molecada tinha uma espécie de esporte. Consistia em descer com o paquiderme de lata ainda em movimento. Como resultado muito joelho ralado.
Esse foi meu primeiro contato com os tais coletivos.